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Wednesday, October 28, 2026

Teórico citado por psicóloga que falou sobre não contratar petistas diz que preferência por partido não torna candidatos 'mais ou menos aptos para emprego'

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Ao g1, Suassuna afirmou que alinhamento de valores organizacionais não significa alinhamento política, mas identificar profissionais que compartilhem princípios. Em nota, o Conselho Regional de Psicologia (CRP) afirmou que o caso será encaminhado para apuração do Código de Processamento Disciplinar (confira as notas completas ao final do texto).

A Legislação Trabalhista proíbe qualquer tipo de discriminação e que limite o acesso à relação de trabalho, podendo gerar multas e sanções econômicas.

Schwartz explica que a ideia de contratar apenas colaboradores com a mesma linha de pensamento pode ser, na verdade, prejudicial a produtividade da empresa.

"As pesquisas sugerem que contratar apenas funcionários que compartilhem as prioridades de valores daqueles que já trabalham em uma organização pode ter efeitos prejudiciais sobre a produtividade da empresa. Essa prática pode levar ao ‘pensamento de grupo’, a menos inovação e a uma menor capacidade de lidar com mudanças nas circunstâncias", disse o teórico.

Schwartz nasceu nos Estados Unidos e tem dupla cidadania - americana e israelense. O professor e pesquisador desenvolveu a Teoria dos Valores Humanos Básicos, que reúne 10 valores fundamentais, entre eles estão benevolência, poder, autodeterminação e outros.

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Atualmente, aos 90 anos, Schwartz é professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, em Israel. O posicionamento do teórico sobre o tema aconteceu após ele ser procurado pelo professor de Filosofia da Universidade Federal de Jataí (UFJ), Marcos Carvalho Lopes.

Ao g1, Marcos disse que, ao acessar a reportagem, achou inconsistente a forma de abordar a teoria e optou por buscar o próprio autor.

"Eu dou aula de filosofia em um curso de psicologia, então o uso da psicologia como legitimação de práticas que considero potencialmente discriminatórias liga um sinal de alerta. Além do mais, existe a questão ética, tanto profissional, quanto de pesquisa", disse Marcos.

Mara Suassuna é psicóloga e tem uma empresa de recrutamento profissional — Foto: Reprodução/Redes socias de Mara Suassuma

'Uma questão de valores'

"Os nossos valores são fundamentais para que as escolhas sejam feitas. E por isso, empresários, CEOs de empresas, as pessoas que estão por aí gerando as riquezas do Brasil têm que se preocupar sim em contratar pessoas que tenham os mesmos valores", afirmou.

Ainda na gravação, Mara afirmou que as empresas devem buscar funcionários que têm valores em comum e não sejam petistas.

'Afirmação problemática'

Ao g1, as psicólogas Luísa Jaques Côrtes e Iara Caixeta Moreira se posicionaram sobre as falas de Suassuna. Luísa, especializada em psicanálise e análise do contemporâneo, disse que a fala é problemática.

"Posso afirmar que acho muito problemática uma afirmação como essa, ainda mais instrumentalizada pela psicologia, se esse for o caso [...]. Me chama muita atenção, como sempre, após eleições a utilização de falas como essa voltam a circular", disse a profissional.

Iara, que atua na área social comunitária em atenção a vítimas de violações de direito, afirmou que a discussão sobre valores humanos não pode ser reduzida a princípios universais, neutros e previamente estabelecidos. "Defender a diversidade de pensamento exige mais do que afirmar que pensar diferente é legítimo. Exige reconhecer que pessoas com diferentes trajetórias, convicções e visões de mundo podem compartilhar compromissos profissionais fundamentais".

Código de ética proíbe

De acordo com o Código de Ética Profissional da Psicologia, aprovado em 2005, é vedado ao psicólogo "induzir convicções políticas, filosóficas, morais, ideológicas, religiosas, de orientação sexual ou a qualquer tipo de preconceito no exercício de suas funções profissionais".

O mesmo código destaca, entre seus princípios fundamentais, que o profissional deve basear seu trabalho no respeito e na promoção de liberdade, dignidade, igualdade e integridade humana. Também afirma que o psicólogo deve trabalhar visando promover a saúde e a qualidade de vida das pessoas e das coletividades, contribuindo para eliminar negligências, explorações e discriminações.

Nota de Mara Suassuna

"Não se trata de pensar igual. Trata-se de compartilhar princípios.

A Teoria dos Valores Humanos Básicos, desenvolvida pelo psicólogo Shalom H. Schwartz, demonstra que nossos valores orientam escolhas, comportamentos, prioridades e decisões.

Nas amizades, nas relações profissionais e nas organizações, a compatibilidade de valores favorece a confiança, o pertencimento e a construção de objetivos comuns.

Após os resultados das eleições, muitos empresários têm procurado o Instituto Mara Suassuna para novos processos seletivos, destacando o alinhamento de valores como critério decisivo na contratação.

Mas atenção: alinhamento de valores organizacionais não significa alinhamento político. Significa identificar profissionais que compartilhem princípios como ética, responsabilidade, respeito, integridade e compromisso com os objetivos da empresa.

A diversidade de pensamento fortalece as organizações. O que compromete os resultados não é pensar diferente, mas agir em desacordo com os princípios que sustentam a cultura organizacional.

Sugiro conhecer a teoria de Schwartz. Afinal, nossos valores orientam nossas escolhas, e nossas escolhas revelam quem somos."

Nota do CRP

"O Conselho Regional de Psicologia da 9ª Região (CRP-09) tomou conhecimento de vídeo, amplamente divulgado nas redes sociais e na imprensa, em que se defende a adoção de critérios político-partidários na seleção de trabalhadoras e trabalhadores.

O CRP-09 repudia, de forma veemente, qualquer forma de discriminação no acesso ao trabalho, inclusive por convicção política. Essa prática é vedada pela Constituição Federal (arts. 3º, IV, 5º, VIII, e 7º, XXX), pela Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho, ratificada pelo Brasil, e pela Lei nº 9.029/1995.

O Código de Ética Profissional do Psicólogo é igualmente claro. A Psicologia deve contribuir para a eliminação de quaisquer formas de discriminação, e é vedado à psicóloga e ao psicólogo praticar ou ser conivente com atos discriminatórios, bem como induzir a convicções políticas ou ideológicas no exercício profissional.

Processos de recrutamento e seleção conduzidos por profissionais da Psicologia devem se basear exclusivamente em critérios técnicos relacionados às exigências do cargo, nunca na orientação política, partidária ou ideológica de candidatas e candidatos. O conhecimento psicológico não pode ser instrumentalizado para legitimar a exclusão de pessoas.

Diante dos fatos, o CRP-09 adotará de imediato as providências de sua competência, com o encaminhamento do caso para apuração nos termos do Código de Processamento Disciplinar.

Os procedimentos disciplinares tramitam em sigilo, nos termos do art. 15 da Resolução CFP nº 11/2019, assegurados o contraditório e a ampla defesa. Por essa razão, o CRP-09 não divulgará outras informações sobre o caso."

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