Integrante dos Foo Fighters defende Macklemore após apoio à Palestina

O guitarrista do grupo se posicionou a favor da expressão política de músicos
Giovana Laurelli (@gii_laurelli)
Após críticas de internautas, artistas como P!NK e Boy George e do Conselho Israelense-Americano, Macklemore segue apoioando a libertação Palestina. Em meio aos ataques, o rapper estadunidense encontrou um aliado no meio do rock. Chris Shiflett, guitarrista dos Foo Fighters, não apenas se posicionou contra a ocupação da faixa de Gaza, mas deixou claro que músicos devem ter o direito de se posicionarem politicamente.
Maklemore realizou duas apresentações de abertura para Ed Sheeran no MetLife Stadium, em Nova Jersey, no último final de semana. Em ambas as ocasiões, o rapper utilizou o espaço para performar sua música pró-Palestina “Hind’s Hall”, utilizar uma keffiyeh (lenço quadriculado tradicional palestino) e expressar palavras de amor e soliedariedade ao povo palestino. Após as falas e manifestações do artista, foi lançada a petição que exige a retirada de Macklemore do restante da turnê.
Shiflett se envolveu por meio das redes sociais. Praticamente inativo em suas contas, o guitarrista utilizou o X para responder ataque de internautas ao rapper. Em uma das publicações, um usuário argumenta que a voz de “Thrift Shop” havia violado a etiqueta não escrita das turnês ao expressar suas crenças políticas. Em resposta, o músico escreveu: “Talvez falar contra o genocídio supere a etiqueta. A ironia de toda essa indignação performática é que a multidão parecia estar a favor da mensagem.”
maybe speaking out against genocide trumps etiquette. the irony of all this performative outrage is that the crowd sounded on board with the message. https://t.co/7sgtZguCJ0
— Chris Shiflett (@ChrisShiflett71) September 9, 2026
Quando outro usuário sugeriu que os frequentadores de shows poderiam simplesmente querer música em vez de discursos políticos, Shiflett rejeitou a exigência de que artistas não tenham posicionamentos sociais. “Eu ouço esse negócio de ‘cala a boca e toca’ o tempo todo e não concordo com isso”, escreveu ele (via Consequence Sound).
Um internauta também acusou os músicos de se concentrarem seletivamente em Gaza, ignorando as atrocidades em outros lugares, o integrante dos Foo Fighters rebateu, argumentando que as pessoas em seus círculos rotineiramente condenam a violência em todo o mundo, ao mesmo tempo que distinguem a crise na Palestina, dada a proximidade de Washington com as atrocidades cometidas por Israel. “O genocídio israelense em Gaza é um assunto com o qual nosso país tem uma relação particularmente próxima, então vocês devem esperar críticas”, observou.
Na primeira data no , Macklemore pediu liberdade para a Palestina, Cuba, Congo, Sudão e Irã, e classificou o Serviço de Imigração e Controle de Alfândegas dos EUA (ICE) como uma “organização terrorista”. “Quero que essas palavras sejam ouvidas em alto e bom som, para que as pessoas em Gaza e na Cisjordânia ocupada saibam que não nos esquecemos delas”, afirmou ao público durante o show. “Acredito que todo ser humano que caminha sobre esta Terra merece exatamente a mesma liberdade, conhecer a segurança e a paz antes de conhecer os sons da violência e ouvir o som das risadas no parquinho antes dos aviões e das bombas”, completou o rapper (via Monitor do Oriente Médio).
Na segunda performance, o artista voltou a entoar “Palestina Livre” e se dirigiu aos fãs judeus: “A todos os meus irmãos e irmãs judeus: criticar Israel, criticar o apartheid e ser contra o genocídio de forma alguma significa criticar vocês”, afirmou. “Minha mensagem é de paz, amor e de que todos os seres humanos sejam tratados com dignidade, respeito e igualdade.”
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Jornalista em formação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Giovana é apaixonada por música, filmes e a intersecção entre cultura e política. Já foi bailarina e canta em bandas de soul, rock e pop desde a pré-adolescência. Atuou como editora de Cultura e Entretenimento no Jornal Contraponto, veículo laboratorial impresso da PUC-SP. Na Rolling Stone, escreve sobre música, cinema e cultura pop.
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