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Tuesday, September 29, 2026

“‘Come from away’ é um musical sobre o 12 de setembro"

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E o feedback geral que nós temos recebido mais comum é: eu saio daqui cheio, eu saio daqui feliz, saio daqui de coração. Foi muito intenso, é muito bonito, mas eu saio daqui com esperança de que a humanidade realmente tem algo de bom para dar ao outro.

E Nuno, não é sempre o sorriso que consegues com aquela musical. Eu comovi-me imenso nalgumas partes, ri imenso noutras partes. Assinalámos há dias os 25 anos dos atentados do 11 de setembro. Na altura, o espaço aéreo dos Estados Unidos foi encerrado. O que aconteceu a todos os aviões que se destinavam ao país alvo dos ataques terroristas? Esta é a premissa de um musical diferente. Pouca gente sabe que nos dias seguintes aos atentados de 11 de setembro, 38 aviões e cerca de 7 mil passageiros foram desviados para Gander, uma pequena localidade da Terra Nova, no Canadá. O musical "Come From Away", em cena até domingo no Capitólio, conta o que aconteceu a seguir. Durante cinco dias, os moradores abriram as portas, ofereceram cama, comida e apoio a estranhos até que pudessem seguir viagem. Comigo tenho Nuno de Sá, cofundador, diretor artístico e maestro da Lisbon Film Orchestra, a única orquestra portuguesa dedicada a bandas sonoras de filmes, que traduziu e dirige este musical sobre estranhos que se tornam família. De roqueiro a maestro, vamos conhecer melhor este homem que construiu o seu percurso entre a música, o ensino, a direção artística e o empreendedorismo cultural, acreditando mesmo que a música, de facto, pode nos salvar. Olá, Nuno, e bem-hajas por teres aceitado este meu convite. Bem-vindo à Rádio Observador.

Muito obrigado pelo convite.

É um grande prazer. Obrigado, eu é que agradeço teres vindo. É bom estar a falar contigo. Tu que és um lisboeta criado em Odivelas. Aliás, como o teu sócio também, que fundou esta LFO, Lisbon Film Orchestra. É muito engraçado porque tu até aos 14 anos não tinhas assim um grande percurso na música, era talvez meio apagado. Até que há um primo teu que te dá um presente maravilhoso. Ou emprestou-te o presente.

Sim, é verdade. Eu até aos 14 anos andava meio adormecido para a vida. Ou seja, como criança, era uma criança que tinha poucos interesses, gostava de dormir, gostava de comer, gostava de ver televisão, mas nada me entusiasmava muito. Até que essa mudança radical na minha vida, que foi quando um primo meu me emprestou uma guitarra para eu poder simplesmente tocar.

Uma guitarra elétrica?

Uma guitarra acústica.

E foi uma epifania.

E foi a partir daí que passei de não querer fazer nada a estar sempre agarrado à guitarra, sempre a tocar, sempre à procura de coisas novas para aprender. E foi realmente uma mudança. Parece que houve aí um acordar para a música, um acordar para a vida, que foi realmente muito interessante.

Tudo mudou. Há o Nuno antes da guitarra e o Nuno depois.

Exatamente.

DG e PG.

Exatamente. Há uma criança antes da música e um jovem que de repente descobre que se calhar pode ter alguma capacidade. E é interessante pensar nisso, que eu como criança com 10 anos na disciplina de Educação Musical, eu era um aluno mediano, baixo. Não gostava daquilo, aquilo não me dizia absolutamente nada.

Era a flauta e aquelas coisas.

Exatamente. Aquilo não me interessava minimamente. Mas é engraçado. Há uma frase que eu gosto muito, que é: a laranjeira dá laranjas quando está preparada. E eu acho que naquele momento eu estava mais preparado do que antes.

Tu tens muito bom ouvido. Tocavas coisas de ouvido, tens ouvido perfeito, por exemplo.

Não, não tenho ouvido absoluto, não tenho esse dom. E às vezes isso pode ser difícil.

Pois, há pouco tempo vi um filme que foi um drama para o afinador de pianos, concretamente.

Exatamente, porque para tocar com outras pessoas, ou seja, quando aquilo não está realmente perfeito, aquilo faz muita confusão a quem tem o ouvido absoluto.

Mas tu tens bom ouvido. Tocavas.

Sim, tocava, tirava as coisas de ouvido. Tirar aquelas músicas, porque a minha paixão era o rock.

Tu começaste como roqueiro, engraçado. Os Metallica e este tipo de som. Mas chegaste a ter uma banda ou não? Banda de garagem.

Cheguei a ter uma banda de garagem. Apesar de neste momento não ter cabelo, era um rapaz de 18 anos com cabelo abaixo dos ombros.

Incrível.

Sim, que tinha os concertos, que pintava as unhas de preto para fazer os concertos mesmo à séria. Mas foi realmente uma época que houve um clique.

