Veja trajetória pessoal e política de Flávio Bolsonaro, que disputa a Presidência
Advogado, ex-deputado estadual e senador pelo Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro (PL), 45, disputa a Presidência da República contra Lula (PT). Filho mais velho de Jair Bolsonaro (PL), foi eleito deputado estadual aos 21 anos e exerceu quatro mandatos na Assembleia do Rio de Janeiro.
Elegeu-se senador em 2018 e teve como bandeira a segurança pública. Teve influência no governo do pai, tornando-se um dos conselheiros informais do então presidente e sendo um interlocutor do Executivo no Congresso Nacional.
Em sua carreira política, já foi investigado sob suspeita de "rachadinha" na Alerj, caso que teve provas anuladas pela Justiça, e passou a ser investigado em 2026 em inquérito ligado ao "Dark Horse", filme sobre seu pai.
Veja os principais momentos da vida e da trajetória política de Flávio Bolsonaro.
Nascimento
Flávio Bolsonaro nasceu em 30 de abril de 1981, em Resende (146 km do Rio de Janeiro), cidade que abriga a Academia Militar das Agulhas Negras, onde o pai estudou. Nos primeiros anos de vida, morou com a família em Nioaque (165 km de Campo Grande), período em que Jair Bolsonaro servia no Exército.
Infância e juventude
Depois, a família se estabeleceu no Rio de Janeiro, onde Flávio cresceu em um ambiente marcado pelas carreiras militar e política do pai. Na juventude, praticou futebol de salão e integrou as categorias de base do América, mas não seguiu carreira profissional no esporte.
Formação
Segundo reportagem da BBC News Brasil publicada em 2019, entre 2000 e 2002, Flávio conciliou três atividades em duas cidades: cursava direito e fazia estágio voluntário no Rio de Janeiro, enquanto exercia um cargo com jornada de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília.
Entrada na política
Influenciado por Jair Bolsonaro, Flávio iniciou trajetória política em 2003, quando, aos 21 anos, foi eleito o deputado estadual mais jovem daquela legislatura no Rio de Janeiro, com 31.293 votos. Ele exerceu quatro mandatos consecutivos na Assembleia do Rio de Janeiro, de 2003 a janeiro de 2019.
Atuação como deputado estadual
Nos 16 anos em que permaneceu no Legislativo estadual, concentrou atuação na segurança pública e na defesa de benefícios para policiais. Também criou a Comissão Especial de Planejamento Familiar, que considerava um instrumento de combate à pobreza e à exclusão social, e criticou a adoção de cotas raciais em universidades, sob o argumento de que o modelo provocaria injustiças.
Segundo análise da Folha, segurança pública foi o tema de 145 dos 214 discursos de Flávio na Assembleia do Rio de Janeiro. Saúde predominou em três pronunciamentos, e educação, em quatro.
Elo com milicianos
Flávio apresentou em 2003 moção de louvor na assembleia fluminense a Adriano da Nóbrega, ex-capitão da Polícia Militar do estado apontado pelo Ministério Público como integrante de milícias no estado. Ele foi morto em uma operação na Bahia, em 2020. O parlamentar também empregou a mãe e a então mulher do policial no gabinete.
Dois anos depois, propôs que Adriano recebesse a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa. Na ocasião, o ex-PM estava preso sob suspeita de homicídio, acusação da qual foi absolvido. Ele então afirmou que costumava homenagear agentes de segurança e que considerava injusta a prisão de Adriano.
A Folha também mostrou que Flávio homenageou o major Ronald Paulo Alves Pereira, apontado como uma das lideranças de milícia no Rio. Dois policiais suspeitos de integrar grupo de extorsão também teriam atuado voluntariamente em atividades da campanha ao Senado. Flávio negou que eles fizessem parte da candidatura.
