Há pouco tempo, o PS proibia manifestações. Não se lembram?

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Este é o Bom, o Mau e o Vilão das Manhãs 360. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.
Bom dia.
Bom dia, Miguel. Quem é o teu bom de hoje?
O bom é a polícia. Eu sei que o que está na moda é dizer que a polícia é fascista, reprime o povo e faz tudo mal. Mas eu, peço desculpa, não concordo, se me permitirem. Aliás, nós no Observador publicámos um vídeo de oito minutos, durante os quais acompanhámos a linha da frente entre polícias e manifestantes na ação policial do fim de semana. Claro, era apenas um dos locais onde estava a ocorrer a ação policial. O Rossio é grande, era impossível estarmos em todo lado, mas aquilo que nós vimos ali foi isto: depois de vários avisos, a polícia avançou na direção dos manifestantes e os manifestantes mantiveram-se num cordão humano. Aliás, vários deles estavam com portas de madeira a servirem de proteção. A polícia começou a empurrar a primeira fila sem usar bastões. Só perante um impasse de vários minutos é que se ouve uma voz a dizer: "Temos de avançar", porque aquilo não ia para um lado nem para o outro. E então os polícias começaram a empurrar de forma mais vigorosa e começámos a ver alguns bastões, ao mesmo tempo que também manifestantes atiravam garrafas à polícia. Aliás, vemos um agente a ser atingido em cheio na viseira do capacete, aquilo atinge e faz ricochete. Além disso, convém notar uma outra coisa que tem sido referida nestes dias: este acampamento não tem nada a ver com outros que existiram antes e que foram permitidos pelas autoridades, porque neste momento há um efeito de imitação em relação a tudo o que se passa lá fora. Em Espanha, por exemplo, há uma acampada que dura há um mês e devo lembrar que no Rossio, quando se começaram a sentir mais seguros, os ativistas chegaram a proibir a circulação de jornalistas. E por isso, se alguma destas acampadas ficar durante uma noite, não se sabe depois quando é que sairá, porque se se permitir que fique uma noite, por que não duas, três, um mês, dois meses? Por que não? Até ao fim do ano. Foi anunciado. Ó Paulo, até o fim deste ano, primeiro, e depois, por que não até o fim do próximo? Já agora.
Ou seja, não é fácil ser polícia.
Não é fácil ser polícia. Também ouvi uma outra coisa muito interessante, este argumento de que os polícias também pagam renda. Ora, se os polícias decidissem agir ou não agir, consoante concordam ou discordam das manifestações, nós íamos ter um regime que era uma beleza.
Sim, em função do interesse pessoal de cada um.
Claro, era o que mais faltava.
Miguel, o teu mau ficou em silêncio.
Sim, o mau é Luís Montenegro. O primeiro-ministro devia ontem, como é evidente, ter aparecido a defender a atuação da polícia. Devia ter aparecido perante o país a falar sobre isto, mas preferiu ficar em silêncio e mandou avançar Luís Neves. E como é óbvio, correu mal. Só podia correr mal. Estavam à espera de quê? Primeiro, o ministro da Administração Interna disse que acompanhou a ação da polícia e que só viu, vou citar: "Uma única vez que um bastão tenha sido utilizado." Uma única vez. E depois, passados uns minutos, o ministério foi obrigado a clarificar estas declarações obviamente fantasiosas, afirmando que, vou citar: "Quando Luís Neves disse que só viu a utilização de um bastão na operação da PSP no Rossio, não pretendia enumerar exaustivamente a quantidade utilizada. Pretendia apenas, como é aliás testemunhado pelas inúmeras imagens publicadas, que foram usados bastões apenas numa situação específica no Rossio." Disse o ministério. Como se percebe, a reação do governo ontem devia ter ficado nas mãos de um profissional, mas ficou nas mãos de um amador. Luís Neves chegou à política anteontem e ainda não percebe muito bem sequer como é que as coisas se fazem. E se Luís Montenegro acha que vai conseguir ficar fora disto, está muito enganado. E chegar atrasado só o prejudica.
Não se entende mesmo este silêncio de tantos dias. Enfim, onda de arame-nigro.
Alguém que fala pra dizer bom dia e depois não aparece, é incompreensível. Mas eu acho muito bem, eu acho que eles devem manter estes assessores que estão a aconselhar Luís Montenegro. Acho que está a correr muito bem. Olha, dupliquem-lhes o ordenado.
Miguel, o teu vilão tem falta de memória?
Maria João, parece que sim. O Partido Socialista está com falta de memória. Por estes dias, vários socialistas têm insurgido contra a legislação que regula as manifestações. Esta legislação que a polícia invocou para impedir a realização de acampadas de madrugada. Alexandra Leitão, por exemplo, escreveu que, e vou citar: "O governo ordenou que a polícia carregasse sobre manifestantes pacíficos a coberto de uma lei anterior à Constituição e de constitucionalidade muito duvidosa." Está em causa o Decreto Lei 406/74, de 29 de agosto, publicado logo depois da Revolução, uns meses depois, pelo governo que era liderado pelo primeiro-ministro Vasco Gonçalves Comunista, mais comunista não há. E mesmo assim, a esquerda decidiu agora, ao fim de 52 anos, que esta lei é inconstitucional. E eu até ouvi algumas pessoas dizerem que a lei nunca tinha sido aplicada, que agora, de repente, este governo vai aplicar uma lei de que nunca se tinha ouvido falar. E isto tem muita graça, porque uma pesquisa rápida mostra-nos, por exemplo, que este decreto lei foi aplicado, sim, em abril de 2011. Nessa altura, o governador civil de Lisboa proibiu uma manifestação invocando precisamente o Decreto Lei 406/74 de 29 de agosto. Foi há uns anos. Mais, a notícia da RTP dizia isto: "Ao contrário do que era prática habitual de anteriores titulares daquele cargo, o atual governador civil de Lisboa tem-se notabilizado por multiplicar as proibições de protestos vários. Do Comitê de Solidariedade com a Palestina, que quis manifestar-se por ocasião do jogo de futebol entre o Benfica e o clube israelita Hapoel, da Anistia Internacional, que quis manifestar-se quando da visita à Lisboa do presidente chinês Hu Jintao, e agora da iniciativa Cravos nas Escadarias da Democracia para o próximo 25 de abril." Portanto, em 2011 foi proibida uma manifestação no 25 de abril. Atenção, e quem é que estava no governo? Quem nomeou o governador civil? O governo tinha caído, ia haver eleições, ainda estava em funções, mas qual era o partido? Perguntam vocês. Já vos estou a ouvir, ouvi-vos aqui a perguntar. Era o PS. O partido era o PS. E quem era o governador civil de Lisboa? Perguntam vocês. Era António Galamba. E quem é António Galamba? Perguntam vocês com uma curiosidade enorme. Ora, há duas coisas que caracterizam António Galamba. Primeira: é do PS. Segunda: António Galamba é ainda hoje uma das pessoas mais próximas de quem? De António José Seguro. E vocês, queiram lá ver que o PS não se lembra disto. Não se lembra. Claro que se lembra. Varreu-se. Isto varreu-se, não me lembrava de nada disto. Como dizia Jorge Coelho, há muita falta de memória na política portuguesa. Pois é, há disso.
Vamos ao resumo. O bom desta segunda-feira é a polícia, o mau é Luís Montenegro e o vilão de hoje é o PS. Foram as escolhas do Miguel Pinheiro nas manhãs 360, que também pode ouvir em podcast.
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