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Thursday, October 1, 2026

Fifa e CBF visitam o projeto Daminhas da Bola para traçar estratégias para o futebol feminino

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Em conjunto, as organizações vão desenvolver um documento com objetivos, indicadores e ações específicas para a modalidade.

— É muito difícil não revisitar a minha história e pensar que em algum momento eu fui uma menina como elas (do projeto Daminhas da Bola). Estamos em um outro momento e é muito legal chegar aqui e ver 80 meninas praticando, saber da fila de espera, ver as competições nacionais cada vez mais fortes. Tudo passa por oportunidade. Saber que posso contribuir para criar mecanismos para que isso chegue a todas as meninas, me deixa muito feliz — afirmou Aline Pellegrino, gerente de competições femininas da CBF e diretora de legado do Mundial na Fifa.

Executivos da Fifa e da Conmebol ao lado de Aline Pellegrino e Thaissan Passos, responsável pelos Daminhas da Bola — Foto: Isabela Reis / ge

O cronograma começou com dois dias de workshop para o corpo diretivo e técnico da CBF, ministrados pelos dirigentes da Fifa. Nesta quarta-feira, a programação contou com uma visita técnica ao centro de treinamento da equipe feminina do Fluminense, o CEFAN - Centro de Educação Física Almirante Adalberto Nunes.

De lá, a equipe da Fifa e da CBF seguiu para o escritório da Copa Feminina de 2027, em Botafogo, e fechou o dia no Daminhas da Bola. A quinta e a sexta-feira serão reservadas para reuniões na sede da CBF, na Barra da Tijuca, para coleta de dados e elaboração da estratégia em conjunto.

Os membros da Fifa que vieram ao Brasil para o programa são: Arijana Demirovic, head de desenvolvimento, Arbenita Morina, coordenadora de desenvolvimento, e os consultores especialistas Tomás Corrêa e Romina Fernández.

— Estamos em um processo longo, de um mês e meio mais ou menos. Tivemos entrevistas com federações regionais, com jogadoras, árbitras, dirigentes, todo mundo envolvido com futebol. Viemos aqui nos reunir com pessoas que trabalham na CBF em todos os seus departamentos. E hoje precisávamos vir ao gramado, ver qual a realidade do futebol profissional e do futebol de base, onde tudo começa. Para que possamos ajudar a desenvolver uma Copa melhor e o que vem depois, que é muito importante para nós — disse Tomás Corrêa.

Projeto social Daminhas da Bola atende 80 alunas de 6 a 17 anos, em Duque de Caxias — Foto: Isabela Reis / ge

Os eventos contaram com a participação de diretores e colaboradores da CBF, representando diferentes departamentos, como desenvolvimento e projetos, competições e seleções femininas. Também participaram da programação representantes da Conmebol e do escritório da Fifa para a Copa do Mundo 2027, além de Aline Pellegrino.

O Daminhas é um projeto fundado em 2015 pela treinadora Thaissan Passos que oferece educação esportiva e socioeducativa para meninas. Ele acontece em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense do Rio de Janeiro.

Atualmente, o projeto tem 80 meninas, dos seis aos 17 anos, mas conta com uma fila de 200 pessoas que buscam vagas. O Daminhas atua no campo de Vila Maria Helena, alugado pela associação de moradores da região, e sobrevive com apoio da campanha Para Quem Doar, uma parceria entre a Globo e a Benfeitoria, e a Lei de Incentivo ao Esporte.

— Eu não acredito em outro caminho que não seja a educação. Temos que nos preocupar muito em quem está a frente dos projetos do futebol feminino. É isso que queremos do daminhas, esse é meu objetivo de vida. A gente acredita no futebol que educa e que transforma — destacou a fundadora Thaissan.

Mais de duas mil pessoas já passaram pela formação do Daminhas da Bola, entre elas Tarciane (zagueira do Lyon), Luany (atacante do Atlético de Madrid) e Kaylane (meia do Flamengo). As três jogadoras também atuam na seleção brasileira.

Daminhas da Bola exibe camisas de jogadoras que passaram pelo projeto — Foto: Isabela Reis / ge

A responsável pelo projeto também foi beneficiada por um projeto da Fifa no início da carreira. Thaissan participou de um programa de treinadores da Fifa na Granja Comary, entre 2017 e 2018. Ela se tornou técnica e acumual passagens por Grêmio, Fluminense e na base do Corinthians.

Na mesma sala de aula que ela estavam Camila Orlando, técnica da seleção feminina sub-20, Tatiele Silveira, treinadora do Colo-colo, entre outros.

— É uma sensação de dever cumprido, a realização de um sonho. De poder contribuir com o futebol de mulheres assim como ele contribuiu na minha vida toda, na minha formação enquanto treinadora, atleta e mulher. E que bom que conseguimos essa contribuição, fazer com que a Fifa enxergue isso. Para que possamos expandir, não só com o Daminhas, mas com grandes projetos que vêm fazendo a diferença no futebol brasileiro — disse Thaissan.

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