Bruno Paes Manso: PCC e CV são 'síndicos de territórios', não terroristas

Na entrevista, Manso avaliou que a violência e a sensação de medo viram combustível para uma "indústria" que movimenta dinheiro e poder. Ele citou o aumento de roubos de celular na região em que mora, na zona oeste de São Paulo, e a chegada de empresas que passam a vender proteção para prédios.
Para ele, quando o medo cresce, aumenta também a dependência da polícia e o espaço para políticos que prometem "guerra" ao crime. "Quanto mais medo, mais você vende", disse, ao argumentar que privatizar a segurança pública amplia o problema.
Quanto mais medo, mais você vende. Quanto mais medo, maior a dependência da polícia. Quanto mais medo, mais poder tem os políticos que prometem a guerra. Então, de alguma forma, os senhores da guerra dependem do medo para conseguir vender. Bruno Paes Manso
Manso também comentou que, por estarem em escala nacional, PCC e CV forçaram o governo federal a entrar com mais peso no debate sobre combate ao crime organizado. Ele disse que, nos últimos anos, a discussão deixou de ficar restrita a operações em favelas e passou a mirar financiamento, organização e compartilhamento de informações.
O governo federal começou de fato a pensar e tentar trabalhar com essa responsabilidade e nesses últimos quatro anos melhorou o nível da discussão. Então está se pensando em uma PEC de forma de financiar e organizar as coisas. Bruno Paes Manso
Mesmo assim, ele alertou que o populismo segue forte no tema da segurança pública. Para Manso, propostas baseadas em "sede de sangue" ainda seduzem parte do eleitorado, apesar de não atacarem a lógica econômica e territorial que sustenta as facções.
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