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Thursday, October 1, 2026

50 anos do Fundo de Quintal: ‘Credibilidade de quem criou o formato de como consumimos samba até hoje’

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Não precisa ser um bamba para saber que não existe roda de samba sem Fundo de Quintal. A verdade é que ali no Cacique de Ramos, no Rio de Janeiro, na década de 1970, quando nasceu o grupo, nasceu também o jeito certo de pagodear: em pé, em torno da roda, no meio do povo, na palma da mão. E, para nossa sorte, Fundo de Quintal está aí há 50 anos, fazendo exatamente aquilo que diz o verso do compositor: “Samba, a gente não perde o prazer de cantar”.

“Todo mundo tem uma história com o Fundo de Quintal, todo mundo conhece alguma música, e nós estamos aí, há 50 anos, vendo a nossa música passar de geração para geração, de pai para filho, sempre com essa alegria”, conta Sereno, membro fundador do grupo em 1976 e inventor do tantã, que segue na estrada com Junior Itaguay, Ademir Batera, Marcio Alexandre e Tiago Testa.

Fundo de Quintal no Cacique de Ramos — Foto: Reprodução/Instagram
Fundo de Quintal no Cacique de Ramos — Foto: Reprodução/Instagram

Enquanto Sereno faz questão de reforçar que o amor ao ofício é o segredo da longevidade do grupo, Marcio Alexandre, um dos representantes da nova geração do Fundo, recorda uma história marcada por luta e suor.

“Serenão é assim, sempre com esse sorriso, falando da alegria, mas temos que lembrar que o Fundo de Quintal tem uma história marcada pela resistência. Tem a batalha cotidiana, que é a luta da estrada, de estar longe da esposa, dos filhos, de estar há tanto tempo trazendo felicidade para o público, mas perdendo momentos importantes com a família. Tudo isso faz parte”, diz o cantor e cavaquinista.

Capa do álbum Samba É No Fundo de Quintal - Volume 2, de 1981 — Foto: Reprodução/Instagram
Capa do álbum Samba É No Fundo de Quintal - Volume 2, de 1981 — Foto: Reprodução/Instagram

“Há 50 anos, o Fundo de Quintal faz samba, faz Música Popular Brasileira, ainda que tenha tanta gente que ainda desmereça. E faz isso desde os anos 1970, em plena Ditadura Militar, quando ser sambista não era uma coisa bem-vista”, defende Marcio Alexandre, que fala como quem sabe que carrega uma responsabilidade imensa por trás do legado.

Como parte das celebrações do cinquentenário do grupo em 2026, paulistas e turistas do Brasil e do mundo podem experimentar a verdadeira experiência de uma roda de samba no novo Bar Brahma Paulista, no cruzamento da Luís Coelho com a Bela Cintra, inaugurado em julho passado no bairro da Consolação, em São Paulo. Toda sexta-feira, até o fim do ano, o Fundo de Quintal é quem comanda a batucada regada a chope e petiscos.

Roda de samba no Bar Brahma Paulista, nova filial do clássico boteco paulistano — Foto: Tiago Jardim/Divulgação
Roda de samba no Bar Brahma Paulista, nova filial do clássico boteco paulistano — Foto: Tiago Jardim/Divulgação

A nova filial do clássico boteco paulistano, marco da boemia, tem como objetivo atrair dois públicos distintos: o grupo de admiradores do bar, frequentadores assíduos da matriz, localizada no famoso cruzamento da Ipiranga com a São João, e os clientes ocasionais, que circulam pela região atrás de fechar negócios ou passear pela região da Paulista. Para isso, aposta em três pilares estratégicos: chope, tradição e música.

“Ter o Fundo de Quintal na programação todas as sextas até o final do ano, mais do que apresentar um nome nacionalmente conhecido, traz a credibilidade de quem criou o formato há 50 anos, de como consumimos samba até hoje”, explica Anderson Camorra, diretor artístico da Fábrica de Bares, responsável pela gestão e programação das apresentações de música ao vivo nas casas do grupo.

Novo Bar Brahma Paulista tem o samba como pilar musical — Foto: Tiago Jardim/Divulgação
Novo Bar Brahma Paulista tem o samba como pilar musical — Foto: Tiago Jardim/Divulgação

Samba é o pilar musical da unidade recém-inaugurada que, nas palavras de Camorra, é mais do que um simples gênero, mas uma “filosofia de vida” e conservá-lo “estanque” permite que outros objetivos sejam priorizados, como manter a casa aberta todos os dias semana, até às 5h, o que envolve planejamento e recursos. “O primeiro maior desafio é a constância, ou seja, a regularidade: ser leal a essa proposta de valor. O segundo maior desafio é comunicar isso às pessoas e fazer com que os notívagos boêmios da cidade que não dorme saibam disso”.

Se depender do Fundo de Quintal, o que não vai faltar é público no novo ponto. Com um repertório repleto de clássicos como O Show Tem que Continuar, Eu Não Quero Mais, Lucidez, A Amizade, Vai Lá, Vai Lá e Doce Refúgio, o grupo dá o start perfeito para o fim de semana, mostrando por que foi a escola de grandes mestres como Bira Presidente, Ubirany, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Almir Guineto, Sombrinha e muito mais.

Jorge Aragão foi celebrado na página oficial do Fundo de Quintal — Foto: Reprodução/Instagram
Jorge Aragão foi celebrado na página oficial do Fundo de Quintal — Foto: Reprodução/Instagram

Ademir Batera acredita que podem vir aí mais 50 anos: “Com certeza! Para isso a gente tem essa molecada que está aí no grupo, que tem a responsabilidade de levar adiante o Fundo de Quintal. Essa história agora será escrita por eles”, afirma. Ainda como parte dos festejos do cinquentenário, eles não poderiam deixar de se apresentar também no Rio de Janeiro, berço do grupo e do próprio samba.

No dia 18 de outubro, a Cidade do Samba, na Gamboa, recebe o “Todo Mundo Canta Fundo”. “Será um show para celebrar a nossa história, trazendo clássicos de diferentes épocas, com participação especial do Péricles e também dos grupos Fruto do Pé e Terreiro de Crioulo”, revela Junior Itaguay. Questionado se existem planos para transformar o show em um audiovisual, ele faz mistério: “Ah, um projeto dessa grandiosidade, bem que merece alguma coisa. Vamos aguardar”.

Fundo de Quintal completa 50 anos de existência em 2026 — Foto: Reprodução/Instagram
Fundo de Quintal completa 50 anos de existência em 2026 — Foto: Reprodução/Instagram

Serviço:

Fundo de Quintal no Bar Brahma Paulista
Quando: Todas as sextas, às 22h30 (Horário para acomodação na mesa até às 21h)
Onde: Bar Brahma Paulista, Salão Principal, R. Luís Coelho, 379, Consolação, São Paulo (Aberto de segunda a domingo, das 11h às 5h)
Quanto: R$ 120 (couvert artístico individual). Comidas e bebidas são cobrados à parte.
Informações: Site do Total Acesso e @barbrahmapaulista

Todo Mundo Canta Fundo – Edição 50 Anos
Quando: 18 de outubro de 2026, a partir das 13h
Onde: Cidade do Samba, Rua Rivadávia Corrêa, 60, Centro, Rio de Janeiro
Quanto: Últimos ingressos de R$ 25 (pista, dois ou mais) até R$ 190 (Open Beer) + 1 kg de alimento não perecível + taxas.
Informações: Sympla e @grupofundodequintal

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