É muito engraçado esta coisa que tu falas do rock versus música erudita, porque como tu dizes, o rock era muito orgânico, era muito corporal, abrias a cabeça e saltavas.

Isso.

E a música erudita preenchia-te muito mais por dentro.

Sim.

Faz essa distinção, é curioso.

Eu começo aos 14 anos a estudar música. Tenho a oportunidade aos 15 de entrar no Conservatório de D. Dinis, que foi o conservatório em Odivelas, onde eu faço o meu percurso todo.

Licenciatura em guitarra.

Fiz o meu percurso todo até ao oitavo grau, que é o equivalente até ao ensino secundário. Torno-me professor mais tarde.

Acabaste por dar aulas depois de guitarra lá, voltaste à escola.

Exatamente. Durante 20 anos fui professor lá. Mas aos 15 anos, a oportunidade de ter uma formação musical. Enquanto antes a guitarra elétrica era uma formação apenas de tocar, tinha aquelas escolas mais pequenas do primeiro andar de um prédio que tem vários alunos.

Como eu tive, Eduardo Costa, tive guitarra. Exatamente, aos 18 era tão bom.

Exatamente. E portanto, a oportunidade de ir para o conservatório direcionou-me para um determinado tipo de ensino que despertou em mim alguma sensibilidade para um determinado tipo de sonoridade que o rock não dava. E através dessa formação, a partir do terceiro, quarto, quinto grau, houve uma experiência que eu tive de música de câmara, tocar com um pianista, que me abriu horizontes no que diz respeito à interpretação, no que diz respeito ao gostar da música erudita, dos compositores, dos pianistas, e de ver que a música era muito mais do que só o rock.

Nada vulgar do miúdo ter esse acesso e, sobretudo, ter essa sensibilidade. Tu percebes, não é?

Mas é engraçado, que tem a ver muito com as pessoas que nos rodeiam. E na altura nós tínhamos aulas com uma professora, que é a Elsa Cabral, que foi a pessoa que me abriu as portas para onde eu estou agora. Ou seja, não para criar uma orquestra, não para ser empreendedor, não para ter ideias, mas para descobrir que a música é algo que nos transcende e que nós podemos encontrar na linguagem musical algo de profundo e algo de íntimo e de algo que diz muito sobre nós e sobre os outros. E dar-nos essa hipótese aos 18 anos de me abrir para um caminho mais íntimo, foi algo que me ajudou bastante.

Olha, Nuno, que bonita esta homenagem que tu prestas à tua professora, e eu faço sempre questão. Às vezes há convidados meus que dizem: "Durante a minha carreira, este professor de Biologia ou de Português". E de facto é extraordinário tu poderes dizer isso, numa altura em que os professores são tão perseguidos, uma classe tão malquista e tão malvista hoje em dia. É muito bom saber que houve alguém que te influenciou e bem e abriu-te os caminhos. Eu lembro-me que aos 19 anos, por exemplo, esta história tua aos 19 anos, houve ali aquela hesitação entre a Matemática para o curso de Contabilidade ou a prova de Guitarra, e tu optaste pela prova de Guitarra.

Sim, é isso. Porque ao começar aos 14 anos, para os pais há uma preocupação. O que é que eu vou fazer? Eu aos 15 anos já sabia que eu queria fazer música para o resto da vida. Mas até chegar a um ensino superior, o curso do conservatório são oito anos. Teoricamente, o oitavo grau equivale ao 12º ano. Portanto, eu para poder ir para o ensino superior, preciso de um tipo de formação que poderá demorar oito anos a fazer até poder ir. E então eu: "Ok, vamos para Contabilidade. Contabilidade são dois anos. Tenho que decidir entre um exame de Matemática e um exame de Guitarra. Escolho Guitarra. Depois vou para Ciências Musicais".

O teu pai tremeu. Eu estou mesmo a ver o teu pai a tremer com essa escolha. Hoje diz, hoje admite.

É verdade, o meu pai admitisse.

"Filho, a vida de guitarrista e músico é sexo, drogas e rock and roll".

Exatamente.

Estou mesmo a vê-lo a dizer isso.

É exatamente isso, porque a preocupação dele e também a experiência dele, de um homem que nasceu em 1950, a experiência que eu tenho de músicos ir tocar à noite.

Esta vida boémia.

Exatamente. E, portanto, mal paga.

Incerta.

E há aqui escolhas que eu fiz na minha vida, que já me aconteceu duas, três vezes, que chego a um ponto e que eu não sei qual é o resultado, mas eu sei que tenho que dar aquele passo. Isso aconteceu-me a primeira vez aos 19 anos, quando eu desisto de Contabilidade e digo ao meu pai: "Não sei o que é que vai dar, mas sei que eu tenho que fazer isto e por alguma razão eu vou ter que fazer esta escolha". E eu acho que foi aqui que tomei essa decisão.

