Com o Bahia de volta ao G-4, Ceni avalia disputa pela Libertadores: "Vai ser ponto a ponto até o final"


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- Vai ser ponto a ponto até o final. Temos uma sequência pesada, difícil, mas temos que aproveitar o momento e a confiança depois de vencer o clássico. Mas vai ser tudo ponto a ponto, quem vai para Libertadores, Sul-Americana, o Campeonato Brasileiro é muito equilibrado. Não posso fazer projeção, tenho que pensar no Athletico, vamos tentar fazer um jogo equilibrado para vencer mais uma partida.
Rogério Ceni em entrevista no pré-jogo de Bahia x Remo — Foto: Catarina Brandão/EC Bahia
O Bahia dominou o Remo e criou para vencer por placar maior, mas esbarrou na falta de efetividade e teve menos controle do jogo no segundo tempo. Ceni avaliou o desempenho do time e destacou atuações individuais.
- Primeiro tempo muito bom no sentido de criação, a gente rodou bastante a bola, faltou um pouco de velocidade, mas criamos as chances, tivemos oportunidades. Encaixamos bem a marcação. No segundo tempo, a gente sabe que não é fácil se manter, começamos bem, mas fomos cansando e o jogo ficou equilibrado. Ainda assim tivemos muitas chances para fazer o gol, demoramos para fazer o 2 a 0. Kike nos ajudou muito na pressão e marcação, ele que faz a jogada do primeiro gol. Depois ele errou alguns lances, mas é normal para alguém que corre tanto, às vezes chega cansado na bola. Jean Lucas também fez um grande jogo, Kanu, Marcos Victor. Enfim, acho que foi um primeiro tempo muito bom mesmo, no segundo não conseguimos manter, então a gente sofreu um pouco mais. O meio de campo ficou mais frágil depois das mudanças.
O jogo também marcou o retorno de Everton Ribeiro aos gramados depois de quase 50 dias em recuperação de um problema na coluna. Aos 37 anos, o meia vive novo status no Bahia nesta temporada, e muito disso passa pela mudança de característica coletiva do time de Ceni.
- Acho que o futebol de hoje não permite só a parte técnica mais. Não posso negar que Caio e Everton são diferenciados tecnicamente, eu tento achar lugar para colocar eles, mas a pressão feita para recuperar as bolas é o principal que conseguimos fazer com Kike, Pulga e Alejo. A intensidade para recuperar as bolas nos dá mais tempo para ficar com ela. Hoje a construção com três também foi muito bem executada. A recuperação rápida faz com que o adversário chute essa bola e nos dá mais tempo. Os adversários não conseguem acompanhar Pulga e Kike, então acaba se distanciando um pouco.
Com a vitória contra o Remo, o Bahia termina a 27ª rodada com 46 pontos, na quarta posição, na zona de classificação direta para a fase de grupos da Libertadores. O Tricolor tem a semana livre pela frente e volta para campo neste domingo, quando visita o Athletico, na Arena da Baixada, pela 28ª rodada. A partida está marcada para as 19h30 (horário de Brasília).
Veja outros trechos da entrevista coletiva de Rogério Ceni:
Marcos Victor titular
- O Jajá sempre nos dá muito trabalho, então pensei nele. E também pela construção. Achei que o Marcos Victor era o que melhor nos oferecia para o jogo de hoje. Do outro lado o Kanu, que também nos ajuda na saída de bola. O Marco treinou bem pelo centro, pode jogar no lugar de David Duarte quanto tiver oportunidade, é um jogador que vai nos ajudar. Tivemos alternativas, criamos muito, infelizmente perdemos algumas chances.
Sequência invicta e G-4. Time está mais pronto?
- Acho que é especulativo. Talvez chegue em um melhor momento, com seis triunfos e cinco empates nos últimos 11 jogos. Mas agora vem uma sequência muito dura com Athletico, Palmeiras, Mirassol e Flamengo. Perdemos o Kike para o próximo jogo, mas vamos competir da melhor maneira em Curitiba.
Sequência sem ganhar e sequência invicta
- Mudou o sistema de marcação, a gente marcava em uma linha mais baixa. Conseguimos nos manter com isso, o Kike nos dá essa opção. Basicamente mudou isso na marcação. Mudou também o espírito de competição, principalmente do Ba-Vi em diante, e isso é muito necessário hoje em dia no futebol brasileiro. Mas daqui para frente vamos ter dias difíceis e vamos precisar nos sustentar com esse sistema de jogo.
Setor ofensivo tem feito mais gols
- Acho que sempre fomos um time que criou bastante, mas desperdiçamos boa parte delas. Não vejo um volume maior de criação. Acho que Alejo pesa mais a área, o Erick também chega bem. Hoje Jean Lucas fez um grande jogo e nos dá dor de cabeça. A criação é uma das coisas que temos mais facilidade. Claro que quando um jogador está mais inspirado entra o um contra um, a gente depende muito disso também. Nos últimos jogos temos tido sucesso nessas jogadas, mas também fizemos gols de bola parada e bola cruzada.
Everton Ribeiro é o quarto mais velho a entrar em campo pelo Bahia
- Acho ele um garoto ainda. Tem muito para dar ao futebol brasileiro. Queremos ele com cada vez mais ritmo de jogo, é muito talentoso e tem espírito de garoto. Acho que as dores atrapalharam ele um pouco antes da Copa. Se a gente recuperar a parte física ele vai ser eternamente brilhante.
O time sem Ramos Mingo. Kanu é o novo titular
- Eu trabalho com o rendimento da semana. Se ele entrar e jogar bem é sempre bom para o treinador. O Marco eu ainda não conheço muito para colocar em um jogo de transição. Ele vai ser útil, vai entrar em jogos esse ano, vai ter minutagem. Mas é o trabalho da semana, ainda não parei para pensar no Athletico, eles estão desfalcados, vamos analisar. Fico feliz pelo jogo de Kanu, fez um bom jogo, mas não posso afirmar que vai ser o titular a partir de agora.
Parte estrutural sem Ramos Mingo. Juba pode sofrer com isso?
- Não. O que muda é um jogador de perna direita ali. Temos o Luiz Gustavo, que é canhoto, os outros todos jogam com a perna direita. Hoje Juba jogou como vem jogando, fez mais um gol. Acho que não vai mudar em nada o rendimento do Juba. Hoje o Kanu teve boa participação na construção. Gostaria de ainda ter o Mingo, mas temos jogadores que podem tentar suprir a ausência dele.
Ademir pode jogar pela esquerda?
- O Ademir odeia jogar do lado esquerdo, ele pede até para não jogar. No América ele sempre jogou do lado direito. O Kike é um curinga, tem mais resistência física, é um jogador de time. Ele me faz as compensações do jogo, joga dos dois lados. Então ele foi fazer a compensação do outro lado. O Ademir joga sempre por aquele setor, conseguiu levar vantagem em alguns lances, deu o passe para o pênalti. Ele está acostumado a levar a bola para o meio, gosta muito do lado direito.
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