Israel vai às urnas hoje e o fim político de Netanyahu está no radar

Trump, ainda que perca em novembro, continuará o seu mandato com minoria no Congresso. A maioria democrática, entretanto, terá legitimidade para tentar promover o seu impeachment.
Netanyahu, caso não seja reconduzido ao cargo de premiê, correrá risco de ser responsabilizado, por negligência, pela tragédia de 7 de outubro de 2023, o ataque terrorista do Hamas com 1.200 mortos e 250 pessoas sequestradas. Há prova de que ele recebeu dos serviços de inteligência do Qatar e do Egito informação de um iminente ataque do Hamas, com movimentação por meio de túneis, construídos sem o conhecimento dos dois serviços de inteligência de Israel.
Mais ainda, será destravado contra Netanyahu o processo criminal acusatório de corrupção, em coautoria com o filho que, há anos, não mora mais em Israel.
Pesquisa de intenção de voto
Pelas pesquisas, a coligação de apoio a Netanyahu conseguirá 51 cadeiras.
Tem um detalhe enfraquecedor: o Likud, partido de Netanyahu na coligação, só conseguiria 18. O Likud está fraco num estado nacional onde os religiosos aumentam e os progressistas estão minguando.
A coalizão de oposição, formada pelos partidos de centro e de esquerda, sempre à luz das pesquisas, obteria 55 cadeiras. Dessas, 23 seriam de parlamentares do partido Yashas. E o primeiro-ministro cotado é o seu líder, Gadi Eisenkot.
Opositor de Netanyahu
Gadi Eisenkot conta com a simpatia dos árabes residentes em Israel e da comunidade internacional.
Ele já foi chefe do estado-maior das forças israelenses. Deixou o governo de Netanyahu, depois de 8 meses de participação, por divergência inconciliável.
Goza de muito prestígio, pois perdeu o filho em combate na faixa palestina de Gaza, abatido pelo Hamas.
Ao contrário dos partidos de direita radical e de direita conservadora de apoio a Netanyahu, o opositor Eisenkot admite um estado palestino.
Pelo seu discurso, pretende frear o expansionismo em terras palestinas, as colônias judaicas na Cisjordânia.
Eisenkot é radicalmente contra a chamada limpeza étnica, com a transferência forçada dos palestinos das bíblicas Samaria e Judá (antigos reinos de Israel), objeto de desejo dos judeus ortodoxos e dos supremacistas.
Pelo planejado pelos ortodoxos e supremacistas, 90% dos palestinos de Gaza serão transferidos em sete anos, em lotes anuais.
Ele conta com o apoio do prestigiado general Yair Golan que, numa composição de uma grande coalisão, pela falta de maioria no parlamento pelas oposição e situação, poderá entrar no lugar de Eisenkot.
Direita dividida
O líder do partido direitista Beiteinu (Israel Nossa Casa), Avigdor Liberman, líder dos judeus que vieram da Rússia quando da criação do estado da estrela de David, tem peso. Seu partido poderá ser a agulha da balança da escolha. Ele é de direita e contra os árabes, mas apoia e quer Eisenkot como premiê.
Na direita radical, aliada de Netanyahu, está o partido Sionista Religioso. Seu líder é o ministro das finanças, Bezale Somotrich. Seu partido sonha em Israel conquistar a faixa geográfica de Gaza e a Cisjordânia. Pretende a tomada do Negev e da Galiléia, regiões de maioria palestina.
Na direita supremacista, sempre em coalizão com o Likud liderado por Netanyahu, está o partido Poder Hebraico, do racista Itamar Bem-Gvir.
Na origem, é o partido do assassino do então premier Yizak Rabin. Rabin foi assassinado em novembro de 1995 pelo estudante Yigal Amir que o considerava um traidor pelos acordos de Oslo e o processo de paz com os palestinos.
Bem Gvir quer a expulsão de todos os palestinos e a criação da Grande Israel.
Por evidente, a direita radical mantém apoio a Netanyahu em troca dele manter-se contra a sonhada criação de dois estados para dois povos (prevista na resolução 181, de 1947, da ONU). No particular, Netanyahu convenceu Donald Trump: já cogitou construir um balneário turístico em Gaza e expulsar os palestinos para a Jordânia, a deixar o rei com os cabelos em pé.
Projeções
Para os juristas e políticos, não será animador o resultado da eleição de hoje caso nenhuma coalizão conquiste a maioria parlamentar e possa se legitimar para a indicação de um primeiro-ministro.
Duas alternativas são apontadas: ou uma nova eleição no início de 2027 ou a formação de uma grande coalizão, capaz de afastar a extrema direita e a esquerda.
Netanyahu fala no prosseguimento da guerra com o Irã, pois os aiatolás querem riscar Israel do mapa, rearmar e reativar o Hezbollah libanês, reagrupar os combatentes vivos do Hamas, as milícias iraquianas e os resistentes sírios com a volta do poder aos alauítas (vertente do islamismo xiita). O atual premiê apresenta-se como o grande defensor de Israel e o único capaz de expandir o estado judeu.
A oposição aguarda que voltem para votar os jovens que deixaram o país para trabalhar, dado o preparo técnico, na área de tecnologia.
Num quadro geral, cresceu a população de ultraortodoxos, mas não o suficiente para conquista, com aliados, de maioria parlamentar e escolha de Netanyahu como premiê.
Opinião
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