Decisão, exatamente. Nem sempre são fáceis, são às vezes decisões complicadas.

Não, e que só passado uns anos é que nós percebemos o impacto que elas têm.

Exatamente. Mas arriscaste.

E aí eu sinto que foi essa a escolha de eu tenho que fazer, que era mais forte do que eu.

Então em 2004 tiraste a primeira licenciatura em Guitarra. E ainda estavas a estudar isto, fizeste um Erasmus na República Checa, em Praga.

Isso.

E foi em Praga, outra epifania, que é extraordinário.

Exatamente.

Estas coisas vêm ter contigo a si mesmo, há uma altura na vida em que estás preparado para. E num salão, ouviste um concerto extraordinário.

Eu estava a fazer o Erasmus em Guitarra, portanto o meu objetivo era ser guitarrista.

E distraste-te a estar no Gulbenkian.

Eu fui, durante 10 anos, o guitarrista da Orquestra Gulbenkian e da Orquestra de São Carlos.

E o Quarteto de Guitarras de Lisboa.

Exatamente.

Sinfónica Portuguesa.

Exatamente. Portanto, eu fiz esse percurso todo.

Uma carreira de guitarra.

Isso. E quando estou a fazer o Erasmus, assisto a uma orquestra que toca bandas sonoras de filmes.

O Harry Potter, O Pirata sem Querer, Star Wars.

Exatamente. Num salão de século XIX, muito erudito e tudo muito formal. Mas aquilo tinha um impacto.

No público, os miúdos.

E para mim também foi a primeira vez de assistir àquelas bandas sonoras tocadas ao vivo. Eu levava aqueles aparelhos do MP3, os leitores de MP3 que havia nos 2000.

IPod.

Exatamente, essas coisas todas.

Ah, gravaste?

Não, eu tinha isso. Tinha a música lá com a banda sonora do Harry Potter. E ter a oportunidade, eu nunca tinha assistido a uma orquestra a tocar aquelas bandas sonoras. E eu penso: isto é realmente algo espetacular. E foi aí que nasce a ideia de vamos trazer isto para Portugal.

A força da música associada ao cinema.

Porque isto tem um impacto nas crianças, isto realmente é diferenciador. E eu aqui já tinha algum lado criativo de eventos e de coisas, porque eu já era professor no conservatório e já gostava de fazer. Criei a associação de estudantes do conservatório, criei o jornal da escola. Ou seja, eu já tinha algumas coisas de juntar as pessoas e de fazer eventos, concertos temáticos, etc. E então, para mim, aquilo na minha cabeça era tão fácil como uma ideia, tipo ok, vamos pôr a fazer e a coisa vai acontecer.

Este contacto foi com o Francisco Santiago, que era teu colega, não era?

Sim, o Francisco Santiago era-

Estava a estudar Produção Musical.

Estava a estudar Produção Musical.

Também é de Lourivelas.

Lourivelas, meu amigo de infância desde os 10 anos de idade.

Ele também é ótimo. Então o que é que precisas? Vamos a isso. O que é que eu preciso?

E ele pergunta-me: "O que é que tu precisas?" E então foi a partir daqui que nasce este projeto muito ingênuo de trazer as bandas sonoras para um concerto, porque era uma coisa que em 2007 não era comum. Houve aqui algum impacto positivo na

Incrível.

Também nas pessoas que assistiram, nos próprios músicos, que também não tinham a oportunidade de tocar este tipo de repertório, coisa que agora é muito comum, mas em 2007 não era.

Sim, claro. Era uma lance África. Claro. Mas mesmo com o teu percurso na guitarra, tiveste também umas experiências internacionais muito curiosas, por exemplo, na Escócia, onde tu foste, e depois com a Olga Prats também na orquestra de guitarras que levaste à Universidade de Graz, na Áustria. Estes contextos internacionais também te ajudaram a escolher esta área e a nunca largar a guitarra?

A orquestra é uma coisa que vem pela capacidade que eu fui percebendo que tinha de tirar o melhor do outro enquanto professor. De poder dar uma visão que por vezes a guitarra só não preenchia. E, portanto, o ter uma experiência como ir à Escócia, poder tocar um repertório de compositores portugueses ou ser solista numa cidade da Áustria, a convite da Olga Prats, que era minha professora. São experiências que nos marcam positivamente, mas que também nos dizem-

Responsabilizam.

Isso.

É?

Responsabilizam e dizem-nos também o que nós queremos para nós, como é que nós nos sentimos. E eu sempre fui uma pessoa que, talvez por personalidade, gosto pouco de repetir coisas.

As experiências novas é o que tu procuras.

Eu procuro muito a questão de querer sentir aquele entusiasmo. A coisa que eu mais gosto na vida é ter uma ideia e ver materializada.

