‘Responsabilidade é inegociável’: por que uma advogada da Microsoft decidiu virar conselheira
Quando a turma 14 do ABP-W se formou em Cape Town, Alessandra Del Debbio não estava lá — um compromisso da Microsoft no México a impediu de embarcar. Mas, as colegas resolveram o problema à maneira delas: imprimiram uma foto dela e a posicionaram ao lado do grupo na cerimônia.
"De algum jeito eu tô lá na formatura. Me formei com ela de coração", diz Del Debbio.
A cena resume o que a executiva foi buscar no ABP-W, o Advanced Boardroom Program for Women da Saint Paul: uma rede. "Eu nem sei se eu gosto tanto da palavra networking. Acho que eu gosto da palavra conexão", diz.
Hoje VP Jurídica e de Assuntos Corporativos para a América Latina na Microsoft, Del Debbio soma quase 30 anos de carreira em direito corporativo, com passagens por Nokia e Promon, sempre em papéis de gestão jurídica em mais de um país. Formada há décadas, ela conta que passou por escritório de advocacia por pouco tempo.
"Não é muito a minha praia", diz sobre a experiência no Castro Barros e Sobral, há quase 30 anos. Preferiu o perfil generalista dentro de empresas: "Acabei trabalhando duas vezes na Promon, duas vezes na Nokia e duas vezes na Microsoft. Sou uma reincidente nos meus trabalhos", conta.
De advogada a candidata a conselheira
A busca pelo ABP-W nasceu de uma pergunta prática: que habilidades faltam a uma advogada que quer se tornar conselheira. "Eu queria ter um pouco desses hard skills mais aprofundados nessa área", diz.
A decisão veio depois de conversas com executivas da própria Microsoft que já haviam feito o curso.
O maior desafio, segundo ela, foi a lacuna financeira comum a quem vem do jurídico. O curso resolveu isso combinando conteúdo técnico com um formato de aprendizado que ela descreve como interconectado.
"Não dá para aprender a geografia, a história, a biologia de uma maneira estanque, como acontecia nas escolas", diz. "A finanças está conectada com o compliance, com a governança, com a ética", ela complementa.
Entre os módulos, um a marcou mais: o olhar sobre compliance que fugia do enquadramento estritamente legal. "Quando eu penso em compliance, eu não penso só no isso pode, isso não pode. Penso no risco de uma maneira mais ampla, penso na questão ética", diz.
É nesse ponto que ela resume sua própria forma de trabalhar: "Eu gosto de fazer as coisa com responsabilidade."
Dez anos de programa, olhar para frente
O ABP-W completa uma década em 2026. Del Debbio destaca o hábito da Saint Paul de buscar feedback de alunas para ajustar os cursos. "A gente está hoje nesse mundo muito mais horizontal, de colaboração, de inovação exponencial", diz.
"Meu convite é que a Saint Paul e a EXAME continuem olhando para como fazer isso da melhor maneira, ajustando, sendo flexível, rápido, criativo"Alessandra Del Debbio, Vice-Presidente Jurídica e de Assuntos Corporativos para América Latina na Microsoft
O programa, com carga horária de 300 horas e aulas mensais às sextas-feiras, é voltado a executivas C-level, diretoras e herdeiras que buscam atuar em conselhos de administração ou ter relação mais estratégica com o board de suas empresas.
A formação inclui módulos sobre governança corporativa, gestão de riscos, transformação digital e um módulo internacional opcional em parceria com escolas de negócios globais.
Para Del Debbio, o valor do programa não se mede só em conteúdo técnico.
"A gente compartilha experiências. Tem mulheres em diversas áreas, diferentes momentos da vida. Acho isso muito legal"Alessandra Del Debbio, Vice-Presidente Jurídica e de Assuntos Corporativos para América Latina na Microsoft
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.