Começa apuração nos EUA em disputa que ameaça maioria pró-Trump
As primeiras seções eleitorais foram fechadas na noite desta terça-feira (3) nos Estados Unidos. Milhões de americanos votaram nas midterms, as eleições de meio de mandato, que podem mudar o balanço de forças legislativas pelo resto do governo de Donald Trump.
Candidatos do Partido Democrata são favoritos nas pesquisas de intenção de voto para conquistar a Câmara dos Representantes, enquanto uma série de disputas acirradas pelo Senado deve determinar qual partido terá o controle da Casa.
As seções eleitorais começaram a fechar em Indiana e Kentucky às 18h (horário da costa leste dos EUA, 20h em Brasília). Outros seis estados encerraram a votação às 19h, enquanto a maioria permanece aberta por várias horas. O Alasca só finalizará a votação à 1h de quarta-feira (4).
O histórico joga contra os republicanos de Trump: o partido do presidente em exercício perdeu espaço no Congresso em todas as eleições de meio de mandato desde a Segunda Guerra Mundial, com exceção de duas ocasiões. A aprovação de Trump está próxima de seus piores índices, em meio à insatisfação dos eleitores com a guerra contra o Irã, a alta dos combustíveis e o aumento do custo de vida.
Não há dúvida de que a eleição gira em torno da popularidade (ou não) de Trump. Em declarações nesta terça-feira, aparentemente destinadas a conquistar eleitores insatisfeitos com o apoio americano a Israel, o presidente afirmou que pretende interromper o repasse anual de US$ 3,8 bilhões ao país. Não ficou claro como faria isso, já que uma lei de 2020 estabelece os valores do financiamento.
A estreita aliança entre os países é um dos principais temas da disputa em Michigan. O democrata Abdul El-Sayed, 42, que, se eleito, se tornará o primeiro senador muçulmano dos EUA, faz duras críticas a Israel.
Liderados por Trump, republicanos têm retratado El-Sayed e outros candidatos democratas como radicais, antiamericanos e até comunistas. Os candidatos rejeitam as acusações, que classificam como exageros típicos do presidente.
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Trump tentou mobilizar sua base com mais de duas dezenas de comícios desde o início de outubro, a maioria em estados que venceu com facilidade em 2024.
Pesquisas de opinião mostram que a principal preocupação dos eleitores é o custo de vida, tema em que a avaliação do presidente é negativa. As tarifas impostas por Trump sobre produtos importados, muitas posteriormente derrubadas pela Justiça, e a decisão de atacar o Irã, em fevereiro, contribuíram para elevar os preços ao consumidor.
Problemas em máquinas de leitura de cédulas de papel foram registrados em diferentes regiões do país, incluindo condados da Geórgia, Iowa, Mississippi e Nova York. As falhas atrasaram a votação e a apuração.
Falhas isoladas em equipamentos de votação não são incomuns nas eleições americanas. Especialistas eleitorais afirmam que sistemas de reserva e outras medidas de segurança fazem com que essas ocorrências raramente afetem os resultados.
Trump, que há anos afirma falsamente que as eleições americanas são fraudadas, poderá contestar os resultados se os republicanos forem derrotados.
O Departamento de Justiça dos EUA informou ter mobilizado mil fiscais e observadores eleitorais nos 50 estados, no que classificou como a maior operação de monitoramento de um dia de votação da história do país.
Democratas criticaram a iniciativa, afirmando que ela pode intimidar votantes. Uma análise da Reuters identificou que, em cerca de dois terços das jurisdições listadas pelo departamento, os eleitores haviam votado na democrata Kamala Harris contra Trump na eleição presidencial de 2024.
Todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes estão em disputa, assim como 35 das cem vagas do Senado, embora a maioria das corridas não seja considerada competitiva —ou seja, só há um candidato com condições de vitória. Os democratas precisam conquistar pelo menos três cadeiras na Câmara e quatro no Senado para obter maioria nas duas Casas.
Já no Senado a margem de erro dos democratas é pequena. O partido precisa defender todas as cadeiras que ocupa e conquistar pelo menos dois estados que votaram massivamente em Trump em 2024: Alasca, Iowa, Kansas, Nebraska, Ohio, Carolina do Sul e Texas.
No Texas, o democrata James Talarico, 37, voltou a alimentar as esperanças de seu partido de conquistar um estado tradicionalmente republicano, após décadas de derrotas. Seu adversário, o procurador-geral republicano Ken Paxton, 63, recebeu centenas de milhões de dólares em doações do empresário Elon Musk.
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