Exatamente. Concretizar.

Exatamente. Isso pra mim é algo que me deixa muito entusiasta. E a questão da guitarra, sentia que me faltava qualquer coisa. E o ser maestro dá-me a oportunidade de me relacionar com o outro, de tirar o melhor do outro com a direção musical, porque direção musical é dar uma direção, não é dirigir.

Estava a pensar nisso. Em 2004, aliás, ainda antes dessa licenciatura em direção à orquestra, já tinhas tido uma experiência como maestro, já tinhas juntado uma pequena orquestra na escola com os colegas mais novos, e percebeste: "Eu gosto disso, eu tenho jeito pra isso".

Isso, eu sentia que havia coisas que eu tinha a capacidade de agarrar em alunos que se calhar eram menos talentosos e de conseguir tornar o grupo em algo forte.

Mais importante que a soma das partes, não é?

Isso, exatamente.

Mas o que faz o maestro mesmo? Prepara as partituras? É porque eles têm que saber a música que vão tocar, todos os músicos, não é? O que eles têm que olhar pra música e olhar pra ti de vez em quando?

O maestro é o elemento unificador, é o elemento que marca o tempo, é o elemento que dá uma direção. É óbvio que os músicos conseguem tocar uma coisa a tempo, se nós dissermos o tempo é um, dois, três, quatro, eles começam a tocar e vão do início até ao fim. É o que acontece em música de câmara, quando são menos músicos. O maestro, quando tem um grupamento maior-

Tem os seus 57 ou 58.

Quando tem 50 e tal ou 80 músicos à frente, como está toda gente a tocar, olhar pra sua partitura.

Concentrada.

Por vezes, por uma questão acústica, por vezes porque há um distanciamento entre músicos, não é possível tocar tão junto. E daí ter alguém ao centro que consiga visualmente dar o-

Ter a visão do total do jogo, digamos assim.

Isso, e eles todos olharem pra um ponto comum, porque o violinista que está aqui não consegue olhar pro músico que está nas costas.

Exatamente. Pro haut-boy que está no segundo.

Exatamente.

Mas, portanto, a nona sinfonia de Beethoven, contigo como maestro ou com o Martim Sousa Tavares como maestro, soam diferentes?

Sim, têm que soar diferentes.

Incrível.

Têm que soar diferentes. E é importante que soem diferentes.

Ou com o Bernstein.

É completamente diferente. Porque isto tem muito a ver com um líder, seja um maestro ou um líder de uma empresa, dá um caminho.

Claro.

E a presença dessa pessoa tem um impacto nos outros. Isto sente-se muito quando uma orquestra recebe um maestro que não conhece, que não é muito respeitado ou que sabem que ele não é muito bom, a orquestra toca de uma determinada maneira. Se de repente vem alguém que é o suprassumo, eles até se endireitam na cadeira e até tocam com muito mais-- isto é muito humano. Não quer dizer que eles não sejam profissionais, mas que tenha um impacto com a presença. Nós não precisamos de ser de uma orquestra pra perceber quando alguém entra numa sala, nós percebemos se aquela pessoa é dona do espaço, se é dona do ambiente ou se está ali a pedir desculpa por existir.

Quando subiste ao palco pela primeira vez como maestro, tinhas três meses de formação.

Sim, isso foi muito ingênuo.

Um concerto que esgotou 880 pessoas.

Isso, foi o primeiro ano.

E depois percebeste com os blogs e os feedbacks que, é engraçado isso, eu adoro isto, muita gente nem se apercebeu que aquilo era uma orquestra daquelas grandes.

Isso. Foi muito interessante esse caminho de perceber o impacto quando uma orquestra está a tocar pra um público que não é um público que seja habituado. É muito interessante percebermos o impacto que tem, porque as pessoas veem as séries, veem os filmes e estão muito habituadas àquela sonoridade, mas eles não fazem ideia se aquilo é feito por 10 músicos, por exemplo, nem sequer sabem se aquilo é digital. E verem aquilo a ser feito ali, a ser construído ao vivo, tem um impacto brutal nas pessoas.

