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Wednesday, October 28, 2026

A arquitetura de 2026 acompanha novas formas de viver a casa

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Para entender quais dessas mudanças realmente chegaram às residências, a Vilarejo convidou profissionais parceiros para compartilhar o que têm observado na relação com clientes e projetos ao longo do ano.

A arquiteta, designer e paisagista Ana Bordallo, parceira da Vilarejo, analisa as escolhas que ganharam força nos projetos residenciais em 2026 e o que elas revelam sobre as novas prioridades dentro de casa — Foto: Acervo Vilarejo

O que ganhou força na arquitetura em 2026

Para Ana Bordallo, arquiteta, designer e paisagista, bem-estar e pertencimento passaram a ocupar uma posição ainda mais importante nas decisões de projeto.

“Os projetos passaram a valorizar mais o bem-estar, o aconchego e a sensação de pertencimento. Formas mais suaves, texturas naturais, iluminação pensada para criar diferentes atmosferas e a presença da biofilia ganharam espaço. Também percebemos uma mudança nas cores, com menos cinzas e pretos predominantes e maior presença de neutros, verdes, ocres e tonalidades ligadas à natureza”, disse Ana Bordallo.

O que os clientes passaram a priorizar dentro de casa

Essa mudança também aparece na busca por ambientes que tenham maior relação com a história e os hábitos dos moradores.

“Existe uma busca maior por ambientes que tenham identidade e contem a história de quem vive ali. Móveis, objetos afetivos, peças feitas à mão e heranças familiares passaram a ser ressignificados. Os clientes estão mais abertos a criar casas menos padronizadas e mais conectadas à própria rotina e às próprias referências”, explicou a arquiteta, designer e paisagista Ana Bordallo.

Mais do que apontar uma cor ou um formato específico, essas observações revelam uma transformação na própria maneira de pensar a casa. A estética continua presente, mas passa a dividir atenção com conforto, identidade e experiências que façam sentido para quem utiliza cada ambiente.

A natureza continua dentro dos projetos?

Referências naturais foram presença constante na arquitetura dos últimos anos. Madeira, pedras, vegetação, fibras e superfícies inspiradas em elementos encontrados na natureza apareceram em diferentes linguagens de interiores. Em 2026, essa relação permanece, mas passa a ser trabalhada com mais equilíbrio.

Para a arquiteta Beth Gonzaga, as pedras estão entre os materiais que continuam ocupando espaço importante nos projetos.

“Os materiais naturais continuam muito presentes, principalmente as pedras, que aparecem em diferentes pontos dos projetos e ajudam a trazer aconchego e uma sensação de acolhimento. O mais importante hoje é saber dosar essa presença, equilibrando cores, quantidade de aplicações e a combinação com outros materiais para que o resultado não fique excessivo”, afirmou Beth Gonzaga.

A leitura amplia o conceito de aproximação com a natureza. Ela não depende somente da presença de plantas. Texturas, superfícies minerais, fibras, iluminação natural e cores inspiradas em elementos externos também ajudam a construir essa conexão dentro de casa.

Áreas integradas continuam entre as principais demandas?

Sala, cozinha, varanda e área gourmet seguem estabelecendo relações cada vez mais próximas nos projetos residenciais. A integração, porém, passou a ser entendida menos como a simples retirada de paredes e mais como uma maneira de favorecer a convivência sem ignorar as funções de cada ambiente.

“Áreas integradas continuam sendo um dos principais pedidos dos clientes. Existe uma vontade maior de aproveitar a casa e viver os momentos em família de forma mais próxima, participando das atividades do dia a dia sem separar a principal área de convivência”, contou a arquiteta Beth Gonzaga.

Na prática, materiais, iluminação, mobiliário e circulação podem estabelecer continuidade entre os espaços sem fazer com que todos tenham exatamente a mesma configuração. A integração passa, assim, a acompanhar a rotina de cada família.

A aplicação de pedras naturais em grandes superfícies reforça a sensação de acolhimento e aproxima a arquitetura de referências da natureza, criando uma composição leve e integrada — Foto: Beth Gonzaga

Entre o que funciona na foto e o que funciona na casa

As redes sociais ampliaram o acesso a referências de arquitetura e decoração e aceleraram a circulação de novas ideias. Na prática, porém, uma imagem salva como inspiração precisa passar por outros filtros antes de chegar à obra.

Dimensões disponíveis, orçamento, manutenção, circulação e hábitos dos moradores ajudam a determinar se determinada solução realmente faz sentido. Uma tendência pode ganhar grande visibilidade digital e, ainda assim, não responder às necessidades de uma residência específica.

Essa diferença reforça uma das mudanças percebidas em 2026. Os projetos passam a depender menos de uma imagem pronta e mais da capacidade de adaptar referências à vida que acontecerá dentro daqueles espaços.

O balanço do ano aponta, portanto, para uma arquitetura mais conectada às pessoas que irão utilizá-la. Bem-estar, natureza, memória afetiva, convivência e identidade aparecem não como elementos isolados, mas como partes de uma mesma transformação na maneira de pensar a casa.

Mais do que reproduzir uma tendência, o projeto passa a buscar respostas para hábitos reais. E é justamente nessa aproximação entre arquitetura e cotidiano que 2026 deixa uma de suas marcas mais evidentes nos interiores residenciais.

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