The Jerusalem PostEilat records first rain of year as authorities issue flash flooding warning in Dead Sea regionESPN DeportesCheco Pérez abandona la sprint de Singapur tras choquePunchSowore visits Ondo crash site, demands independent probeRTP DesportoDecisão da FPF. Cristiano Ronaldo com suspensão preventivaESPNHow Bob Chesney has completely turned around UCLAInquirerSandiganbayan grants Romualdez’s motion to sign pre-trial order at QC jailZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDF20 Minuten«In die Schweiz zu ziehen, fühlte sich an wie Heimkommen»SRF NewsIhre Anfragen im Faktencheck – 5 Technik-Fails – von der Panta Rhei bis zur HochrheinbrückeVanguardCORRIGENDUMNOSOpnieuw vijf Palestijnen in Gaza gedood door Israëlische aanvallenEgyptian StreetsNobel Peace Prize Goes to Former UN Rights Chief Navi Pillay
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, October 10, 2026

Depois de medir nosso corpo, a tecnologia quer programá-lo

Translate

ARTIGO: Contamos o que fazemos, medimos como nosso organismo reage, a inteligência artificial interpreta esses sinais e o sistema começa a agir sobre nós

Nike: três categorias com benefícios para diferentes atletas (Nike/Divulgação)
Nike: três categorias com benefícios para diferentes atletas (Nike/Divulgação)

Publicado em 10 de outubro de 2026 às 07:00.

RESUMO +

A tecnologia aplicada à saúde avança em 2026 do quantified self, baseado na medição corporal, para o programmable self, no qual a inteligência artificial interpreta dados e orienta ou executa intervenções. Sistemas como a plataforma de sono Eight Sleep já ajustam automaticamente a temperatura da cama, enquanto sensores e cozinhas automatizadas ampliam essa lógica para hormônios e nutrição.

Durante boa parte dos últimos 15 anos, a promessa da tecnologia aplicada à saúde foi relativamente simples: conhecer melhor o nosso corpo. Contamos passos, calorias e quilômetros. Depois começamos a acompanhar frequência cardíaca, sono, HRV, glicose, temperatura, oxigenação, estresse e recuperação. Transformamos o corpo em uma espécie de dashboard. Mas uma nova mudança está acontecendo agora, e ela é muito mais profunda. A tecnologia está deixando de apenas nos dizer o que está acontecendo conosco para começar a decidir o que fazer a respeito. Estamos passando da era do quantified self para algo que podemos chamar de programmable self.

O quantified self nasceu de uma ideia poderosa: aquilo que pode ser medido pode ser compreendido e, eventualmente, melhorado. Entre o final dos anos 2000 e a metade da década passada, essa lógica era dominada pelo tracking. Fitbit, Nike FuelBand e aplicativos de corrida transformaram passos, distância e calorias em métricas do cotidiano. A tecnologia olhava principalmente para aquilo que fazíamos.

A segunda fase foi muito mais sofisticada. O sensor saiu do bolso e se aproximou cada vez mais do corpo. Relógios, anéis, monitores contínuos e outros dispositivos passaram a medir nossa fisiologia. Não era mais apenas “quantos quilômetros você correu?”, mas “como seu organismo respondeu?”. Sono, HRV, frequência cardíaca de repouso, saturação, temperatura e glicose passaram a fazer parte do vocabulário de milhões de consumidores.

Foi uma mudança importante: saímos do track para o measure.

Agora estamos atravessando uma terceira etapa. Os dados se tornaram numerosos demais para que um ser humano consiga interpretá-los sozinho. A inteligência artificial começa a ocupar exatamente esse espaço. WHOOP, por exemplo, combina dados fisiológicos captados continuamente com contexto pessoal para gerar recomendações em tempo real sobre sono, recuperação e performance. O Oura Advisor usa IA para transformar tendências de sono, atividade e recuperação em orientações personalizadas.

Ou seja, depois de aprender a medir o corpo, a tecnologia começou a interpretá-lo.