Muito bem, Nuno Sá, nós estamos a fazer aqui um brevíssimo intervalo e já voltamos à conversa. Até já. Estamos a conversar com Nuno de Sailha, maestro, cofundador e diretor artístico da Lisbon Film Orchestra, que traduziu e dirige o musical Come From Away, em palco até domingo no Teatro Capitólio, no Parque Mayer, sobre a população de uma pequena localidade canadiana de Gander, na Terra Nova, que acolheu de improviso, durante quase uma semana, milhares de passageiros que foram desviados dos seus destinos nos Estados Unidos, na sequência dos ataques terroristas de 11 de setembro. Já vamos ao musical concreto que estamos aqui a falar hoje. Para já, sobre essa tua carreira que eu gosto muito do que tu tens feito, esta tua internacionalização. Também foste professor do curso de mestrado no Piaget, és formador de professores certificado. Tinhas esta direção de orquestra na Academia Nacional Superior de Orquestra da Metropolitana, em Lisboa. Outra alternativa era o mestrado em guitarra, que podias ter tirado em Espanha, mas optaste por isto. Registe a Orquestra do Algarve, a Orquestra do Teatro da Mala Posta e esta Lisbon Film Orchestra que fundaste. Entretanto, fizeram também uma academia. A tua missão é, no fundo, Nuno, do que eu percebi, é o que tu tens feito e hoje vamos falar disso também, transformar a música em experiências para a família, para a pessoa, para cada um, para ti próprio. Daí, se calhar, esta questão do teatro musical que vocês há uns tempos começaram a fazer. Este também é o terceiro que vocês fazem.

O teatro musical vem de-

É um passo à frente do que só o concerto, o filme concerto.

Isso. Mas é o poder proporcionar às pessoas outro tipo de experiências, conforme estavas a dizer. Agora, vem daqui de um lado também meu de querer aprofundar um processo. Ser maestro é estar ali à frente de vários músicos durante três, quatro dias de ensaios. Nós preparamos os concertos e fazemos os concertos. O teatro musical tem uma profundidade de preparação. Precisamos de estar um mês e meio a ensaiar, precisamos de estar um mês em cena. Isto permite dar-me enquanto líder, mas também pessoalmente como pessoa, durante mais tempo. Eu sou uma pessoa naturalmente reservada, sou uma pessoa naturalmente que tenho alguma dificuldade, apesar de ter que enfrentar 8 mil pessoas no MEO Arena, eu sou uma pessoa naturalmente introvertida. E então nem sempre me dou numa quantidade significativa num projeto como estar quatro dias a ensaiar com uma orquestra. O teatro musical permite aprofundar o lado de música, permite aprofundar o lado de interpretação e de encontrar aquelas camadas todas que o instrumento e a música permitem quando nós estamos num processo íntimo, de encontrar um objetivo para aquela nota, encontrar um objetivo para aquele acorde, para aquela frase. E o teatro musical, como tem um processo maior, permite-me chegar ao pé dos atores, ao pé dos músicos e conseguir tirar e conseguirmos mais tempo de relação. E isso acaba por ser uma das grandes motivações que eu tenho em fazer teatro musical. E depois, a questão de como eu sou um observador.

Sim, está no sítio certo para dizer isso.

Um observador desse tipo de espetáculo e o impacto que teve quando eu começo a assistir a estes espetáculos em 2016, quando tenho a oportunidade de ir a Nova York, quando tenho a oportunidade de ir a Londres e assistir a estes espetáculos, eu percebo que falta-nos um longo caminho para chegar a este espetáculo em Portugal.

É outra experiência, como tu dizes.

Isso. E apesar do teatro sério, como se costuma dizer, que temos muita qualidade, o teatro musical, aquele que se faz lá fora, com um investimento 20 vezes superior ao nosso.

Mas todos têm espaço.

Mas tem toda uma estrutura e uma criatividade que coloca no espectador uma sensação de um preenchimento que a música eleva a experiência teatral.

Tens toda a razão. Mais ao vivo e tudo, como é o caso. Oito músicos.

Exatamente.

Ao vivo, a tocar ali, tudo pode acontecer.

Exatamente. A palavra tem um peso, mas depois a música eleva. O Gustav Mahler dizia: "Eu escrevo música porque não consigo expressar por palavras as coisas que eu sinto". E portanto, a música traz-nos isso. E o teatro musical e as histórias, eu gosto muito de teatro musical contemporâneo. Se me perguntarem se eu sou fã do teatro musical no todo, não é o gênero que eu mais gosto, aqueles gêneros clássicos não é uma coisa que me preencha, tipo me falarem em Mary Poppins, não é algo que me diga nada, mas o teatro contemporâneo e claro, os clássicos, o West Side Story, os Miseráveis, são repertórios que eu gosto muito, mas o teatro contemporâneo, que fala de assuntos hoje em dia super importantes, que já não é entretenimento. Nós já estamos a falar de coisas que são necessárias serem faladas para nós refletirmos.

Exatamente. Este, por exemplo, não pode ser mais atual. O acolher o outro, tudo isto que o cliente vive.

E então são peças que eu quero trazer, porque, como é óbvio, faço uma direção artística, tenho prazer em fazer, mas porque eu também penso: "Bolas, eu tenho a oportunidade, felizmente, já ter ido à Broadway e West End para assistir". Acho que Portugal deveria também ter a oportunidade de assistir a este tipo de espetáculos, que na sua base já são maravilhosos.

