Quem dormiu antes de Kassab venceu o 'debate' presidencial


Os púlpitos vazios de Lula e Flávio Bolsonaro chamaram a atenção. Mas a ausência dos favoritos já era esperada. A cena mais marcante do "debate" presidencial da Band estava na plateia, não no palco. Vice de Ronaldo Caiado, Gilberto Kassab cochilou várias vezes — inclusive durante uma fala do seu companheiro de chapa. Com suas sonecas, Kassab foi o vice-campeão do "debate". Só perdeu para o eleitorado que foi dormir antes dele.
Dos seis presidenciáveis convidados, restaram apenas três. Romeu Zema se juntou aos fujões no domingo. Augusto Cury ameaçou desistir na portaria da Band. Foi convencido pelo jornalista Fernando Mitre a desistir da desistência, juntando-se no estúdio a Ronaldo Caiado e Renan Santos. Os três somam 11% das intenções de voto no Datafolha, contra 71% atribuídos a Lula e Flávio Bolsonaro.
Fizeram um "debate" entre aspas, sem embates. Lula apanhou mais que o filho de Bolsonaro. Zema foi ignorado. Ninguém quis chutar cachorro morto. Com linguajar de sarjeta, Renan exibiu cortes para a internet, não ideias. Disse que Lula e Flávio fugiram como "duas cadelas". Escorregou entre a misoginia e a homofobia. Fez ataques gratuitos a Janja e Erika Hilton.
Com sorriso robótico, Caiado soou menos como presidenciável do que como guia turístico do seu estado. Prometeu transformar o Brasil numa espécie de Goiás hipertrofiado. Professoral, o psiquiatra Cury forneceu receitas de autoajuda para um país "doente". A 41 dias do primeiro turno, dificilmente o "debate" modificará significativamente nos ponteiros das pesquisas. Lulistas e bolsonaristas aplaudem os fujões. O eleitor que atrasou o sono não se livrou do pesadelo da polarização.
Opinião
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