ESPN DeportesBruno, Cunha, Sesko y Lisandro imponen la superioridad del UnitedDaily MaverickAFTER THE BELL: We don’t talk anymore — the case for voice calls in a text ageCNN TürkPartnerinizle aranızda sorun mu var? Kaygılı bağlanma yaşıyor olabilirsiniz! İşte kaygılı bağlanmanın 4 belirgin özelliğiESPNSeahawks' Darnold gets 'really good news' about hip, expected to miss Week 2The Jerusalem PostHow the navy’s Haifa fleet is transforming war at sea: New details of attacks revealed - exclusiveBBC NewsUEFA Champions LeaguePunchCourt jails fake spiritualist for sextortion in Abujaוואלהסריקות נרחבות אחר צעיר בשנות ה-20 לחייו שנעדר בחוף הסטודנטים בחיפהInquirerHabagat rains to weaken on Friday – PagasaVarietyNetflix Taps ‘Friday Night Lights’ Director Peter Berg for NFL Gameday Openers, the First Narrated by Kyle ChandlerBillboardWhy Cage the Elephant’s New ‘Dying in Reverse’ Song Will Fit ‘So Naturally’ in Their Munich NFL Halftime ShowColliderThe 10 Best Spaghetti Westerns in Film History, Ranked
The Daily Newsstand · Free, Always
Thursday, September 10, 2026

"Recurso a armas nucleares tem que estar fora da equação"

Translate

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Gabinete de Guerra na Rádio Observador, espaço onde analisamos os principais focos de conflitos. Hoje contamos com a análise de João Albuquerque, especialista em relações internacionais. Boa noite, muito obrigada por ter aceitado o nosso convite. E vamos começar por olhar para a Ucrânia. Dmitri Medvedev, antigo presidente russo e atual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, diz que Moscovo tem o direito de usar armas nucleares contra o Ocidente e sublinhou também que o fim da guerra na Ucrânia terá de ser ditado nos termos da Rússia, sob pena de evoluir para um conflito mundial. As ameaças russas estão a subir de tom?

Olá, Lara, muito boa noite e boa noite também aos ouvintes da Rádio Observador. Eu diria que parece que está um pouco um ar de tempos de fim do mundo, que nós estamos a viver neste momento, seja pelas notícias mais recentes que temos visto sobre inteligência artificial, seja agora por este escalar, pelo menos na retórica de Medvedev, a que eu juntaria também, de certa maneira, uma retórica um pouco mais agressiva da parte de Zelensky dizendo que poderiam estar em condições de infligir danos suficientes à Rússia para forçar, pelo menos, que a Rússia se possa sentar à mesa das negociações. Ora, obviamente, estas declarações de Medvedev são, sob qualquer prisma, inaceitáveis. Eu acho que tem que haver uma condenação muito assertiva e forte, conjunta, sobre a possibilidade de qualquer utilização, mesmo que remota, de armas nucleares. Isso seria o quebrar de uma barreira que desde a Segunda Guerra Mundial não se voltou a quebrar, felizmente. E, portanto, é importante que isso fique muito claro e que a Rússia perceba a gravidade das consequências que isso poderia acarretar e o que isso poderia trazer para todo o mundo. É inquietante, por outro lado, e não posso deixar de acrescentar isso, temos vindo a falar disso algumas vezes aqui no Gabinete de Guerra, que do outro lado esteja um presidente americano do qual não se sabe exatamente o que esperar e que reação podemos ter da sua contraparte americana. Mas neste momento, o comentário que me apraz deixar é mesmo de condenação clara e inequívoca de que o recurso ao armamento nuclear tem que estar fora da equação em qualquer situação. E eu acho que isso tem que ser dito de uma forma muito explícita por parte da administração americana à administração russa, seja a Medvedev, seja diretamente a Vladimir Putin.

Vamos também olhar para a situação no Médio Oriente. O secretário de defesa norte-americano, Pete Hegseth, diz que os Estados Unidos têm todo o controle do mundo sobre o desfecho da guerra no Irão. Acha que é assim mesmo?

Custa a crer, não só por aquilo que foram os desenvolvimentos que aconteceram ao longo destes meses, desde o início da invasão. Aquilo a que nós assistimos, de uma forma muito clara, foi um Irão muito bem preparado, muito bem organizado. Obviamente que os Estados Unidos e Israel, em conjunto, conseguiram, no primeiro momento, fruto do efeito surpresa, desferir golpes muito significativos à liderança iraniana, matando o líder supremo do Irão. Mas a partir desse momento, aquilo que aconteceu e que o Irão demonstrou sempre, foi uma grande capacidade de preparação e de resposta, seja por via indirecta, que foi a mais utilizada e logo o primeiro recurso que o Irão utilizou, como todos nós sabemos, com o encerramento do Estreito Ormuz, a navegação marítima, toda a circulação e transporte de mercadorias que por ali passam e que são muito significativas, seja por via directa de resposta aos ataques que os Estados Unidos e Israel foram levando a cabo no Irão, com retaliações significativas, seja diretamente a navios ou forças militares americanas, seja a bases militares americanas em países vizinhos, seja a alvo estratégico nos seus países vizinhos que são aliados dos Estados Unidos. Obviamente, os Estados Unidos são a potência militar que são, a maior do mundo, com uma capacidade de recurso a armamento e a força humana e tecnológica incomparável e inigualável no mundo. Portanto, não digo que não possa haver uma inversão da força empregue no Irão, mas até ao momento aquilo que nós vimos foi uma incapacidade dos Estados Unidos de conseguirem ganhos suficientes do ponto de vista estratégico-militar, que lhes permita dizer de uma forma mais ou menos categórica que alcançaram os seus objetivos e que conseguiram ganhar vantagem através do início desta invasão. E portanto, estas declarações de Pete Hegseth servem um pouco para consumo interno, no fundo, como à semelhança daquilo que Donald Trump também tem feito nas declarações mais recentes e obviamente eu julgo que continuaremos a assistir a mais declarações desta natureza, talvez com maior intensidade e com um nível de desfasamento da realidade maior, agora que nos aproximamos das eleições intercalares americanas.