A LFO faz team buildings. Continuam a fazer isto? Vão às empresas, constroem coros com os colaboradores da empresa, fazem bilhetes para as equipes, experiências para as famílias, continuam a fazer estas coisas? Mais sobre o site que está lá.

Exatamente. Nós acreditamos que a cultura pode ser um benefício para os empregadores.

Sim, um elemento agregador.

Isso. Nós tivemos uma experiência agora nos 50 anos da EDP, em que conseguimos criar um coro com os funcionários, e foi uma coisa muito interessante, porque acaba por ser uma experiência libertadora. O nosso primeiro instrumento é a voz e é aquilo que é o mais natural. E nós fomos criados, é um pouco da educação de que quem canta bem, principalmente os homens, quando os homens cantam, que não é propriamente macho o suficiente.

Às vezes não é bem visto. Exatamente. Como é que é possível?

É só o nosso elemento diferenciador, é a nossa voz que traduz a alma e é muito interessante.

Que nos comunica.

Exatamente. E é muito interessante ouvir essa voz. E quando nós estamos várias pessoas a cantar e quando é ao mesmo tempo, é muito interessante nós percebermos como as pessoas se transformam, a fisicalidade das pessoas, porque estão ao lado dos colegas e despendem-se.

Se calhar descobriram na EDP alguns talentos.

Certeza. E portanto, nós conseguimos levar isso para as empresas, é uma maneira de as pessoas se descobrirem

E com um espírito de corpo. Também és uma pessoa espiritual, a questão da música também curar. Mestre Reiki, é uma coisa que também fazes. Espiritualidade, cultura, desenvolvimento pessoal, também gosto muito de ler sobre isso. Muito bem, vai fazer 20 anos para o ano, a Lisbon Film Orchestra, cocriada com o Francisco Santiago. Começou ali no Cinema São Jorge, depois passou para a Aula Magna, depois passou para o Tivoli, por aí fora, e já tens ido ao MEO Arena, só a maior sala. A única orquestra portuguesa ainda dedicada a bandas sonoras. Tens esta visão clara de levar ao palco a emoção da música sinfónica através das grandes narrativas que marcam o imaginário coletivo, porque de facto as pessoas estão a ver uma orquestra a tocar estas músicas e muitas vezes têm essas músicas todas na cabeça, desde o "Regresso ao Futuro", ao "E.T.", John Williams, que é uma grande referência para ti, e não sabiam que isto era uma orquestra a tocar. Nunca sequer tinham ouvido, até ir aos teus concertos, uma orquestra a tocar ao vivo. E depois veem: "Eu conheço isto tudo, isto diz-me, ressoa em mim". É muito curioso. É uma descoberta?

É percebermos que os concertos da LFO. É óbvio que a LFO dá-lhe outra camada nestes concertos, que se calhar no início não dava, mas agora nesta fase em que já vamos para as arenas e já temos um led ball, e temos fogo, e temos confetes, e temos luzes. Tem essas coisas todas que dão uma camada diferente, as imagens dos filmes, etc. Isto dá uma camada completamente diferente do que só meramente uma orquestra de banda sonora. Mas há uma coisa de base que é a emoção que desperta no outro quando estamos a ouvir aquele tipo de repertório. Aquele repertório já é feito para criar uma emoção à cena do filme que nós estamos a ver. Portanto, logo aí já é feita para exacerbar determinadas coisas que o realizador quer. Então, se a partir desse momento nós já estamos a ouvir uma música que foi criada para isto, nós vamos despertar no público a emoção da memória de quando viu o filme.

Assusta-se com o Jaws.

Exatamente.

Ficaste 50 anos e tu fizeste isso.

Exatamente. Isto é importante nós percebermos que estamos a mexer na memória das pessoas, nas emoções das pessoas, porque as pessoas sabem onde é que aquela música entrou, eles sabem o que aquele filme lhes fez sentir, porque o cinema não deixa de ser a representação das nossas histórias, da representação da nossa vida. E daí o nosso último concerto, e o próximo também, no Porto, que se chama Our Stories, são as nossas histórias, o nosso passado.

As nossas bandas sonoras.

As bandas sonoras da nossa vida.

Tu já vais até ao golden, já estás na K-pop. Mas traz também o Amadeus e traz o Bodyguard, e o Regresso ao Futuro, Moulin Rouge, que eu adorei. Tantos, como fizeste a homenagem à Kimmerador, do Charlie Chaplin, quando fez 100 anos. Como tiveste o Sweeney Todd, aliás, que vai voltar agora, esteve no Capitólio um mês e agora vai voltar. É uma das suas próximas que vai acontecer agora, se não me engano.

Em abril do próximo ano.

Próximo ano, de 2027. Muito bem, como é que tu descobriste esta Come From Away? Tinhas visto na Broadway, foi?

Sim, eu vi em 2019.

Ela só foi em 2017 na Broadway. Foi inaugurada em 2015, depois na Broadway chegou em 2017.

