Frigorífico Barra Mansa amplia investimentos na indústria e confinamento
A indústria frigorífica Barra Mansa Alimentos, que tem forte atuação no noroeste paulista, está em um movimento de expansão dos negócios que combina investimentos na operação industrial e crescimento da atividade de pecuária própria. A estratégia ocorre após a companhia ampliar de forma significativa a participação das exportações no faturamento da operação e diante de um cenário de maior diversificação dos mercados consumidores de carne bovina.
Segundo o diretor da empresa, Guilherme Oranges, a companhia abateu cerca de 330 mil animais no último ano. Desse volume, aproximadamente 65% da produção foi destinada ao mercado externo, enquanto os outros 35% ficaram no mercado brasileiro. China e Estados Unidos concentram cerca de 80% das exportações da empresa, o que, segundo o executivo, representa uma oportunidade de escala, mas também expõe a companhia aos riscos associados às mudanças geopolíticas e às condições do comércio internacional.
Durante o Fórum Pecuária Datagro, a companhia destacou que também começou, há cerca de dois anos, uma operação própria de confinamento. A intenção é ampliar essa atividade a partir do próximo ano, depois da conclusão do processo de modernização da unidade de desossa. O investimento faz parte de uma estratégia de maior integração dos negócios, aproximando a produção pecuária da operação industrial.
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A expansão do confinamento ocorre em um momento em que a empresa também avalia mudanças na composição dos mercados atendidos. Antes do avanço das exportações para a China, a Barra Mansa destinava cerca de 80% da produção ao mercado interno e apenas 20% ao exterior. Com a maior remuneração proporcionada pelo mercado chinês, a companhia elevou a fatia exportada para 65% e reduziu a participação doméstica para 35%.
Agora, diante das novas condições do comércio internacional e da salvaguarda adotada pela China, a expectativa da companhia é caminhar novamente para uma divisão mais equilibrada, próxima de 50% da produção destinada ao mercado externo e 50% ao mercado brasileiro.
A mudança na estratégia comercial também reforça a importância dos investimentos em agregação de valor. A indústria brasileira vem ampliando a capacidade de desossa e desenvolvendo cortes e linhas diferenciadas para atender consumidores com maior poder aquisitivo. No caso da Barra Mansa, a modernização da desossa está diretamente relacionada ao plano de expansão do confinamento próprio.
O movimento também ocorre em um contexto de transformação da indústria brasileira de carne bovina, que passou a trabalhar com maior capacidade de processamento, cortes de maior valor agregado e diferentes linhas de produtos. No painel, Oranges destacou que a empresa avalia que a participação das exportações deve voltar a se aproximar da metade da produção, enquanto o mercado doméstico continua relevante para a estratégia comercial.
Além dos investimentos na indústria e no confinamento, a companhia vê oportunidades no mercado de carne bovina de maior valor agregado. A avaliação é de que a demanda por proteínas e a busca por produtos diferenciados podem abrir espaço para novas linhas e ampliar a rentabilidade da operação.
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