Ataques de Israel matam ao menos nove pessoas no sul do Líbano
Ao menos nove pessoas morreram após ataques de Israel no sul do Líbano neste sábado (15), informou a agência estatal de notícias libanesa.
Sete pessoas morreram quando aviões de guerra de Israel atingiram uma casa no vilarejo de Ansar, no sul do país, enquanto outras duas morreram em um bombardeio ao vilarejo de Deir El Zahrani, segundo a NNA (Agência Nacional de Notícias, na sigla em inglês). Onze ficaram feridos devido aos ataques.
Os bombardeios estão entre os mais letais das últimas semanas, desde que Líbano e Israel concordaram com um acordo de paz mediado pelos Estados Unidos. O pacto mantém tropas israelenses dentro do sul ocupado do Líbano até que o Hezbollah seja desarmado e o Exército libanês assuma o controle —termos que o grupo apoiado pelo Irã rejeitou por considerá-los uma rendição.
"O acordo-quadro é uma ordem israelense escrita com tinta israelense e endossada pelas autoridades libanesas", disse o líder do Hezbollah, Naim Qassem, em um discurso nesta sexta-feira (14).
As Forças Armadas de Israel afirmaram ter atingido, durante a noite, estruturas do Hezbollah, no que descreveram como uma zona de segurança no sul do Líbano, em resposta a ações contra seus soldados. Entre os sete mortos em Ansar estariam 3 crianças e 2 mulheres, segundo a mídia local.
Autoridades libanesas condenam ataques
O presidente do Líbano, Joseph Aoun, afirmou que os ataques de Tel Aviv contra o sul do país foram uma "mensagem clara" sobre as negociações entre os dois países, antes da oitava rodada de conversas patrocinadas pelos EUA, prevista para o início de setembro, em Roma.
Aoun condenou os "contínuos ataques israelenses" contra o sul libanês e as "repetidas violações do acordo de paz e do direito internacional relativo à proteção de civis, que resultaram na morte de uma família inteira na aldeia de Ansar", segundo comunicado emitido pelo seu gabinete.
Lá Fora
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"Os mártires do ataque israelense ao vilarejo de Ansar não são ‘infraestrutura militar’, e as mulheres e crianças mortas na ofensiva não são alvos militares", afirmou o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, em uma publicação no X.
As Forças Armadas israelenses tomaram uma faixa do sul do Líbano durante a guerra contra o Hezbollah no início deste ano, desencadeada depois que o grupo disparou contra Tel Aviv dois dias após o início do conflito iniciado pelos EUA e Israel contra o Irã.
Durante uma visita ao sul do Líbano na quinta-feira (13), o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, disse que o país não se retiraria das áreas sob seu controle até que o Hezbollah fosse desarmado. Um funcionário do Departamento de Estado americano afirmou que uma presença militar israelense permanente na região não era compatível com os compromissos estabelecidos no acordo com o governo libanês.
No início de agosto, os dois países haviam retomado as negociações em Roma para tentar implementar o acordo de segurança firmado no fim de junho.
O entendimento prevê retiradas graduais das forças israelenses do sul do território libanês e a expansão do controle do Exército do Líbano sobre áreas de onde as tropas saíram. O Hezbollah voltou a rejeitar o processo, atacou o presidente Joseph Aoun e, pela primeira vez, admitiu a possibilidade de diálogo com as novas autoridades da Síria.
Pelo menos 4.300 pessoas morreram no Líbano na mais recente escalada das hostilidades, desde o dia 2 de março.
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