Eleições Hoje
Receba no seu email destaques das campanhas, pesquisas e disputas nos estados
Disputa à Prefeitura do Rio de Janeiro
Flávio Bolsonaro disputou a Prefeitura do Rio de Janeiro em 2016 e ficou em quarto lugar, com 424.307 votos, representando 14%. Apesar de perder a eleição para o Executivo municipal, conseguiu levar o irmão Carlos Bolsonaro à Câmara dos Vereadores carioca, como o mais votado.
Repercutiu naquele pleito o debate entre postulantes na Band, quando o filho de Jair Bolsonaro passou mal e precisou deixar o debate.
Eleição ao Senado
Dois anos depois da derrota na disputa pela Prefeitura do Rio, Flávio concorreu ao Senado na eleição que levou o pai à Presidência da República. Recebeu 4,38 milhões de votos e foi mais votado no estado.
Operação Furna da Onça e 'rachadinhas'
Durante a Operação Furna da Onça, o Coaf identificou movimentações atípicas de R$ 1,2 milhão na conta de Fabrício Queiroz, ex-assessor de Flávio. O MP-RJ (Ministério Público do Rio de Janeiro) afirmou que Queiroz operava suposto esquema de "rachadinha" no gabinete de Flávio.
Em 2020, o senador foi denunciado pelo caso, e negou as acusações. Em 2021, STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STF invalidaram parte relevante das provas. No ano seguinte, o Tribunal de Justiça do Rio arquivou a denúncia.
Atuação no Senado
Empossado senador, manteve a segurança pública como bandeira. Apresentou propostas para reduzir a maioridade penal, endurecer penas e restringir benefícios concedidos a condenados. Em 2024, relatou proposta limitando as saídas temporárias de presos, convertida em lei. Em 2025, assumiu a presidência da Comissão de Segurança Pública, e concentrou a aplicação de emendas parlamentares no tema.
Influência no governo do pai
Flávio tornou-se um dos principais conselheiros informais do pai e atuou como interlocutor do Palácio do Planalto no Congresso Nacional. Participava de reuniões políticas e ministeriais segundo relatos de auxiliares publicados pela Folha em 2020.
Frequentava reuniões de líderes, mesmo não sendo um, e participava de negociações de interesse do governo. Colegas chegaram a chamá-lo de "senador-ministro", e manteve contato com integrantes da equipe econômica, levando a Jair Bolsonaro reivindicações de empresários durante a pandemia.
Negociação de emendas
Em setembro de 2026, foram revelados diálogos sobre emendas parlamentares entre uma assessora de Flávio e Robson Calixto, o Peixe, condenado a nove anos de prisão no caso Marielle.
Segundo a Polícia Federal, a assessora intermediou o envio de R$ 600 mil ao Ifop (Instituto de Formação Profissional José Carlos Procópio), ligado ao ex-deputado Chiquinho Brazão e Domingos Brazão, condenados como mandantes da morte da vereadora. O senador afirmou que os repasses seguiram critérios técnicos e legais e que cabia às entidades beneficiadas executar os recursos.
Candidatura à Presidência
Após a condenação e prisão de Jair Bolsonaro pela trama golpista, passou a ser um dos porta-vozes do pai junto a aliados e membros do PL. Em dezembro de 2025, o ex-presidente anunciou que o filho mais velho seria o escolhido para concorrer à Presidência da República, diminuindo a chance de Tarcísio de Freitas (Republicanos), preferido por empresários, ser o líder da direita na disputa nacional.
A campanha de Flávio ficou isolada politicamente após tentar, sem sucesso, costurar acordos com União Brasil, PP e Republicanos. As legendas decidiram ficar neutras ao menos no primeiro turno. Anunciou, então, o deputado federal Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa.
Caso "Dark Horse" e Banco Master
Flávio Bolsonaro é investigado pelo financiamento de "Dark Horse", filme sobre Jair Bolsonaro. Áudios e mensagens mostram o senador negociando recursos com Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. O senador teria pedido dinheiro para a realização do filme sobre o pai. Flávio nega irregularidades e diz ter solicitado apenas um patrocínio privado, sem contrapartidas.
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.