Após conquista prata em Fortaleza, time de vôlei master de RO mira 2027: "Algumas paixões não ficam velhas"

— A vontade de vencer supera as deficiências técnicas e táticas. Nem nos meus melhores sonhos eu acreditava que seria possível. Era bem distante o sonho de irmos a uma competição nacional. Eu ainda estou pensando que é um sonho. Olho para o troféu, olho para a medalha e penso: caramba — celebra a atleta e coordenadora Gel Matos.
A estrutura para a preparação diária vem da parceria com a comunidade escolar. A diretora da escola Roberto Pires, Rosileia Fernandes, abriu as portas da instituição para abrigar o projeto.
— Nós estamos cedendo espaço para a comunidade, vendo a nossa escola cumprir esse papel — afirma a diretora.
Com a medalha no peito, o planejamento das Naftas já mira o futuro. O técnico Jean Meireles e a coordenação trabalham para intensificar os treinos e garantir vaga no Campeonato Nacional de 2027.
Equipe Naftas de vôlei master de Porto Velho — Foto: Divulgação
O recomeço após 20 anos
A trajetória do time começou após um hiato de duas décadas longe do esporte. O reencontro com a modalidade ocorreu por recomendação médica para Gel Matos, que enfrentava um quadro de depressão.
— A gente se encontrou depois de 20 anos. Eu tive depressão e a gente se afasta. Uma psicóloga me perguntou o que eu gostava de fazer na infância e adolescência. Respondi que gostava de jogar vôlei, e ela me mandou voltar — conta Gel.
A iniciativa reuniu apenas quatro mulheres no início. Dez anos depois, o projeto conta com mais de 30 praticantes em Porto Velho, deixando no passado a fase de derrotas nos primeiros torneios.
— Todo mundo já tinha jogado vôlei, mas o esporte estava no esquecimento. A gente continuou e fomos persistentes — relata a atleta e coordenadora Mara Alves.
A escolha do nome "Naftas" surgiu de uma brincadeira bem-humorada sobre a volta às quadras.
— Nós estávamos guardadas nos armários, engavetadas. Falei: cara, vamos dar um nome? Falei que naftalinas caía bem, todo mundo tirando a joelheira do armário com cheiro de mofo. E de naftalinas virou Naftas — relembra Mara.
Renovação da saúde e convite a novas atletas
A rotina do grupo combina rendimento esportivo, cuidados com a mente e convivência social. Aos 67 anos, a atleta Irene Brasil é a integrante mais experiente do elenco e mantém a intensidade nos exercícios.
— Participar é arrumar uma nova motivação na vida. É outro momento que a gente achou que não teria mais — destaca Irene.
Para o técnico Jean Meireles, a comissão técnica ajusta as atividades para equilibrar rendimento e bem-estar.
— A gente precisa cuidar do nosso corpo, da nossa mente. O vôlei é um divertimento hoje para a gente viver a vida — pontua o treinador.
As integrantes do projeto utilizam as redes sociais para incentivar outras mulheres da capital a retomarem a prática esportiva.
— A gente começa a pensar: se eu fiz quando tinha 15 ou 18 anos, por que não posso fazer agora aos 57? Tu que está aí sentada, que jogou vôlei e gosta, vem para cá viver isso com a gente — convida Mara Alves.
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