Proibição de bets por Lula pode transferir R$ 25 bilhões a sites ilegais, diz consultoria
São Paulo A proibição de apostas online assinada pelo presidente Lula (PT) na última sexta-feira (25) deve transferir cerca de R$ 25 bilhões por ano do mercado regulado para sites ilegais. A estimativa é da consultoria britânica H2 Gambling Capital, especializada em dados do setor de jogos.
Segundo o relatório, as casas licenciadas faturavam o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões por ano em receita bruta de jogo —métrica que estabelece a diferença entre o total apostado e os prêmios pagos.
A consultoria calcula que cerca de 60% desse valor continuará sendo apostado, agora em sites sem autorização, sem tributação e sem mecanismos de proteção ao jogador.
A margem da estimativa vai de R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões migrando para a ilegalidade. Para a H2, o resultado depende de duas variáveis: a eficácia do bloqueio dos canais de pagamento para sites no exterior e o tempo que a proibição resistirá a contestações jurídicas e políticas.
Publicidade
A primeira variável é um dos pilares da MP assinada por Lula, que proíbe transferências via Pix ou TED para empresas cujo CNAE (código que identifica a atividade econômica da empresa) esteja ligado a apostas online.
A segunda está em aberto. Por ser uma medida provisória, a proibição vale por 120 dias e precisa ser aprovada pelo Congresso Nacional para virar lei e não perder validade.
Publicidade
As associações do setor já buscam apoio em frentes parlamentares ligadas ao centrão e, nesta segunda-feira (28), a ANJL (Associação Nacional de Jogos e Loterias) pediu ao STF (Supremo Tribunal Federal) a suspensão do texto que vetou o funcionamento das bets no país.
Desde 2024, o governo vendeu 85 autorizações a R$ 30 milhões cada, com validade de cinco anos. Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, não haverá devolução desse dinheiro às casas de apostas.
Apesar do cenário de incerteza, a H2 avalia que o mercado provavelmente será reaberto em algum momento de 2027, tanto para apostas esportivas quanto para cassino online.
A consultoria também avalia que o mais importante não é o tamanho atual do mercado clandestino, mas o quanto ele cresce. A H2 afirma que cerca de 30% das apostas já transitavam por sites sem licença antes da proibição.
Neste cenário, o mercado ilegal saltaria de R$ 17 bilhões para R$ 42 bilhões. Se for considerado o percentual de 41% em apostas nos sites ilegais, dado mais citado em estudos do mercado brasileiro e considerado superestimado pela H2, o salto seria de R$ 28 bilhões para R$ 53 bilhões.
Publicidade
Nos dois casos, o acréscimo é o mesmo: R$ 25 bilhões.
Carregando...
Os R$ 42 bilhões que o mercado pode atingir com o fim da regulação são próximos dos R$ 41 bilhões que passavam por operadores sem licença em 2024, período anterior à regulação imposta pelo governo Lula.
Naquele ano, a maioria do dinheiro ia para empresas com licença em outros países. Agora, com a proibição, a H2 avalia que essas empresas podem deixar o país e o fluxo do dinheiro com apostas iria para operadores que não conseguiram ou não quiseram cumprir as exigências de licenciamento.
A H2 se baseia em uma pesquisa feita com 2.451 apostadores brasileiros, feita em novembro de 2025. Mesmo após a regulamentação, 39% dos entrevistados ainda usavam sites sem licença, e esse grupo respondia por cerca de 60% do gasto declarado.
"Para esses jogadores, a proibição elimina apenas a opção licenciada; suas contas em plataformas offshore e rotas de pagamento já existem", afirma a H2.
Publicidade
A consultoria também compara o caso brasileiro com o da Holanda. Quando o país elevou impostos e impôs limites obrigatórios de depósitos no fim de 2024, cerca de metade da queda no mercado regulado reapareceu em sites estrangeiros.
Para a H2, existe uma relação direta com o caso brasileiro: os limites holandeses permitiram que parte dos jogadores apenas gastasse menos, enquanto a proibição total deixa só duas saídas.
"Um jogador que não pode apostar em território nacional ou migra para o exterior ou para de jogar, e aqueles que migram levam consigo seus gastos habituais."
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.