Criado em 1967, o disquete ainda é usado em aviões: como funcionava e quanto cabia nele?
Entre as décadas de 1980 e 1990, o disquete era presença garantida em escolas, escritórios e casas. Naquele pequeno quadrado de plástico, cabiam trabalhos escolares, documentos e jogos. Antes da internet e dos pen drives, ele era uma espécie de cofre portátil para os arquivos digitais.
Mas como um disco tão pequeno conseguia guardar informações? E por que uma tecnologia criada há quase seis décadas ainda aparece em sistemas de aviação?
A história começou em 1967, quando a IBM encarregou o engenheiro Alan Field Shugart de encontrar uma maneira mais prática de armazenar dados nos enormes computadores mainframes. A solução chegou ao mercado em 1971: o primeiro disquete, com 8 polegadas de diâmetro e capacidade de apenas 80 KB. Apesar do espaço limitado, ele substituía caixas de cartões perfurados usados para alimentar os computadores da época.
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De um disco flexível a um ícone da computação
O funcionamento do disquete era engenhoso. Uma fina película revestida por material magnético registrava informações por meio de alterações microscópicas em sua superfície. Um leitor interpretava esses sinais e os transformava novamente em dados digitais. Assim, documentos, programas e jogos ficavam armazenados fisicamente no disco.
A tecnologia evoluiu rapidamente. Em 1976, surgiu o formato de 5,25 polegadas, que ajudou a popularizar os computadores pessoais. Já em 1984, o modelo de 3,5 polegadas desenvolvido pela Sony trouxe uma carcaça rígida de plástico e uma proteção metálica retrátil, tornando o disquete mais resistente e fácil de transportar.
Nos anos 1990, ele conquistou o auge da popularidade, tornando-se um dos símbolos da computação doméstica.
Quando instalar um programa era uma maratona
Hoje, instalar um programa pode levar poucos minutos. Nos anos 1990, porém, a tarefa exigia paciência: dependendo da versão, o Windows 95 era distribuído em até 21 disquetes, que precisavam ser inseridos em sequência. Se algum apresentasse problemas de leitura, o processo podia ser interrompido e exigir que etapas fossem refeitas.
Nos videogames, a limitação também fazia parte da experiência. Doom, lançado em 1993, era distribuído em conjuntos de disquetes com os arquivos necessários para executar o jogo. Era preciso organizar os discos, evitar danos e torcer para que nenhum deles apresentasse defeitos.
O modelo de alta densidade, conhecido como HD, armazenava 1,44 MB. Para dimensionar essa capacidade, um pen drive de 16 GB equivale, teoricamente, a mais de 11 mil disquetes desse tipo.
Por que ainda existem aviões que dependem de disquetes?
O disquete parece uma relíquia, mas continuou presente em alguns sistemas aeronáuticos por décadas. Até 2020, os Boeing 747-400 da British Airways ainda utilizavam disquetes de 3,5 polegadas para carregar determinados dados e atualizações de sistemas de aviônicos.
A razão não era nostalgia. Em equipamentos antigos, substituir uma tecnologia exige testes, investimentos e avaliações rigorosas de segurança. Por isso, componentes ultrapassados podem permanecer em operação enquanto atendem às necessidades dos sistemas para os quais foram projetados.
Isso não significa que toda a aviação moderna dependa de disquetes, mas mostra como tecnologias antigas podem sobreviver por muito tempo em aplicações específicas.
O pequeno disco que virou símbolo de salvar
Com a chegada dos CDs, dos pen drives e do armazenamento em nuvem, o disquete perdeu espaço. Sua imagem, porém, permaneceu: o ícone usado para representar a função “salvar” em muitos programas ainda reproduz o formato daquele pequeno disco quadrado.
Até pessoas que nunca usaram um disquete reconhecem o símbolo. Para quem viveu aquela época, a lembrança inclui também o ruído característico do leitor e a preocupação de não perder arquivos importantes.
Criado para resolver um problema dos grandes computadores dos anos 1960, o disquete acabou se tornando um dos ícones mais duradouros da era digital. E, embora hoje pareça uma peça de museu, essa pequena relíquia ainda ajuda a contar a história de como aprendemos a guardar informações, e continua trabalhando nos bastidores de alguns equipamentos.
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