Por que Arapongas tem ruas com nomes de pássaros? A resposta está na política

Avenida Arapongas - Foto: TNOnline
Arapongas (PR) ostenta um título curioso: é a única cidade do Brasil onde todas as ruas são batizadas com nomes de pássaros. O que muitos não sabem, no entanto, é que a origem dessa peculiaridade, que espalhou mais de 1.700 endereços aviários por 260 bairros, não foi apenas uma homenagem à natureza, mas sim uma solução para um problema político local.
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De acordo com Gean Carlo Cereia, historiador e coordenador do Museu de Arte e História de Arapongas (Mahra), a mudança de prefeitos trazia consigo uma dança das cadeiras também nas placas das ruas. "Em relação à troca de nomes dos logradouros, aconteceu por causa de política. Antes, aquela rua recebia um nome em homenagem a algum personagem da história e, quando mudava-se a gestão, às vezes acontecia deles trocarem esse nome novamente, substituir por outro nome, de pessoas afiliadas a ele ou de familiares de afiliados a eles", explica o historiador.
Para acabar com essa prática, a adoção dos nomes de pássaros foi a saída encontrada pelo poder público. "A princípio, a primeira lei foi para manter os nomes de pássaros, para não serem substituídos. Depois, logo em seguida, aí sim veio uma lei substituindo todos os nomes de ruas com o nome de pássaros", completa Gean.
Com a regra em vigor, o mapa de Arapongas foi preenchido com espécies de todos os tipos, gerando nomes de ruas que chamam a atenção de quem visita o município. Entre os exemplos mais inusitados estão a Rua Chupa-Dente, Rua Alma-de-Gato, Rua Bagaceiro, Rua Caçador-de-Árvore, Rua Andarilho, Rua Asa-de-Telha, Rua Barbudo-de-Coroa, Rua Pato-Bravo-do-Mato, Rua Drongo e a Rua dos Macucos.
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A origem de tudo
A relação do município com os pássaros remonta a 1947 e está diretamente ligada à sua fundação. O historiador relata que Elizabeth Thomas, uma das fundadoras da então vila, caminhava pelo local quando escutou um canto diferente. Ao se deparar com uma grande quantidade de aves e descobrir que se tratava da Araponga, ela associou o som estridente da espécie ao barulho de um ferreiro. A partir dessa experiência, Elizabeth decidiu batizar o local com o nome do pássaro, famoso por seu grito alto e metálico.
A oficialização das vias de forma abrangente ocorreu na década seguinte. Em 1964, o engenheiro agrimensor Alexandre Razgulaeff propôs o projeto de lei que mudaria definitivamente a identificação dos logradouros, substituindo as personalidades pela fauna. A medida se concretizou oficialmente em 19 de agosto de 1967.
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