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Wednesday, October 28, 2026

Seca na amazônia força donos de navios a reduzir carga, e demanda aérea aumenta

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São Paulo O período de estiagem na amazônia, combinado neste ano ao El Niño, já começou a mostrar efeitos sobre o transporte de cargas. A Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários) registra trechos com restrição de navegação, e donos de navios têm de diminuir a carga de contêineres para seguir viagem.

Segundo o monitoramento feito pela consultoria Solve Shipping, navios de contêineres estão diminuindo a capacidade transportada quando chegam a Itacoatiara (AM), onde realizam o transbordo de parte da carga para balsas menores.

A transferência de carga ocorre por meio de um píer temporário instalado para atender armadores (donos de navio) nesta época do ano.

Navio cargueiro com múltiplos contêineres coloridos no convés, atracado a uma plataforma flutuante com guindastes amarelos. Dois rebocadores vermelhos e azul estão próximos, operando no mar calmo sob céu claro.
Operação em píer temporário do Grupo Chibatão, em Itacoatiara (AM) - Divulgação/Grupo Chibatão

Leandro Carelli, sócio da Solve Shipping, afirma que um navio de cabotagem chega à cidade amazonense com cerca de 1.400 contêineres de 40 pés, equivalente a 2.800 TEUs (cada TEU representa um contêiner de 20 pés, ou cerca de 6 metros).

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Por lá, a embarcação faz o transbordo de 300 contêineres e segue com menos carga —e mais leve, sem risco de encalhar.

É dessa forma que a navegação por trechos mais rasos devido à seca se torna viável. Ainda de acordo com a consultoria, o calado (distância entre a linha da água e o ponto mais baixo do casco) em Itacoatiara está em 10,2 metros, abaixo dos 11,5 metros registrados na região quando não há estiagem.

Apesar do cenário ruim, Carelli diz que a seca deste ano é menos severa em relação à estiagem registrada em 2023 e em 2024. "[Essas] Foram as piores dos últimos 100 anos", afirma.

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Carelli explica que a rota é utilizada por armadores para transportar grãos, como arroz, produtos de higiene e limpeza e produtos manufaturados produzidos na Zona Franca de Manaus, como televisões e motocicletas.

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Um dos píeres temporários instalados em Itacoatiara é do Grupo Chibatão e está em operação desde 18 de setembro. A expectativa é que a estrutura continue a ser utilizada até a primeira semana de dezembro, segundo o diretor-executivo do grupo, Jhony Fidelis.

O píer tem 277,5 metros de comprimento e 24 metros de largura e é capaz de fazer sete movimentos de guindaste por hora.

A empresa estima que terá um custo adicional de R$ 80 milhões com o uso da estrutura, o que inclui gastos com pessoal, alimentação, hospedagem, combustível e transporte.

De acordo com a Antaq, o rio Negro, principal afluente da margem esquerda do rio Amazonas, registrou baixa no nível da água nos últimos dias e caiu ao patamar de 16,97 metros, em medição feita em 21 de outubro.

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Apesar das restrições de navegação, o cenário é ainda melhor do que em 2023, quando, na mesma data, o rio registrava 12,90 metros de profundidade.

Obras de dragagem realizadas pelo Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) no trecho entre Itacoatiara e Manaus amenizaram os efeitos da seca e proporcionaram um ganho de 1,2 metro na profundidade, segundo a Antaq.

O órgão regulador afirma que intensificou o acompanhamento das condições operacionais na região amazônica, com vistorias técnicas em Itacoatiara, Tabatinga (AM) e Benjamin Constant (AM), além das travessias de Manaus-Careiro da Várzea e Igapó-Açu.

A Antaq diz também que já aprovou operações excepcionais para terminais temporários de Grupo Chibatão, Super Terminais e Ageo Novo Remanso. Segundo o órgão, a medida busca "assegurar alternativas para a movimentação de cargas durante o período de estiagem".

MUDANÇA NA OPERAÇÃO FORÇA PROCURA POR MODAL AÉREO

O aeroporto de Manaus diz ter registrado aumento de 6% na demanda para transporte de cargas em setembro na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo a gerente-geral de cargas da Vinci Airports para os aeroportos da Amazônia, Luciana Procoro. Em todo o ano de 2026, a alta foi de 2%.

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Procoro afirma que a concessionária tem feito adaptações para garantir o transporte de carga durante a estiagem, o que inclui uma solicitação à Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para que os cargueiros internacionais consigam realizar trechos nacionais.

"Os cargueiros internacionais não podem fazer pernas nacionais. Se sai de Miami e para aqui em Manaus, ele tem que retornar para Miami. E, com o advento da seca, a gente consegue, através de liberação da Anac, que esse mesmo avião consiga fazer trechos nacionais. Então, por exemplo, o cargueiro sai de Miami e pode ir para São Paulo e vir para Manaus", explica Procoro.

Ela afirma que, com as mudanças climáticas, os setores de transporte terão o desafio de integrar os modais e construir soluções logísticas que garantam efetivamente o abastecimento da indústria.

"Esses eventos climáticos extremos, como é o caso do El Niño, podem ampliar a necessidade de utilização do transporte aéreo, do modal aéreo, como alternativa logística, especialmente quando a gente fala aqui da Amazônia."

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