Operador entrega 88 atestados e é descoberto atuando como pastor
RESUMO +
A Justiça do Trabalho manteve a demissão por justa causa de um operador de produção do ABC Paulista que apresentou 88 atestados médicos em um ano, mas apareceu nas redes sociais como pastor durante as licenças. A juíza Isabela Parelli Haddad Flaitt considerou que a conduta quebrou a confiança entre trabalhador e empresa; o caso aguarda julgamento de recurso.
De operador de produção a líder religioso em tempo integral nos dias de folga médica, a trajetória de um funcionário do ABC Paulista tomou um rumo incomum e acabou na Justiça do Trabalho. Em apenas um ano, ele entregou 88 atestados médicos à empresa para justificar ausências.
Enquanto a fábrica registrava a sucessão de licenças de saúde, a rotina real do trabalhador seguia outro ritmo nas redes sociais: em vez de repousar, ele atuava ativamente como pastor no comando de cultos, palestrando e participando de encontros comunitários na igreja.
A contradição entre o prontuário médico e a vida comunitária veio à tona quando a empresa passou a acompanhar as publicações da igreja. Em um dos episódios marcantes do caso, o operador apresentou um atestado médico por cervicalgia — condição que provoca dores intensas no pescoço e ombros —, mas, na mesma data, apareceu em vídeos e fotos ministrando de pé durante um evento religioso.
A decisão da Justiça
Diante do acúmulo de ausências e das imagens que comprovavam as atividades públicas no período de repouso, a companhia aplicou a demissão por justa causa e alegou quebra de confiança.
Inconformado com a dispensa, o trabalhador acionou a 2ª Vara do Trabalho de São Caetano do Sul para tentar reverter a demissão e retornar ao emprego. Em sua defesa, alegou que a empresa tentou criar uma justificativa para cancelar a estabilidade dele, prevista em acordo coletivo, além de afirmar que sofreu violação à sua liberdade religiosa e que os problemas de saúde surgiram após uma mudança de função na fábrica.
Ao analisar a história e as provas anexadas ao processo, a juíza Isabela Parelli Haddad Flaitt concluiu que a conduta abalou a confiança entre as partes.
A magistrada ressaltou que o operador recebia salários pelos dias de licença enquanto exercia a liderança pastoral — atividade que pode render suporte financeiro, como a prebenda. A justa causa foi mantida, e o caso aguarda julgamento de recurso.
'Perguntas frequentes'
Por que o operador de produção foi demitido por justa causa? +
O operador foi demitido por justa causa após entregar 88 atestados médicos em um ano e aparecer em publicações da igreja no comando de cultos e encontros comunitários durante as licenças. A empresa alegou quebra de confiança.
Como a empresa descobriu que o funcionário atuava como pastor durante as licenças? +
A empresa descobriu a atuação pastoral ao acompanhar publicações da igreja nas redes sociais. Vídeos e fotos mostravam o operador em atividades religiosas públicas durante períodos nos quais estava afastado por razões médicas.
O que aconteceu no dia em que o trabalhador apresentou atestado por cervicalgia? +
Na mesma data em que apresentou um atestado por cervicalgia, o operador apareceu em vídeos e fotos enquanto ministrava de pé em um evento religioso. A condição provoca dores intensas no pescoço e nos ombros.
O que o trabalhador alegou para tentar reverter a demissão? +
O trabalhador afirmou que a empresa tentou cancelar a estabilidade prevista em acordo coletivo e violou sua liberdade religiosa. Também alegou que os problemas de saúde surgiram após uma mudança de função na fábrica.
Por que a Justiça manteve a justa causa do pastor? +
A juíza Isabela Parelli Haddad Flaitt concluiu que a conduta abalou a confiança entre as partes. A magistrada destacou que o operador recebia salários durante as licenças enquanto exercia a liderança pastoral, atividade que pode render suporte financeiro, como a prebenda.
O processo sobre a demissão do operador já terminou? +
Não. A 2ª Vara do Trabalho de São Caetano do Sul manteve a demissão por justa causa, mas o caso ainda aguarda o julgamento de recurso.
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