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Thursday, October 8, 2026

O mundo sobreviveu ao auge de Donald Trump

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez um discurso de vitória na Assembleia Geral da ONU.

Uma década depois de dizer a seus apoiadores, durante a campanha, que acumularia tantas vitórias que eles "talvez até se cansassem de vencer", apresentou uma lista de êxitos, entre eles a resolução de oito guerras, ações contra "o valentão do Oriente Médio" no Irã, um acordo com a Dinamarca sobre a Groenlândia e a prisão do "ditador fora da lei" Nicolás Maduro.

Para mérito de Trump, algumas dessas vitórias são significativas —uma paz frágil, mas importante, em Gaza e uma Venezuela que avança lentamente rumo às eleições pela primeira vez em mais de dez anos.

Mas seu discurso de vitória também revelou outra coisa: os limites cada vez maiores de seu poder à medida que ele entra na fase de "pato manco" de sua Presidência, enfrenta uma queda acentuada nos índices de aprovação e interage com líderes cujos mandatos se estenderão muito além do seu.

Antes a força mais poderosa e imprevisível do cenário internacional, Trump já ultrapassou o auge de sua capacidade de desestabilizar a ordem mundial.

As evidências do declínio da influência de Trump podem ser encontradas em suas principais prioridades: tarifas, a guerra no Irã e a fiscalização migratória.

Lá Fora

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No início deste ano, a Suprema Corte derrubou, por 6 votos a 3, o uso de poderes de emergência por Trump para impor tarifas.

Mesmo antes dessa decisão, Trump já havia se deparado com os limites de seu poder em sua breve guerra comercial com a China, quando tentou forçar o país a fazer concessões por meio de uma tarifa de 145%, mas acabou tendo de recuar para evitar graves danos à economia dos Estados Unidos, depois que a China respondeu com uma alíquota de 125% e suspendeu as exportações de minerais essenciais.

Agora, Trump não apenas moderou suas políticas em relação à Pequim, como reverteu quase por completo sua posição.

Uma demonstração é a recente visita do lider Xi Jinping a Washington, durante a qual o presidente o recebeu no aeroporto —a primeira vez desde 1962 que um líder americano ofereceu esse tipo de recepção em uma visita de Estado— e se dispôs a vender armas à China, em violação à legislação americana.

Quando o republicano tentou intensificar a pressão comercial sobre o Canadá, o primeiro-ministro Mark Carney respondeu com tarifas retaliatórias e uma nova estratégia.

Trump avaliou corretamente que tinha poder de pressão econômica sobre o Canadá —mais de 70% das exportações canadenses têm como destino os EUA—, mas subestimou o desequilíbrio entre ele, um líder impopular com apenas dois anos restantes de mandato, e Carney, que conta com a aprovação de mais de 60% dos canadenses —uma onda de apoio que provavelmente o manterá no cargo por muitos anos.

Agora, o Canadá tem ambições ainda maiores: estreitar os laços com a União Europeia e tentar atrair outros países, como Austrália e Reino Unido, para essa iniciativa.

O presidente americano encontrou limites semelhantes no Oriente Médio. Depois de tentar arquitetar uma rápida mudança de regime sem enviar tropas terrestres, o governo americano foi surpreendido pela tomada do estreito de Hormuz por Teerã e não conseguiu chegar a um acordo duradouro para reabri-lo.

A tarefa de Trump de pôr fim a essa guerra tornou-se mais difícil porque os iranianos já não confiam nos acordos com a Casa Branca —considerando a decisão de Trump de abandonar o acordo nuclear original de Barack Obama em seu primeiro mandato e, depois, atacar o Irã enquanto negociava ativamente um novo acordo em seu segundo mandato.

Como resultado, a estratégia do regime iraniano é esperar até que o republicano deixe o poder, na esperança de que a pressão econômica causada pelo fechamento do estreito e o enfraquecimento de seu capital político acabem por obrigá-lo a oferecer concessões maiores.

Embora Trump tenha tentado transmitir a mensagem de que não recuará —ameaçando "aniquilar" o país, enfatizando que uma derrota nas eleições de meio de mandato não alterará sua estratégia e enviando novas forças ao Oriente Médio—, o Irã não se deixou convencer.

No âmbito interno, as principais políticas de imigração de Washington também enfrentam resistência. No início deste ano, a Operação Metro Surge, em Minnesota, provocou violência e instabilidade em uma escala tão grande que Tom Homan, o responsável pelas fronteiras, teve de encerrar a iniciativa.

Agora, republicanos da Câmara e do Senado —muitos dos quais disputarão a reeleição em novembro e enfrentam perspectivas desfavoráveis por causa da queda nos índices de aprovação de Trump— estão rompendo com ele.

Até mesmo o senador Jim Justice, aliado de longa data do presidente e possível candidato ao governo da Virgínia Ocidental, afirma agora que as políticas migratórias do governo estão "fazendo algo errado".

Trump, é claro, continua sendo uma figura de peso no cenário mundial —no comando das Forças Armadas mais poderosas e da economia mais dinâmica do mundo, em uma época com poucas salvaguardas globais.

Mas o abismo entre suas ambições e suas capacidades está aumentando. Como resultado, o nível de risco global associado a Trump está diminuindo em todas as áreas, com uma única exceção: a inteligência artificial.

A IA é a exceção singular em que a capacidade de Trump de desestabilizar a ordem mundial está crescendo.

Sua decisão de descartar a regulamentação da IA para "vencer" a corrida contra a China, apesar dos incidentes de segurança cada vez mais frequentes documentados por empresas como OpenAI e Anthropic —desde tentativas de desenvolver armas biológicas com o uso de IA até ondas de ataques conduzidos por agentes governamentais sem controle—, torna praticamente certo que acabará surgindo uma crise da IA.

Uma crise desse tipo, assim como as ações de Trump no comércio, no Irã e na fiscalização migratória, sairá do controle de maneiras hoje imprevisíveis e evidenciará ainda mais os limites de seu poder nos anos finais de sua Presidência.

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