Híbridos asiáticos ganham mercado nos EUA com alta dos combustíveis
Bastou o preço da gasolina chegar a US$ 4 o galão para os americanos aderirem aos carros híbridos. Mas, com poucas opções oferecidas pelas grandes montadoras de Detroit, as pessoas estão migrando em massa para as rivais asiáticas.
A montadora sul-coreana Hyundai informou na quinta-feira (1°) que as vendas de híbridos cresceram 39% no terceiro trimestre, enquanto as vendas de híbridos da Kia mais do que dobraram, com alta de 152%.
As montadoras japonesas também registraram vendas de híbridos excepcionalmente fortes no trimestre, com a Toyota crescendo 29% e a Honda, 21%.
Os preços da gasolina dispararam desde o início da guerra com o Irã, no final de fevereiro. Os compradores americanos de automóveis estão agora em busca de carros mais econômicos, como os híbridos.
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Mas, ao contrário de suas concorrentes japonesas e sul-coreanas, a maioria das montadoras americanas vende poucas linhas de veículos híbridos.
"Isso apenas reforça o quanto é importante ter o produto certo na hora certa, mas você não consegue prever isso tão bem quanto gostaria", disse Ivan Drury, diretor de insights do site de compra de carros Edmunds.
As vendas de veículos puramente elétricos, no entanto, caíram acentuadamente ao longo do último ano. Eles são mais caros do que os carros movidos a gasolina, ainda mais após o fim de um crédito fiscal de US$ 7,5 mil para compradores de veículos elétricos, em setembro passado.
A Tesla, a maior fabricante de veículos elétricos do país, informou na sexta-feira (2) que as vendas do terceiro trimestre caíram 2% em relação ao ano anterior.
Mas os híbridos, que utilizam uma combinação de motores a gasolina e motores elétricos, são muito mais acessíveis.
"Acho que este é um dos exemplos mais evidentes de como os consumidores vão descobrir que optar por um híbrido vai atender às suas necessidades de forma muito mais conveniente e a um preço mais baixo do que um veículo elétrico", disse Drury.
O impulso nas vendas proporcionado pelos híbridos quase permitiu que as montadoras sul-coreanas ultrapassassem a Ford nas vendas nos EUA pela primeira vez na história.
Hyundai e Kia registraram vendas combinadas de 506,2 mil veículos durante o terceiro trimestre, com alta de 5,4% em relação ao ano anterior.
A Ford, a terceira maior montadora americana em volume, viu suas vendas caírem 6,6%, para 509.764 unidades, de acordo com dados divulgados pela empresa na sexta-feira.
Como a Hyundai detém uma participação significativa na Kia, a maioria dos analistas as contabiliza juntas ao classificar as vendas.
A Ford perdeu o título de segunda maior montadora dos EUA para a japonesa Toyota em 2007, parte de uma tendência de décadas em que os americanos abandonaram as três grandes empresas de Detroit — Ford, General Motors e Stellantis, fabricante da Jeep e da Chrysler — em favor das montadoras asiáticas.
As marcas asiáticas abriram caminho significativo no mercado americano durante o choque do preço do petróleo há 50 anos, e foram claramente beneficiadas pela mais recente alta no preço da gasolina.
As montadoras asiáticas venderam mais da metade de todos os carros novos durante o trimestre, de acordo com a Cox Automotive. As empresas americanas registraram participação nas vendas em patamar mínimo histórico.
"Com as (montadoras de Detroit) tendo opções limitadas de motores híbridos e poucas ofertas de carros de passeio, essa tendência parece ter chances de continuar", disse Charlie Chesbrough, economista sênior da Cox Automotive.
Por décadas, as três grandes empresas de Detroit descontinuaram linhas de sedãs econômicos e carros menores para produzir grandes SUVs e caminhonetes com margens de lucro mais elevadas.
E antes da guerra no Irã, os consumidores americanos não tinham problemas em comprar veículos maiores e com alto consumo de combustível.
Mas, à medida que a média nacional ultrapassa US$ 4 por galão, os compradores americanos estão dando nova atenção à eficiência de combustível. E as empresas americanas têm poucas opções.
A Ford tem apenas uma picape híbrida de porte médio, a Maverick, e descontinuou seu SUV híbrido Escape. As vendas de todas as versões do Escape caíram 85% durante o trimestre, à medida que o estoque do carro nas concessionárias diminuiu.
A GM tem apenas um modelo híbrido, que é uma versão de nicho do seu esportivo Corvette. A Stellantis anunciou em janeiro que estava eliminando gradualmente seus modelos híbridos plug-in na América do Norte.
Embora tanto a Ford quanto a GM planejem mais modelos híbridos nos próximos anos, mudar de rumo leva tempo.
Os resultados de vendas chegam poucos dias após o governo Trump anunciar novos requisitos de eficiência de combustível menos rigorosos para as montadoras.
Isso pode poupar dinheiro às montadoras de Detroit em termos de multas caso não atinjam as metas de quilometragem, mas na sexta-feira, 26 estados liderados pela Califórnia processaram o governo alegando que o retrocesso "enfraquece os padrões de eficiência de combustível e prejudica os consumidores e o planeta".
Por ora, a falta de modelos com eficiência de combustível, como os híbridos, pode prejudicar o crescimento de longo prazo caso os compradores busquem outras opções, disse Drury.
"O impulso que as Três Grandes abriram mão é tremendo", disse ele.
"As recompras são a força vital da indústria automobilística. Se você perde alguém, reconquistá-lo é a coisa mais difícil que você pode fazer".
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