Alfredo Gaspar perde, mas assume bolsonarismo de olho em disputa em Maceió

Os bastidores políticos dão como certa a participação de Alfredo na disputa em Maceió, prefeitura que já tentou conquistar em 2020.
Naquela ocasião, estava no MDB e era favorito, mas acabou perdendo para o próprio JHC, então no PSB. A derrota, porém, foi mais atribuída ao peso da histórica rejeição dos Calheiros em Maceió, onde aliados da família nunca haviam vencido eleições para prefeito, do que ao seu nome.
Alfredo entrou na política pelas mãos do senador Renan Filho (MDB), que, ao assumir o governo do estado, em 2015, chamou o então procurador para ser secretário de Segurança Pública de Alagoas.

Aliança frágil
Na disputa estadual, apesar de o PL ter se aliado a JHC na eleição municipal, Alfredo nunca declarou voto para governador.
No dia do primeiro turno, questionado pelo UOL sobre em quem votaria, despistou e disse que havia se concentrado na disputa nacional, deixando de lado a eleição alagoana.
Segundo pessoas próximas, a estratégia de não declarar o voto foi uma resposta à falta de apoio público do então candidato a governador a Flávio na eleição presidencial.
Apesar de compor a chapa vencedora e, teoricamente, ter direito a indicar nomes para o governo, os caminhos de Alfredo e JHC devem se separar daqui em diante.

JHC é aliado antigo do atual prefeito, Rodrigo Cunha (Podemos), que era seu vice e terá seu apoio para a reeleição daqui a dois anos. Alfredo, caso decida disputar a prefeitura, terá de romper com Cunha ou convencê-lo a não concorrer.
Para a cientista política Luciana Santana, da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), a exposição gerada pela campanha presidencial abre novos caminhos para Alfredo. "Ele se fortalece no núcleo do bolsonarismo e se torna um representante importante para a região Nordeste", diz.
Ela admite, porém, que a disputa pela prefeitura é um "caminho natural" e já planejado nos bastidores. "Já faz um tempo que setores bolsonaristas o consideram um nome importante para a disputa."
Luciana diz que, diante do cenário atual, é provável que JHC não dê espaço importante a Alfredo no governo estadual.
Sem cargo a partir do próximo ano, a cientista política acredita que o desafio de Alfredo será transformar a visibilidade da campanha de 2026 em capacidade de se consolidar como uma liderança política com poder de organização eleitoral.
"Nesse processo, a força do PL será importante para garantir essa sustentabilidade eleitoral dele, para que consiga seguir com esse protagonismo político", cita, lembrando que o partido saiu da eleição de 2026 como o maior vencedor em número de cadeiras no Congresso e terá o maior fundo partidário do país.
Por fim, Luciana avalia que a escolha de Alfredo Gaspar para a chapa presidencial não surtiu o efeito esperado de conter o avanço do PT no Nordeste. "Ele não conseguiu reverter votos favoráveis para Flávio, nem mesmo na própria capital."
Em Maceió, Lula teve a maior votação de um candidato do PT desde as disputas de 2018, período em que o partido enfrentou sempre um integrante da família Bolsonaro. No segundo turno de domingo, o resultado foi de 52,01% para Flávio e 47,99% para Lula.
"Fora isso, o resultado da eleição que a gente teve ontem foi um massacre no Nordeste. Em todos os estados, Lula aumentou seu capital eleitoral."

Silêncio
A coluna tentou entrevistar Alfredo, que chegou a Maceió no começo desta segunda-feira, após acompanhar a apuração dos votos ao lado de Flávio, em Brasília, mas a assessoria não respondeu ao pedido. Durante a campanha, ele não quis conceder entrevistas.
Após a derrota de domingo, Alfredo fez apenas uma postagem na qual criticou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do STF (Supremo Tribunal Federal), de prorrogar a votação por mais duas horas no domingo.
"A luta pelo Brasil continua. O que aconteceu hoje é inaceitável. Uma canetada do ex-advogado de Lula, agora ministro do STF, promoveu o desequilíbrio democrático", afirmou na legenda do vídeo com o pronunciamento de Flávio, no qual ele não reconhece o resultado das urnas.
Reportagem
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