Priscila Sol: 'A síndrome do ninho vazio não se compara ao puerpério'

Priscila Sol, de 46 anos, está dedicada a um projeto de uma websérie vertical voltada para uma questão que viveu em sua vida pessoal. Mãe de Vitor Abate, de 23 anos, a atriz conta que viveu a "síndrome do ninho vazio" e quis abordar o tema em uma obra de ficção, intitulada Voa, filho! Mas manda a localização.
"O projeto tem argumento meu. Estamos com um piloto de cinco episódios gravados. É uma história que mostra a vida de uma mãe depois que filho decide sair de casa. Ela não sabe o que fazer com a vida dela", afirma Priscila, longe das novelas desde Carinha de Anjo, no SBT, quando interpretou a divertida Tia Perucas, e atualmente bem-resolvida com o cabelo naturalmente grisalho.
A ideia da websérie se deu depois da saída do filho de casa. "Passei pela síndrome do ninho vazio quando meu filho foi morar sozinho. Muito se fala sobre mães de crianças e mães de adolescentes, mas o maior desafio da maternidade foi ter me tornado mãe de adulto. A síndrome do ninho vazio não se compara ao puerpério. Não desejo que ninguém sofra o que eu sofri quando meu filho saiu de casa", afirmou em entrevista exclusiva para Quem.
De acordo com a atriz, ela e o filho já tinham passado um período separados -- quando ele fez um intercâmbio no Canadá. "Aos 20, ele saiu para fazer intercâmbio e ficou um ano e meio no Canadá. Quando ele voltou, eu estava no meio de um relacionamento com um cara bem mais jovem do que eu. Isso pegou para o Vitor. Ele não era contra o relacionamento, mas disse que não sabia lidar. Achei lindo da parte dele expressar isso. Ao mesmo tempo, eu não queria terminar um relacionamento porque meu filho queria", afirma Priscila, atualmente solteira.
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Priscila não esconde o orgulho do homem que o filho se tornou. "Até hoje, não encontrei um parceiro para o fim da minha vida – um homem com quem eu tenha uma relação de amizade, de parceria sexual e tudo mais –, mas criei um menino que vai ser isso para alguém. Melhor do que encontrar um cara foi ter criado um filho que vai ser bacana para uma mulher. Sinto que zerei o game", afirma ela, contando que mantém uma relação de amizade com Kauê Abate, pai do jovem. Os dois se separaram antes do filho completar 3 anos.
De acordo com a atriz, ela estabeleceu uma relação de diálogo aberto com Vitor. "Sempre quis conhecer os gostos dele, sem impor. Desde cedo, falei de assuntos difíceis com ele. Sempre falei com ele sobre drogas, maconha, sexo… Minha mãe sempre achou um absurso esses diálogos. Meu filho não tem vícios. O único vício dele é o futebol. Ele não bebe, não fuma, não aguenta a marofa da maconha. Eu já fumei maconha, inclusive com os amigos dele. Levei até bronca, né? Quando ele tinha uns 18, ele me falou: 'Por que você gosta de ser a legal da galera?'. Mas não tenho o hábito de fumar."
Questionada se o projeto Voa, filho! Mas manda a localização é autobiográfico, Priscila é categórica: "Não, não, não. É inspirado em um sensação que eu tive, mas não é autobiográfico porque iria expor o meu filho. Quis trazer questões-chave, como descobrir a primeira namoradinha, o dia que ele decide sair de casa, perguntas que passam na cabeça de uma mãe. Já que não me dão papéis para ser mães de adolescentes, eu vou fazer os meus projetos. O diretor Caco Souza teve interesse na história de contar a história de mães de adultos", dizela, que conta com a atriz Juliana Caldas no elenco.
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