Novata na política, Marina JHC sobe, lidera ao Senado e ameaça Renan e Lira


Ex-primeira-dama de Maceió, Marina JHC (PSDB) vem crescendo nas pesquisas e já é apontada como favorita a uma das duas vagas do Senado em Alagoas.
A subida tornou real a ameaça aos dois maiores líderes políticos do estado —o senador Renan Calheiros (MDB) e o deputado federal Arthur Lira (PP)—, que parecem fadados a disputar apenas uma cadeira na votação do próximo domingo (4).
Levantamento do instituto Paraná Pesquisas divulgado ontem aponta que a mulher do ex-prefeito e candidato ao governo do estado, João Henrique Caldas, o JHC (PSDB), ultrapassou ambos e está na liderança. A margem de erro é de 2,7 pontos percentuais, para mais ou para menos.
- Marina JHC - 45,6%
- Arthur Lira - 41,6%
- Renan Calheiros - 36,9%
- Davi Davino Filho (Republicanos) - 22,9%
- Dr. Wanderley (MDB) - 15,2%
A pesquisa não é a única a mostrar isso: a ascensão também foi medida pelo levantamento da Quaest, divulgado na sexta-feira passada, que apontou que Marina estava numericamente empatada com Arthur Lira, com 20%, e três pontos à frente de Renan Calheiros —mas todos empatados tecnicamente, já que a margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Na pesquisa RealTime Big Data, também da sexta-feira passada, ela registrou 23%, numericamente à frente de Renan (22%) e Lira (20%). A margem de erro é de 2 pontos neste caso.
Marina está na mesma chapa que Lira e costumam fazer atos juntos pelo estado.

Estratégia
Diante da subida de Marina e da consolidação nas intenções de votos em todos os levantamentos, a estratégia da campanha de Renan passou a focar ataques em Lira. Nos bastidores, entende-se que a subida de Marina nas pesquisas dificilmente será freada até o domingo.
Ontem, ele soltou no Instagram um vídeo com várias mulheres para pedir que o eleitor "não vote em agressor de mulher". O vídeo também está em inserções de rádio e TV.
A referência clara é a Lira, que foi acusado pela ex-esposa, Jullyene Lins, de a agredir em 2006 —algo que o parlamentar nega com veemência e que nunca gerou processo criminal.
Na segunda-feira, o TRE (Tribunal Regional Eleitoral) de Alagoas determinou a retirada de propagandas contra Lira veiculadas pelas campanhas de Calheiros e de Renan Filho (MDB), candidato ao governo.
Quem é a candidata
Marina é formada em direito e administração e nunca disputou cargo eletivo na vida. A campanha dela é focada justamente como "cara nova da política", com ataques constantes à família Calheiros.
Aos 35 anos, a cuiabana é neta do ex-vice-governador de Mato Grosso José Monteiro de Figueiredo (de 1971 a 1975), conhecido como "doutor Zelito", e veio morar em Maceió em 2020, após a primeira eleição de JHC para a prefeitura. O casal tem dois filhos: Maria Helena e José Henrique.
Por ser de outro estado, enfrenta críticas de adversários, que repetem o discurso de que ela não conheceria Alagoas suficientemente para ser senadora. Também citam a sua inexperiência em cargos públicos.
Desejo antigo
A candidatura de Marina era planejada há alguns meses: em janeiro, a coluna conversou com ela, que admitiu discutir a possibilidade com o marido, JHC. Entretanto, ela só foi confirmada no dia final para registro de chapas, quando ambos formalizaram seus nomes para a disputa.
Marina se destacou em aparições públicas ao lado do marido na prefeitura e com postagens de alto engajamento nas redes sociais —ela tem 532 mil seguidores no Instagram, bem mais que Lira (353 mil) e Renan (358 mil).

A campanha da candidata foi alvo de críticas por conta do uso da máquina municipal da saúde de Maceió. No último dia 4, a coluna contou que a foto da ex-primeira-dama estava sendo enviada por meio de um canal oficial do WhatsApp a pessoas que buscam serviços do programa Saúde da Gente, o maior da Secretaria Municipal de Saúde.
A prefeitura informou à época que a imagem "não era recente e tinha caráter exclusivamente institucional" e a retirou do sistema. A candidata não se pronunciou.
Para surfar na popularidade do marido, ela registrou sua candidatura com o nome Marina JHC.
Marina tem como primeira suplente a sogra, a senadora Eudócia Caldas (PSDB), que assumiu a vaga após a renúncia, em 2024, do então senador e hoje prefeito de Maceió, Rodrigo Cunha (Podemos).
Reportagem
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