Exatamente. Eu e minha mulher quando vamos ver esses espetáculos ou Broadway, ou Londres, o nosso objetivo é ver tarde e noite, tarde e noite, tarde.

Dois por dia?

Dois por dia, sempre que é possível, nós vamos. E é uma semana em que estamos a ver sete, oito espetáculos.

A tirar ideias.

A tirar ideias, a entusiasmarmo-nos com as coisas. E tem sido esse percurso desde 2019, de trazer isso, de crescer, para estarmos preparados para trazer esse tipo de espetáculo.

Continuem aí, por favor.

Eu vi este espetáculo sem saber o que eu estava a ver. "Olha, temos aqui uma tarde livre, não há nenhum espetáculo". E estávamos a passar e vimos, e os únicos bilhetes que eles tinham eram standing tickets, que são bilhetes de pé, de podermos ver o espetáculo de pé. E nós comprámos aqueles bilhetes para o espetáculo que ia acontecer passado uma hora. E nós não fazíamos a mínima ideia do que iríamos ver. E foi realmente uma experiência muito bonita, pela simplicidade. E depois une-se as coisas que é: nós enquanto organização, volto a repetir, não porque seja importante, mas não subsidiada, nós temos que fazer uma gestão financeira e de decisões com base nas coisas que nós podemos.

Exatamente.

E então uma coisa é chegar e dizer assim: "Vou fazer um West Side Story", ou outra coisa é fazer: como é que eu faço um musical que tem pouco cenário, que só tem cadeiras.

Que tem poucos adereços, pouco cenário, não tem efeitos especiais.

Não tem efeitos especiais.

Umas cadeiras, umas malas, acabou.

Ok, então nós ficamos assim: olha, por que não? E este fica lá na lista de quando isto for possível, isto poderia ser muito interessante de fazer. E então foi juntar isso com os 25 anos do 11 de setembro. Então como é que nós vamos conseguir juntar os 25 anos do 11 de setembro com o trazer do espetáculo.

Com este outro lado que ninguém sabia, ninguém fazia ideia. De facto, o espaço aéreo fechado, as pessoas tiveram que ir aterrar em qualquer lado. Foram para aquela aldeola na Terra Nova, onde de repente, de nove mil cidadãos, que de repente recebem 7 mil pessoas, que têm que dar comida, as escolas são transformadas em hotéis, têm que dar comida, têm que dar cama, têm que dar carinho, têm que dar apoio Tudo o que isto interessa e tu disseste. Eu gostei tanto desta ideia de honestidade, uma coisa simples, que não é complicada de fazer, mas que é muito profunda. E as pessoas, de fato, é novidade. As pessoas não faziam ideia que isto existia. Depois estão 12 pessoas em palco, 12 atores, oito na orquestra.

Nós, enquanto Lisbon Film Orchestra, gostamos de contar histórias que nos ajudem também a despertar no outro sensações boas. É muito interessante estar no palco e para quem já viu o espetáculo, os músicos estão em palco e eu estou lá em palco e eu conseguir olhar para as pessoas com um sorriso na cara durante o espetáculo. E o feedback geral que nós temos recebido mais comum é: eu saio daqui cheio, eu saio daqui feliz, saio daqui de coração. Foi muito intenso, é muito bonito, mas eu saio daqui com esperança de que a humanidade realmente tem algo de bom para dar ao outro.

E Nuno, não é sempre um sorriso que consegues com aquela musical. Eu comovi-me imenso nalgumas partes, ri imenso noutras partes. É um esforço titânico, porque eu vejo que aqueles 12 atores fazem dezenas de papéis, trocam aquilo tudo, o que é extraordinário, com coisas simples, põem um casaco de piloto, já é a comandante. É muito curioso, uma construção de personagens muito bem feita. Atenção aqui o destaque também para o Pedro Pernas, que faz uma encenação extraordinária, a própria Laura Pova na coreografia, movimentação, a Paula Rocha na cenografia, nos figurinos. Aquilo tudo funciona muito bem, mas é importante dizer que não é um musical sobre o 11 de setembro, é um musical sobre as pessoas.

Isso, há quem diga que é o musical sobre o 12 de setembro.

Que giro.

Sobre o dia seguinte, porque eles tiveram 26 horas dentro de um avião. Exatamente. Portanto, só daí é que começa a história, em que nós nunca nos questionamos. Nós vimos o avião bater nas torres e ficamos aí nesse lado terrorista. E realmente é uma pergunta: o que é que acontece aos outros todos aviões que estão para ir para lá? Para onde é que eles foram? E é muito interessante perceber isto. Nós, para este musical, tivemos o apoio da embaixada do Canadá, que nos contavam que isto foi um dos maiores eventos diplomáticos que já aconteceram, porque 38 aviões, 7 mil pessoas terem que entrar numa cidade, tem que haver muita relação entre as várias embaixadas para se poderem comunicar umas com as outras.

