Democratas ganham força e podem controlar o Senado

Vendo outro aliado em dificuldades (num estado em que venceu por uma margem confortável de 14 pontos nas presidenciais de 2024), Donald Trump tenta ‘virar o jogo’. Esta quarta-feira, o Presidente dos EUA anunciou que a Coreia do Sul vai investir 54 mil milhões de dólares (cerca de 47 mil milhões de euros) na construção de um gasoduto para transporte de Gás Natural Liquefeito no Alasca. Isto embora o projeto ainda não esteja totalmente assegurado, ressalva a Reuters. Nas próximas semanas, Trump planeia viajar até ao estado, para apoiar o senador republicano Dan Sullivan.
No entanto, as características de Peltola podem favorecer a candidata democrata. Filha de mãe yup’ik, povo indígena do Alasca, é vista como uma acérrima defensora dos interesses do povo do Alasca. Quer acabar com a pesca de arrasto de forma a proteger os pescadores locais, sendo o lema de campanha “Peixe, Família e Liberdade”. Defende ainda a exploração das reservas de petróleo do estado, de forma a baixar o preço da energia. Para mostrar que se quer distanciar da política de Washington, Peltola recusou o apoio da última candidata presidencial democrata, Kamala Harris. O estado do Alasca não elege um senador democrata desde 2009.
Também surpreendente é a vantagem do democrata Sherrod Brown noutro estado republicano, o Ohio. O ex-senador, que quer voltar a Washington, está três pontos à frente do incumbente (o senador republicano Jon Husted, que tenta ser reeleito) na sondagem do NYT. Quando questionados sobre quem representaria melhor o estado em questões como tarifas, custo de vida, assistência médica, centros de dados ou eficácia, os inquiridos colocam Sherrod Brown à frente em todos os pontos.
No Kansas, um dos estados mais ‘vermelhos do país’ (e que não elege um senador democrata desde 1932), a reeleição do senador Roger Marshall pode estar em risco. A sondagem do NYT aponta para um empate entre o médico ginecologista e obstetra e o candidato democrata, Adam Hamilton. A proximidade de Marshall a Trump é um fator negativo para o senador, com metade dos eleitores a referir temer que Marshall apoie demais o Presidente norte-americano.
Senador republicano do Kansas tem reeleição em risco. Estado não elege um democrata há 94 anos
Para além disso, o senador foi apanhado numa polémica em setembro, que se tornou um tema central da campanha, depois de uma investigação jornalística ter revelado que Marshall avançou com processos contra mais de 700 pacientes por dívidas em atraso, o que levou à prisão de pelo menos 81 deles. Noutros casos, o senador instruiu os advogados a pedir a penhora de salários de pacientes que não pagaram operações e outros procedimentos médicos, bem como partos. A maioria das mulheres que tinham acabado de ser mães morava no Condado de Barton, uma área rural do estado com taxas de pobreza e de pessoas sem seguro saúde acima da média. O caso é particularmente relevante, uma vez que o senador exaltava frequentemente o trabalho realizado enquanto médico como trunfo de campanha.
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Com a reeleição em risco, o Senate Leadership Fund, o principal grupo de apoio aos republicanos no Senado, decidiu intervir e esta sexta-feira anunciou um investimento superior a 8 milhões de dólares (7,1 milhões de euros) em anúncios para apoiar Roger Marshall.
No Iowa, outro estado do Midwest fortemente atingido pelas consequências da política económica de Trump, a congressista Ashley Hinson, candidata republicana, tem uma vantagem de apenas um ponto percentual sobre o congressista estadual democrata Josh Turek. Segundo uma outra sondagem neste estado, divulgada pela Fox, os independentes preferem Turek por uma margem de dois para um, o que pode decidir a eleição.
A balança parece estar definitivamente a inclinar-se para o Partido Democrata. No conjunto dos cinco estados, cerca de metade dos eleitores — 49% — dizem querer um candidato que possa contrabalançar o Presidente dos EUA, sendo que apenas 27% afirmam preferir candidatos que apoiem Trump, o que favorece os democratas. Por outro lado, os democratas levam claramente vantagem entre os eleitores independentes, que muitas vezes decidem as eleições. Nos cinco estados analisados, os democratas têm uma vantagem de 24 pontos percentuais nesse grupo. É também no Partido Democrata que os eleitores dos cinco estados analisados depositam mais confiança para lidar com o custo de vida, o tema que mais preocupa os norte-americanos.
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