Esse salto pode parecer apenas uma evolução natural dos wearables, mas suas implicações são muito maiores. Um estudo publicado em 2026 apresentou um modelo treinado com mais de 1 trilhão de minutos de sinais de sensores de cerca de 5 milhões de participantes, tentando construir uma inteligência capaz de extrair estados de saúde de dados fisiológicos contínuos. É uma escala que ajuda a entender para onde caminhamos: o wearable deixa de ser apenas um aparelho que produz gráficos e começa a funcionar como uma interface entre o corpo e sistemas capazes de reconhecer padrões que nós próprios dificilmente perceberíamos.

Mas a transformação realmente interessante acontece quando fechamos o ciclo.

Imagine quatro etapas: Track. Measure. Understand. Intervene.

Na primeira, contamos o que fazemos. Na segunda, medimos como nosso organismo reage. Na terceira, a inteligência artificial interpreta esses sinais. A quarta etapa é radicalmente diferente: o sistema começa a agir sobre nós.

Já existem exemplos concretos dessa transição. A Eight Sleep não apenas registra o sono. Seu sistema Autopilot analisa dados e ajusta automaticamente a temperatura da cama durante a noite, resfriando ou aquecendo o ambiente sem que o usuário precise tomar uma decisão. O ciclo está fechado: sensor, interpretação e intervenção acontecem dentro do mesmo sistema.

Na nutrição, algo semelhante começa a aparecer. A SUMMITS se associou à empresa de robótica Hyphen para desenvolver refeições produzidas a partir de dados provenientes de wearables, trackers nutricionais ou planos de nutricionistas. O software calcula a composição da refeição e a linha automatizada monta o prato de acordo com as metas daquela pessoa. O que antes terminava numa recomendação — “você deveria comer mais proteína” — começa a terminar numa ação: a própria cozinha prepara uma refeição diferente para você.

Até mesmo biomarcadores que durante décadas eram medidos em momentos isolados estão caminhando para uma lógica contínua. A Adaptyx Biosciences apresentou em 2026 dados de um sensor vestível capaz de acompanhar cortisol ao longo de vários dias e trabalha em tecnologias para medir continuamente diferentes moléculas e hormônios. Se a história da glicose se repetir em outras moléculas, teremos uma quantidade completamente nova de informação dinâmica sobre o funcionamento do organismo.

O que vem depois é quase inevitável: a tecnologia como aliada para aprimorarmos nossas experiências a partir das respostas do nosso corpo, minuto a minuto.

'Perguntas frequentes'

Qual é a diferença entre quantified self e programmable self? +

O quantified self usa dados para medir e compreender o corpo, enquanto o programmable self permite que sistemas interpretem essas informações e decidam como agir. A mudança leva a tecnologia do acompanhamento de métricas para intervenções personalizadas.

Como a inteligência artificial está mudando os wearables? +

A inteligência artificial transforma dados fisiológicos contínuos em recomendações personalizadas. A plataforma WHOOP oferece orientações sobre sono, recuperação e performance, enquanto o Oura Advisor interpreta tendências de sono, atividade e recuperação.

Quais são as quatro etapas da evolução da tecnologia aplicada à saúde? +

As quatro etapas são Track, Measure, Understand e Intervene. Elas representam, respectivamente, o registro de atividades, a medição das respostas do organismo, a interpretação dos sinais e a intervenção do sistema.

Como a Eight Sleep intervém no sono do usuário? +

A plataforma de sono Eight Sleep usa o sistema Autopilot para analisar dados e ajustar automaticamente a temperatura da cama durante a noite. O sistema resfria ou aquece o ambiente sem exigir uma decisão do usuário.

Como os wearables podem personalizar refeições? +

A SUMMITS e a empresa de robótica Hyphen desenvolvem refeições com base em dados de wearables, trackers nutricionais ou planos de nutricionistas. O software calcula a composição adequada, e uma linha automatizada monta o prato conforme as metas de cada pessoa.

Quais novos dados de saúde poderão ser monitorados continuamente? +

A empresa de biotecnologia Adaptyx Biosciences apresentou em 2026 dados de um sensor vestível capaz de acompanhar o cortisol durante vários dias. A companhia também trabalha em tecnologias para medir continuamente outras moléculas e hormônios.

Para quem decide. Por quem decide.

Saiba antes. Receba o Insight no seu email

Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Rodrigo Rocha, sócio da Athlete, venture builder focada em investimentos em negócios disruptivos em saúde, o executivo é investidor, conselheiro, empreendedor e palestrante

View the original on Exame →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.