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Friday, September 18, 2026

Como turnê de Ed Sheeran se tornou conflito sobre Palestina e antissemitismo

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O cantor Finneas O'Connell, irmão de Billie Eilish, os artistas Aaron Rowe e Lukas Graham e a banda alternativa Beoga anunciaram que não farão mais os shows de abertura da turnê de Ed Sheeran.

A decisão veio após o rapper Macklemore, também contratado para os shows de abertura, ser afastado da turnê por declarar apoio à Palestina. Ele fez isso durante as apresentações em Nova Jersey, nos Estados Unidos, nos dias 4 e 5 deste mês.

Finneas abriria os shows de Ed Sheeran no Brasil, marcados para 5 e 6 de dezembro. Ele, como os outros músicos que desistiram do trabalho, falou em liberdade de expressão. "Artistas não podem ser silenciados quando defendem oprimidos", escreveu Finneas nas redes. "Estou ao lado da Palestina e de seu povo."

As desistências aumentam a pressão sobre Ed Sheeran, gigante das plataformas de streaming e dono de turnês de sucesso. O britânico tem sido criticado por permitir que os músicos saíssem da turnê, decisão que, segundo ele, foi tomada pelos produtores e proprietários dos estádios onde os próximos shows acontecem.

Nesta quarta (16), Macklemore anunciou que vai doar o cachê que recebeu pelos shows feitos na turnê "Loop Tour". O pagamento de US$ 1 milhão, cerca de R$ 5,1 milhões, vai para instituições que apoiam a Palestina, afirmou o artista no Instagram.

Ele desafiou o bilionário Robert Kraft, proprietário do estádio Gillette Stadium, em Massachusetts, onde Ed Sheeran se apresentará no final do mês. Kraft vem sendo apontado como um dos empresários que exigiu a saída de Macklemore da turnê.

Depois, Kraft anunciou que, antes do desafio de Macklemore, Ed Sheeran havia pedido que ele doasse US$ 2 milhões à causa palestina. O comunicado foi feito no X, o antigo Twitter. Kraft não explica para onde exatamente iria a doação, porém.

A controvérsia surgiu quando Macklemore apresentou a canção de protesto "Hind’s Hall", que acusa Israel de genocídio na guerra iniciada após o ataque do Hamas contra Israel em outubro de 2023. O videoclipe da faixa mostra cenas de destruição em Gaza e de protestos em Nova York.

"Eu queria subir aos palcos e me apresentar em estádios por todos os Estados Unidos", disse Macklemore no palco, "e dizer duas palavras que são muito importantes para mim: Palestina livre".

Organizações como a Liga Antidifamação imediatamente criticaram a apresentação, e o Conselho Israelense-Americano divulgou uma petição pedindo que Sheeran retirasse Macklemore da turnê.

"Não tomo essa decisão levianamente", escreveu Rowe, músico de Dublin, nas redes sociais. "Ed tem sido meu amigo e mudou a minha vida. Eu jamais conseguiria agradecê-lo o suficiente."

"Mas, como irlandeses", seguiu Rowe, "conhecemos bem o genocídio, a fome provocada e a ocupação violenta. Não posso ficar de braços cruzados e permitir que bilionários usem seu poder para silenciar as vozes daqueles que se manifestam contra o genocídio israelense e que denunciam o assassinato brutal de crianças".

Graham afirmou em sua própria declaração nas redes sociais: "Dinheiro não dá a ninguém o direito de controlar o debate. O saldo bancário de ninguém deveria decidir quem pode falar ou qual sofrimento temos permissão para reconhecer". Ele acrescentou emojis de melancia, símbolo de apoio à causa Palestina.

Em outra declaração, o Beoga afirmou que sua decisão foi uma reação "ao silenciamento de Macklemore por lobbies sionistas".

Macklemore disse, em uma declaração publicada na internet na segunda-feira, que Sheeran lhe havia contado que os locais que receberiam a turnê exigiram sua retirada.

Robert Kraft, cuja empresa é proprietária do New England Patriots e do Gillette Stadium, nos arredores de Boston, reconheceu em uma declaração na segunda-feira que decidiu impedir Macklemore de se apresentar no Gillette, afirmando que não "ofereceria uma plataforma para discurso de ódio" e mencionando um "histórico mais amplo de retórica e imagens antissemitas" de Macklemore "que, acreditamos, foram profundamente ofensivas e dolorosas para a comunidade judaica".

Kraft não deu mais detalhes sobre a acusação em sua declaração. Mas muitos comentaristas nas redes sociais mencionaram uma fantasia de palco de 2014 considerada uma "caricatura de judeu", com nariz adunco e barba; Macklemore pediu desculpas na época e disse que "jamais menosprezaria intencionalmente alguém pelas características que fazem dessa pessoa quem ela é".

A próxima parada prevista da turnê de Sheeran será no sábado, no Lincoln Financial Field, na Filadélfia.

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