Árbitro saca arma na frente de crianças durante confusão em jogo de futsal em Campo Grande; VÍDEO

O árbitro é um policial militar da reserva que não integra o quadro de árbitros da Federação de Futebol de Salão de Mato Grosso do Sul (FFSMS), apurou o g1. O g1 não conseguiu contato com ele até a última atualização desta reportagem.
A Copa ABC de Futsal é organizada pela GV Eventos. Procurada, a empresa informou que irá se manifestar por meio de nota. O colégio também foi procurado, mas ainda não havia dado retorno até a última atualização desta reportagem.
Confusão durante a partida
O vídeo da transmissão da partida mostra o tumulto que se formou na entrada do ginásio. Os árbitros, vestidos de laranja, aparecem envolvidos na confusão. Em determinado momento, é possível ver o correndo em direção ao outro lado da quadra. Em seguida, ele retorna segurando uma arma, mas é contido.
Em relato registrado na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) do Centro, uma representante e uma testemunha de uma das equipes que estavam em quadra afirmaram que a confusão começou após críticas do público à arbitragem, após a marcação de um pênalti.
As mulheres afirmaram que não houve ofensas pessoais direcionadas ao árbitro. Contudo, segundo o boletim de ocorrência, ele teria reagido com xingamentos contra os pais das crianças, dizendo “vaza, cornos”, além de chamá-los para uma briga e fazer gestos simulando socos.
Árbitro armado durante a partida. — Foto: Reprodução.
Na sequência, o árbitro sacou a arma de fogo próximo às crianças. Um dos pais conseguiu segurá-lo, enquanto várias pessoas deixaram o local com medo de que fossem efetuados disparos, segundo o registro.
A Polícia Militar foi acionada pelo telefone 190, mas, ainda segundo o relato das mulheres, elas não foram ouvidas no local pela equipe policial. Depois disso, procuraram a delegacia para registrar a ocorrência. Os vídeos da confusão foram anexados ao boletim.
Apesar da repercussão do caso, o g1 apurou que a confusão não foi registrada na súmula da partida.
Versão da Polícia Militar
A versão apresentada pela PM é diferente do relato registrado pelas representantes da equipe na delegacia, que afirmaram não ter ocorrido ofensas pessoais contra o árbitro.
Em nota, a Polícia Militar informou que o árbitro teria sido chamado de “preto safado” durante os xingamentos. Segundo a corporação, ele teria sacado a arma depois que um dos pais teria ameaçado retirar uma arma da cintura. Veja a nota da PM na íntegra.
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul atendeu na manhã deste sábado (26) a uma ocorrência de vias de fato, ameaça e injúria qualificada por raça ou cor registrada durante um campeonato de futebol juvenil realizado no Bairro Jardim Monte Líbano:
A equipe policial militar foi empenhada via COPOM para intervir em um tumulto generalizado decorrente de inconformismo com a arbitragem durante uma partida esportiva em uma escola particular.
No local, os policiais mantiveram contato com o árbitro da partida, um policial militar da reserva remunerada de 55 anos, que figurava como vítima na ocorrência. O profissional relatou que, após decisões técnicas de jogo, passou a sofrer xingamentos depreciativos e ofensas explícitas de cunho racial ("preto safado"), proferidas por pais de atletas presentes na arquibancada.
Conforme apurado preliminarmente, a discussão escalou quando indivíduos adentraram o gramado em postura de enfrentamento hostil. Um dos envolvidos realizou gestos indicativos de porte de arma de fogo na cintura, configurando ameaça iminente à integridade física do árbitro. Diante da percepção concreta de risco à sua vida e da aproximação violenta, a vítima dirigiu-se aos seus pertences, retirou sua arma devidamente registrada de uso pessoal e passou a empunhá-la, contendo o avanço dos agressores e promovendo a dispersão dos invasores. Não houve disparos ou emprego ostensivo de força letal contra terceiros.
Um técnico presente confirmou ter presenciado o gestual suspeito realizado por um dos pais em direção ao árbitro, corroborando a percepção de risco imediato. Os suspeitos das ofensas e da invasão já haviam se evadido antes da chegada da viatura. A partida era transmitida ao vivo por plataforma de vídeo na internet (YouTube), material audiovisual que foi formalmente preservado e será disponibilizado à Polícia Civil para a identificação pericial das falas, ofensas e dinâmicas dos fatos.
O armamento da vítima foi conferido e qualificado no boletim. O caso foi encaminhado para a delegacia de área para os procedimentos de polícia judiciária relativos aos crimes de injúria racial, ameaça e vias de fato. Da mesma forma, a Corregedoria-Geral da PMMS irá realizar os procedimentos internos cabíveis sobre o caso.
A PMMS reafirma seu repúdio inegociável a qualquer forma de racismo ou discriminação, reforçando que atua com rigor na garantia dos direitos fundamentais e na apuração irrestrita de ilícitos penais.
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