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Wednesday, October 7, 2026

Veja o que desencadeia a dor de cabeça e quando se preocupar

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A dor de cabeça ou cefaleia (o termo médico para o desconforto na região da cabeça) pode acontecer por diversos motivos. Por isso, começo a edição sem delongas e já explicando as origens mais comuns.

Conversei com o neurologista Álvaro Pentagna, do Hospital Vila Nova Star, da Rede D'Or, e com a médica Renata Londero, coordenadora do departamento científico de cefaleia da Academia Brasileira de Neurologia.

Pentagna explica as causas mais frequentes, dividindo-as em duas categorias:

Primárias: não têm uma origem específica identificável. O diagnóstico é clínico, feito na conversa com o médico, e exames como tomografia e ressonância servem para descartar um quadro secundário.

Secundárias: a dor surge como sintoma de outra doença ou condição de saúde, então o fator por trás dela é conhecido. Alguns exemplos são:

  • Infecções e inflamações: sinusite, meningite, infecções de ouvido ou quadros virais.
  • Alterações da pressão arterial: picos hipertensivos (pressão alta).
  • Problemas estruturais ou de visão: alterações odontológicas, como a disfunção temporomandibular, ATM, e erros de refração (quando a necessidade de usar óculos não está corrigida).

Existem outros fatores comuns do dia a dia que podem desencadear ou piorar as crises:

  • Privação de sono: manter uma boa higiene do sono e horários regulares para dormir pode ajudar a reduzir as crises.
  • Jejum prolongado: evitar passar muitas horas sem comer e manter-se bem hidratado ao longo do dia são medidas importantes.
  • Estresse: controlar o estresse e a ansiedade também pode contribuir para a prevenção das crises.
  • Abstinência de café: parece brincadeira quando os amantes de café dizem que ficar sem a bebida provoca dor de cabeça, mas isso pode acontecer. A interrupção repentina do consumo de cafeína pode causar sintomas de abstinência, incluindo dor de cabeça.

As dores de cabeça podem ser classificadas em diferentes tipos, de acordo com a Classificação Internacional de Cefaleias:

  • Enxaqueca: tem causas genéticas e, geralmente, afeta um lado da cabeça e varia de intensidade moderada a forte.

A sensibilidade à luz e ao som é frequente e pode piorar durante as crises, além do esforço físico. Náuseas e vômitos podem acompanhar os episódios.

  • Cefaleia tensional: é o tipo mais comum na população, segundo Londero. Costuma atingir os dois lados da cabeça ou a região posterior do pescoço, com sensação de peso, aperto ou pressão.

Pode estar associada à tensão física e emocional, à má postura e ao tempo prolongado com a cabeça inclinada, como durante o uso de telas.

  • Cefaleia em salvas: provoca crises unilaterais de intensidade extrema, geralmente descritas como uma dor muito forte e lancinante. Os episódios costumam ocorrer sempre do mesmo lado.
  • Outras: incluem condições específicas que não se enquadram nos três grupos anteriores. Alguns exemplos são as cefaleias provocadas por tosse ou esforço físico.

Dor de cabeça só passa com remédio? É comum recorrer a um analgésico, e isso não é um problema, se tomado de vez em quando.

Londero alerta que o uso frequente ou quase diário desses medicamentos pode ter o efeito contrário e levar à cefaleia por abuso de medicação, contribuindo para a cronificação do quadro.

Outras medidas não medicamentosas incluem, segundo Pentagna:

  • Aplicar uma compressa fria ou gelada no local pode ajudar a aliviar os sintomas durante as crises.
  • Algumas opções terapêuticas, como a acupuntura, também podem ser consideradas.

Sinais de que é hora de procurar um médico, quando...

  • ...os episódios são intensos e atrapalham atividades do dia a dia, como trabalho e sono.
  • ...há febre, que pode indicar uma infecção do sistema nervoso central, como meningite.
  • ...vem acompanhada de fraqueza, paralisia facial, alterações na visão ou dificuldade para falar.
  • ...é intensa ou persistente e surge após uma pancada ou outro trauma na cabeça.
  • ...aumenta progressivamente de intensidade ou frequência ao longo dos dias.

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