Precisamente sobre esse tema, Donald Trump prometeu dar cinco mil dólares a cada americano, se o Partido Republicano vencer as eleições intercalares de novembro. Acha que isto é um sinal de que o presidente norte-americano teme um mau resultado?

Eu acho que é inequívoco. Donald Trump há alguns meses que vem dizendo que se está a borrifar. Não foi bem esta a expressão que utilizou, mas de uma forma mais correcta, que está a borrifar para as eleições intercalares americanas e que os resultados lhe são indiferentes, porque continuará ou continuaria a exercer o seu poder executivo, independentemente daquela que venha a ser a maioria No Congresso. Este anúncio, esta afirmação agora, muito inverosímil diria, de dar US$ 5 mil a cada americano depois das eleições, caso venha a ganhar, é um sinal não só de que as eleições são, de facto, muito importantes, porque a recuperação de uma maioria no Congresso por parte dos democratas poderia interferir bastante com os poderes quase sem controle que o presidente americano tem tido ao longo do tempo. Vimos aquilo que aconteceu, por exemplo, com a aplicação das tarifas e o retrocesso que isso significou. Não sei se as pessoas têm bem noção daquilo que está em curso a nível de devolução da parte da administração americana, de tarifas mal aplicadas por via dessa reversão da decisão do Supremo Tribunal, por conta da ilegalidade da decisão que Donald Trump tinha exercido. E, portanto, Donald Trump tem bem consciência disso. E este anúncio é não só a admissão da importância dessas eleições, mas também parece-me um ato quase de desespero perante um cenário que é bastante desfavorável neste momento ao presidente norte-americano e que aponta para uma possibilidade forte de que, em alguns dos círculos eleitorais onde haverá eleições, os democratas possam ter vitórias muito importantes.

Amanhã assinalam-se 25 anos desde o 11 de setembro, um acontecimento que redefiniu a segurança global. Pergunto-lhe se acha que o mundo de hoje é uma consequência directa da resposta norte-americana a esse dia.

Eu diria, talvez de uma forma um pouco mais ampla. Não é só esse evento que marca, mas obviamente, todo o passado. Nós somos sempre um pouquinho o resultado das decisões passadas, seja individualmente, seja de uma forma colectiva, e obviamente que nesse aspecto em concreto e referido ao 11 de setembro, marcou definitivamente para a minha geração, a geração dos anos 80 e 90, que depois cresceram com este evento no início do milénio marcante, que alterou profundamente todo o nosso modo de vida, seja pela forma como viajamos, seja pela forma como passámos a privilegiar ou dar mais importância aos mecanismos de controle de segurança, e abdicando em alguns aspectos de matérias de privacidade, de liberdade individual a favor dessa mesma segurança. E, portanto, obviamente, há aqui uma viragem muito clara que o 11 de setembro representou e que deixa uma marca profunda em todos nós que viveram esse acontecimento, que viveram após esse acontecimento e continuam a viver após esse acontecimento, e que acho que todos nós recordamos coletivamente com um grande choque aquele dia, aquele acontecimento, os dias que se seguiram, a intervenção americana e de alguns dos seus aliados também europeus nessa mesma guerra e tudo o que daí adveio, que obviamente continua a ter repercussões hoje. Se me permite, deixava só uma nota final que eu acho que é importante também para assinalar esta data, e que é de certa maneira uma reparação histórica que a cidade de Nova York parece estar agora a querer fazer com o anúncio do seu presidente Mamdani, de acesso a alguns dos dados e aos arquivos relativamente àquelas que foram as decisões tomadas pela administração da cidade de Nova York na altura e que deu algumas garantias de segurança sobre o ar, sobre a qualidade do ar naquela altura e os danos que representavam para a saúde pública, o que teve danos irreparáveis em muitos nova-iorquinos que tiveram que lidar com isso, sejam forças de segurança ou de resgate, como o caso dos bombeiros, seja cidadãos comuns que viviam naquela área e foram confrontados com todas as poeiras e todos os destroços que daí resultaram e que agora passam a ter acesso não só à informação das decisões que ocorreram naquela altura, mas que agora podem recorrer a reparações da cidade de Nova York por via dos danos que lhes foram infligidos de uma forma involuntária ou por negligência dessa mesma administração.

Muito obrigada pela sua análise, João Albuquerque, especialista em Relações Internacionais. Obrigada por ter aceitado o nosso convite.

Muito obrigado e boa noite.

Fica por aqui o Gabinete de Guerra, está de regresso amanhã.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.