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Sunday, August 30, 2026

Islândia recusa retomar negociações com a União Europeia, diz TV

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A Islândia recusou neste sábado (29) retomar as negociações de adesão com a União Europeia. Segundo projeção da emissora pública RUV, o "não" já não poderia ser alcançado na manhã deste domingo, ainda que faltassem a apuração de urnas de localidades mais distantes. Um resultado definitivo é aguardado para as próximas horas.

Segundo analistas, prevaleceu a preocupação com a pesca, responsável por 40% das exportações do país, que teria de se submeter a regras mais rígidas estabelecidas por Bruxelas. Por outro lado, a Islândia seria uma candidata ideal para a UE, que desde os anos 1990 não acolhe um país com contribuição líquida positiva para o bloco.

Ainda que boa parte da campanha tenha versado sobre assuntos domésticos, o principal gatilho para a consulta popular foram as reiteradas ameaças de Donald Trump à vizinha Groenlândia, distante cerca de 300 km do país.

Em um dos tantos lapsos que cometeu nos últimos tempos, o presidente americano trocou o nome território autônomo pertencente ao Reino da Dinamarca pelo da Islândia em manifestações à imprensa e discursos.

Em março, a situação chegou a tal ponto que o gabinete da primeira-ministra, Kristrún Frostadóttir, encontrou espaço político para convocar o referendo. "Este é um grande dia; há anos que esperávamos por isso para poder realizar uma votação", disse a política na manhã deste sábado, logo após depositar seu voto na urna, na capital Reykjavik.

A primeira-ministra declarou ainda que, independentemente do resultado, o governo continuaria trabalhando para assegurar a soberania do país.

Suspenso após as eleições de 2013, o processo de adesão era uma disputa política interna adormecida até Trump voltar à Casa Branca, no começo do ano passado. A primeira tentativa de negociação com a UE foi iniciada em 2009, devido aos estragos da crise financeira global desencadeada por uma bolha imobiliária nos EUA.

Além das bravatas expansionistas do presidente americano, as investidas de Rússia e China pelo Ártico, cada vez mais acessível devido às mudanças climáticas, concorreram para a retomada do assunto.

A Islândia não tem Exército e, desde sua independência da Dinamarca, em 1944, empresta seu território estratégico e remoto em troca de proteção. Com menos de 400 mil habitantes, população de uma cidade média no Brasil, não tem gente suficiente para compor forças de defesa. Ainda assim, é um dos 12 países fundadores da Otan, a aliança militar ocidental criada em 1949, e tem acordos de cooperação com os EUA desde 1951.

Adeptos do "não" lembraram durante a campanha que aderir à UE significaria passar a obedecer a uma série de regulações no setor de pesca, que há décadas afastam Reykjavik de Bruxelas.

No caso da Islândia, um dos três países do mundo que ainda permitem a caça de baleias, a pesca é atividade econômica importante (40% das exportações) e um dos fundamentos de sua identidade cultural.

Militantes do "sim", principalmente os eleitores mais jovens, trabalharam a perspectiva de ganho econômico com a adesão. O euro é mais estável do que a moeda local, a coroa islandesa, e a inflação do bloco é mais baixa, assim como os custos de crédito e habitação.

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