Ilan Sankov e David Hein, as mensagens dos dois canadianos que escreveram isto, com entrevistas aos próprios participantes. É muito giro, não sabíamos, vi uma entrevista vossa, não sei se foi com o Paulo ou alguém que dizia, que 10 anos depois eles voltaram lá.

E a própria história fala sobre isso.

Aos que os acolheram à aldeia.

Exatamente, que são 10 anos.

Ficaram família.

Exatamente, porque é algo emblemático. E foi interessante que nós tivemos uma senhora americana que foi assistir a este espetáculo, que está casada com um português, que o irmão foi uma das pessoas que esteve em Gander e que nos esteve a contar daquilo que aconteceu aqui na história. Realmente, que foram muito bem tratados e que realmente foi uma experiência acolhedora. Nós às vezes falamos isto com os atores, que a experiência com a pandemia, que há uma parte em que, de repente, nós batíamos palmas aos médicos e aos enfermeiros que estavam a cuidar. Nós ajudávamo-nos uns aos outros, porque é nestes momentos que desperta esse lado bonito. Eu acredito que, por vezes, quando nós não conseguimos, tem a ver com um sentimento de sobrevivência que hoje em dia nós precisamos quase nos proteger do mundo exterior.

Pensei muito em ti também na questão da tradução. Não é fácil traduzir uma coisa destas toda em português. Mas não procurar só o sentido nas letras das músicas, também procurar a musicalidade das palavras. Não é nada fácil fazer este teu trabalho. A direção musical que está a teu cargo, mas esta parte da tradução, pensei: isto não é nada fácil. Isto me parece que foi feito para português. E é muito curioso.

Esse é o objetivo, é que soe a português, é que soe o que foi escrito para a nossa língua. Eu acho que tenho uma vantagem, que é como eu tenho a minha partitura à frente e eu saber música, ajuda-me a saber exatamente onde é que a palavra tem que soar. Eu tenho que saber exatamente. Para mim é um puzzle. Para mim é um puzzle que eu me divirto muito a fazer, mas que dá muito trabalho.

Comparado com outras versões do Come From Away, é muito diferente a tua?

Em termos de adaptação? Não. Eu nestas coisas gosto muito e é por isso que dá muito trabalho.

Tu tens no teu elenco quem diga: "Não, é muito melhor que os outros, nós damos uma qualidade e um significado muito melhor e superior." Eu pensei: mas tu viste mais alguns.

Não, eu sinto que é muito fácil quando nós estamos a fazer uma adaptação, romantizarmos um bocadinho as palavras, mudarmos um bocadinho a frase para poder ficar em português. E eu tento, quando faço as adaptações para português, escolher as palavras que sejam como do original. Ou seja, no sentido, se ele diz: "Esta garrafa eu vou usá-la", eu vou falar da garrafa e de ele usar a garrafa. Eu não vou usar que usou uma água ou que bebeu. Ou seja, vou tentar fazer. Isso às vezes restringe muito as hipóteses. E é daí o puzzle, que é: como é que eu vou dizer uma frase que tenha uma garrafa, como é que eu vou fazer isto? E isso eu julgo que é uma vantagem, porque eu estou a ser o mais fiel.

Porque tens a partitura à frente e estás a lê-la, também.

Àquilo que o autor quer. E isso eu acho muito positivo.

Muito bem, porque é uma peça sobre a desconfiança e também o seu contrário. Era engraçado tu falares nisso, porque há os passageiros muçulmanos que saem do avião e que são olhados de lado. Todos esses sentimentos, é um mundo de sentimentos. O nosso tempo já acabou, eu já estava a prever isto. Gostas muito também de ter sido no Capitólio, porque é um espaço que te faz lembrar um hangar de aviões, é engraçado com aquelas janelas grandes. E tu vais vendo o feedback das pessoas. De facto, é uma mensagem muito atual, com união, com empatia, com solidariedade. Esta mensagem final que tu deixas sempre, que é a certeza de que mesmo nos dias mais difíceis, há sempre espaço para a bondade. Isto é um valor que está a desaparecer muito, mas que, infelizmente, ainda existe. O melhor do ser humano ainda vai dando a costa. Muito bem, Nuno Sá, quero agradecer muito a tua presença. Quero, sobretudo, lembrar aqui quem nos ouve, que até domingo, dia 4 de outubro, pode ir ao Capitólio, no Parque Mayer, ver este Come From Away, quinta, sexta e sábado às 21:00, no sábado e domingo às 16:00 também. Sexta e domingo, já agora, fica a saber que os espetáculos são com áudio e audiodescrição. Nuno, ficamos à espera do Sweeney Todd para voltares e para nos contares mais da maravilhosa LFO e das suas histórias todas.

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