Marjorie Estiano fala sobre Ângela Diniz: 'A gente ainda morre aos montes'

A produção revisita o caso que chocou o país em 1976, quando a socialite Ângela Diniz foi assassinada pelo então companheiro, Raul Fernando do Amaral Street, o Doca Street, em Búzios (RJ). O crime ocorreu após Ângela decidir se separar de Doca.
O episódio ganhou repercussão nacional não apenas pela violência do crime, mas também pelo julgamento que se seguiu: a defesa de Doca tentou justificar o assassinato com o argumento da "legítima defesa da honra", culpando a vítima por sua própria morte. O caso se tornou um marco na luta contra o feminicídio.
Estiano afirmou que "mudar a mentalidade é difícil pra caramba" e que, para avançar, é preciso juntar diferentes frentes. Segundo ela, "a gente precisa se valer da lei, da educação, da casa, da cultura", porque são elementos que precisam agir juntos.
A atriz também disse que a reeducação é um processo constante e que alguns temas voltam em ciclos. "A nossa educação é cíclica, ela é espiral, a gente precisa voltar o tempo inteiro e se reeducar", comentou, ao defender que o assunto siga em pauta.
Na entrevista, Estiano sustentou que a discussão passa por entender como certos comportamentos parecem "naturais" até serem questionados. Ela citou, por exemplo, que "olhar ao redor e ver só homens era natural" e que hoje isso "chama muita atenção".
Ao detalhar a preparação para interpretar Ângela Diniz, Estiano disse que foi o papel em que mais se dedicou. Ela contou que passou meses estudando o tema e que o processo mexeu com a própria percepção de liberdade.
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