Vox Radar: entre mulheres, 60% criticam fala sobre “toque” e 36% a defendem
Pesquisa Vox Radar divulgada nesta quarta-feira (30) mostra que 60% das mulheres criticam a fala do presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), sobre exames de próstata e "toque" em mulheres, enquanto 36% defendem a declaração.
Em agenda de campanha na última segunda (28), o petista falava sobre o avanço da tecnologia no tratamento contra câncer de próstata e, durante discurso, disse que os homens são "covardes" por rejeitarem o exame de toque para a detecção da doença.
"Por que isso é importante? Porque o homem é covarde. O homem não gosta de fazer teste de próstata. Ele não gosta, ele não gosta de toque, sabe? As mulheres aprendem a tomar toque desde quando são pequenas. O homem é cheio de trejeito. Ele não sabe que, quando ele tiver câncer de próstata, vão dar muito toque nele", disse.
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Como mostrou a CNN Brasil, a fala vem repercutindo nas redes sociais e sendo usada por aliados do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), principal adversário de Lula, para fazer críticas ao petista.
Para realizar o levantamento, a Vox analisou os comentários sobre a fala de Lula em 96.050 perfis do Instagram entre 29 e 30 de setembro.
Entre o montante analisado pelo instituto, apenas 1.938 dizem, no texto, que quem escreve é mulher. Deste grupo, o placar é de 60% de menções negativas e 36% de positivas.
Segundo os dados, no total, 45% fizeram a leitura da fala do presidente como "exame preventivo distorcido", enquanto 35% leram como "toque em criança".
Como cada lado leu a fala
De acordo com a Vox, entre os eleitores de direita, 95% dos 65.150 comentários são negativos e 85% das interpretações falam em "toque em criança". Destes, apenas 1% enxerga a declaração como uma fala sobre exame preventivo.
Já entre as pessoas que se dizem de esquerda, 83% dos 21.585 dos comentários são positivos, e 98% veem como referência ao exame preventivo. Somente 1% desse grupo vê a fala de forma negativa.
Já entre as pessoas sem lado político identificado, o lado negativo segue na frente: dos 32.330 comentários, 93% rejeitam a fala de Lula e 68% relacionam à interpretação de "toque em criança". Somente 5% veem como uma declaração sobre exame preventivo.
Dentro deste último grupo, segundo a Vox, quando não relacionam a fala com "criança", leem "machismo" (14%) ou "gafe" (12%).
Os que são considerados antipolítica e outros grupos também veem a fala como negativa (69% dos 935 comentários), e 28% interpretam a fala como "toque em criança". Dentro deste grupo, 15% veem relação com exame preventivo.
Declaração repercutiu nas redes
A declaração de Lula teve forte repercussão nas redes sociais após publicação do deputado federal e candidato à reeleição Nikolas Ferreira (PL-MG). Em post, Nikolas disse: "Menina pequena não aprende a tomar toque nenhum, Lula!".
Na terça (29) à noite, Lula rebateu as publicações sobre a fala e justificou que "estava falando de doença, de câncer, de uma operação robótica que vi fazer de câncer próstata, a primeira no Norte do pais, no estado do Pará".
"Eu estava contando a história que o homem tem dificuldade de fazer o exame, um monte de preconceito. Essa nova forma de operar não vai causar sequer incontinência urinaria, não precisa usar fraldão, não fica impotente sexualmente, estava contando isso", disse o petista.
"Eu quis fazer uma comparação, como as mulheres são corajosas, porque elas não têm medo de fazer exame. Queria que a Janja explicasse, porque uma palavra e uma frase errada", citou. "Nikolas [Ferreira], nas redes digitais, ousou inventar uma coisa a meu respeito", prosseguiu.
A campanha de Lula também acionou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) contra as publicações de adversários que tiraram a declaração de contexto, pedindo que os posts sejam retirados do ar e que a veiculação de conteúdos semelhantes seja proibida.
Segundo o PT (Partido dos Trabalhadores), a descontextualização “visa induzir o eleitor em erro”.
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