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Tuesday, September 15, 2026

Análise: A crise do STF e o preço da reputação internacional do Brasil

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A inserção internacional de um país se dá também por meio de sua reputação, da maneira como ele é visto pelos demais países e daquilo que projeta no exterior, para o bem e para o mal, tanto no que há de virtuoso quanto no que há de vicioso.

Um país como, por exemplo, a Coreia do Norte, não tem muito a acrescentar ao mundo em termos de economia ou de aspectos transnacionais. Tem, sim, em termos de desestabilização. Tem a bomba atômica e pode causar confusão em sua região próxima, envolvendo Japão, China, Rússia e Coreia do Sul.

Enfim, é conforme o atributo que um país tem que ele é percebido. E, ao ser percebido, estabelece relações naquele nível, sejam elas virtuosas ou viciosas.

O caso do Brasil, com todo esse evento envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal), é um elemento muito tóxico para a nossa projeção externa.

De fato, o Brasil se notabilizou, nas últimas décadas, sobretudo nas últimas décadas e meia, por aspectos nefastos, por aspectos tóxicos de sua projeção externa.

A Lava Jato foi um grande esquema de corrupção, de organização da corrupção, que envolveu vários países da América Latina e da África. Depois, o crime organizado de extração brasileira, como o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho), igualmente se transformou em um grande empreendimento externo brasileiro que passou a representar problemas transnacionais.

E agora temos a questão do Poder Judiciário brasileiro, que espelha para o mundo a sua ineficácia, a sua incapacidade de lidar com seus próprios problemas e de lidar com os problemas do Brasil.

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Que investidor quer vir para um país em que a Corte Constitucional não dá as respostas necessárias, não tem credibilidade e no qual há claros indícios de corrupção, de descaminho, de malfeito?

O Brasil precisa se mostrar confiável. E essa confiabilidade começa pelas instituições mais básicas, pela Justiça, pela capacidade de seu sistema judiciário de resolver problemas, respeitar contratos e dar conta das disputas que os investidores, os aplicadores e, enfim, as pessoas que acreditam na economia brasileira e em toda essa gama de atividades apresentam em relação ao nosso país.

Também é preciso que as pessoas acreditem no sistema de Justiça brasileiro.

Portanto, quem pensa que a questão do Supremo é uma questão isolada, de interesse apenas do Brasil e que afeta as eleições, está meio certo.

A outra questão, a outra meia-verdade, é que isso afeta enormemente a nossa projeção externa e a nossa credibilidade.

Isso degrada o preço geral da economia brasileira, faz com que investimentos não venham para cá e reduz o bem-estar da população.

É preciso compreender, portanto, que a questão do Supremo não se limita à política interna. Ela tem consequências para a forma como o Brasil é percebido internacionalmente, para a confiança que o país transmite e, consequentemente, para sua capacidade de atrair investimentos.

O Brasil precisa ser confiável. E essa confiabilidade passa, necessariamente, pela qualidade e pela credibilidade de suas instituições.

*Alberto Pfeifer é coordenador-geral do grupo de Defesa, Segurança e Inteligência da USP (Universidade de São Paulo) e pesquisador de Geopolítica do Insper Agro Global. Foi diretor de Projetos Especiais e de Assuntos Internacionais Estratégicos da Presidência da República. Este texto foi transcrito em primeira pessoa de análise em vídeo para o WW.

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