CNJ e PF fazem operação contra o desembargador Newton Ramos, citado no Caso Master

A operação foi determinada pelo corregedor do CNJ, ministro Benedito Gonçalves, e teve apoio da PF. Segundo investigadores, a Polícia Federal copiou arquivos do computador do desembargador. Ele não estava no gabinete no momento da operação. Newton Ramos não foi afastado do cargo e permanece com acesso aos sistemas da Justiça.
A ação é um desdobramento da apuração aberta pela corregedoria do CNJ sobre os processos do desembargador que envolvem precatórios do setor sucroalcooleiro. Investigações da Polícia Federal apontam que o escritório de advocacia da esposa de Newton Ramos, Camilla Ramos, firmou contratos de honorários relacionados a causas de interesse de empresas ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro, do Master.
As informações, incluindo a minuta do contrato de março de 2024, estão em um HD com os dados do celular de Vorcaro, enviado pela PF a ministros do STF. Se o escritório ganhasse todas as ações descritas no contrato, que somam R$ 8,5 bilhões, os honorários poderiam chegar a R$ 427 milhões. Nenhum pagamento foi feito até agora.
CNJ e PF fazem operação contra o desembargador Newton Ramos, citado no Caso Master — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução
O Conselho Nacional de Justiça tem 60 dias para analisar o material. O prazo pode ser prorrogado por mais 60 dias. O corregedor vai decidir se há elementos para propor a abertura de um processo administrativo disciplinar contra o desembargador. Neste caso, a decisão final será do plenário do CNJ.
Newton Ramos e a esposa, Camilla Ramos, são identificados em conversas de Vorcaro como integrantes da "Turma do KN". Segundo a PF, uma referência ao ministro do STF Kassio Nunes Marques, que também é citado em mensagens sobre uma reserva em hotel e de julgamento de precatórios no Supremo.
Na terça-feira (22), o ministro Kassio Nunes Marques disse, em nota, que nunca votou a favor de Daniel Vorcaro ou do Banco Master, nunca trocou mensagens com o banqueiro, nem pediu nada a ele. O ministro também afirmou que nunca autorizou ninguém a falar em nome dele.
Em nota desta quinta-feira (24), o desembargador Newton Ramos disse que permanece atuando e julgando normalmente os demais processos sob sua responsabilidade, e que está à inteira disposição do órgão para prestar todos os esclarecimentos necessários.
O Tribunal Regional Federal da 1ª Região afirmou que tem interesse no completo esclarecimento dos fatos e continuará colaborando com o CNJ e demais autoridades competentes.
O escritório de Camilla Ramos declarou que não recebeu qualquer pagamento, seja a título de pró-labore ou de êxito.
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