Cezinha divulga boletim sobre roubo de celular três dias antes de operação
O deputado federal Cezinha de Madureira (PL-SP) divulgou um BO (Boletim de Ocorrência) no qual ele denuncia o roubo de seu aparelho celular, que, segundo o parlamentar, teria ocorrido há três dias, na última sexta-feira (11).
De acordo com o deputado, por conta desse roubo o aparelho não foi localizado pelas equipes da PF (Polícia Federal) durante a terceira fase da Operação Transparência, deflagrada na manhã desta segunda-feira (14) e que teve Cezinha como um dos alvos.
A investigação da PF mira possíveis irregularidades na destinação de emendas parlamentares e possível tráfico de influência em tribunais. Os policiais cumpriram quatro mandados de busca e apreensão no Distrito Federal e em São Paulo. A ação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).
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Segundo os investigadores, os alvos da operação teriam negociado o "pagamento de valores expressivos, condicionados ao resultado de processos em curso, a pretexto de influir em decisões judiciais".
Ou seja, para a PF, o deputado Cezinha "vendia" uma suposta influência sobre magistrados – incluindo ministros do STF –, numa relação que passaria a ideia de que ele tinha interferência em decisões judiciais.
Entre os crimes apurados pela Operação Transparência estão exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Em nota, a defesa de Cezinha de Madureira afirmou que os fatos serão devidamente esclarecidos no devido processo legal, com a demonstração de que nenhuma irregularidade foi cometida. "Cezinha de Madureira está à disposição das autoridades e prestará todos os esclarecimentos necessários", diz o texto.
Ligação com crise no STF
A operação ocorreu em meio à crise no Supremo Tribunal Federal entre os grupos de ministros ligados a André Mendonça e a Alexandre de Moraes.
Cezinha de Madureira é próximo a Mendonça, e, em 2025, teria atuado como intermediador de um encontro entre o ministro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
Já o ministro Flávio Dino, na decisão desta segunda-feira, apontou haver indícios de que Cezinha "aparenta utilizar a ascendência de sua função parlamentar para incutir em terceiros a percepção de influência sobre magistrados de tribunais superiores".
Apesar da citação de ministros e membros do alto escalão do Judiciário na investigação, a PF esclareceu que não há elementos que indiquem aceitação ou recebimento de vantagem indevida por juiz ou ministros de tribunais, tampouco indícios de que os profissionais agiram de forma irregular.
"Os magistrados nominalmente referidos nos diálogos comparecem nestes autos exclusivamente como destinatários cogitados da influência anunciada pelos investigados – vale dizer, como elemento descritivo do tipo penal –, e jamais como suspeitos", esclarece a representação da PF.
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