"Há margem para subir juros que bancos pagam nos depósitos"

As taxas de juro pagas pelos bancos aos depositantes em Portugal “permanecem muito mais baixas do que noutros países europeus” e “há margem para [os bancos poderem] subir as taxas de juro” dos depósitos, afirmou Álvaro Santos Pereira, governador do Banco de Portugal, indicando que “os supervisores estão a trabalhar” no tema da remuneração dos depósitos e haverá “novidades em breve” sobre este tema.
Falando na abertura de uma conferência organizada pelo Diário de Notícias em que tinha na plateia os principais banqueiros portugueses, Álvaro Santos Pereira defendeu a importância de os bancos encontrarem formas de remunerar melhor os depósitos bancários, já que é importante para o estímulo da poupança e para o financiamento das empresas e das famílias.
“Há margem para nós podermos subir as taxas dos depositantes e há margem para aumentar os incentivos à poupança”, afirmou o governador do Banco de Portugal, lembrando que a “inflação tem estado sistematicamente acima das taxas dos depósitos a prazo, ou seja, há perda de poder de compra“.
“Achamos que é importante que se tome atenção a isto”, frisou, acrescentando que “os supervisores financeiros estão a trabalhar nesse assunto e teremos em breve novidades sobre essa matéria“.
Por outro lado, Álvaro Santos Pereira repetiu a ideia, que já tinha defendido noutras ocasiões, de que o setor bancário português “está hoje numa posição muito melhor e mais robusta do que estava há uma década“. E números como o rácio de capital (core tier 1) médio superior a 18% “confirmam essa robustez”.
Os bancos portugueses, sobretudo os maiores, têm, também, uma rentabilidade que é superior aos bancos de outros países, “de longe“. Ao mesmo tempo, os empréstimos bancários têm tido um aumento bastante expressivo”, o que levou o Banco de Portugal a rever as regras macroprudenciais (os limites à taxa de esforço, entre outras mudanças) “porque se quer que a estabilidade financeira seja um apanágio” em Portugal, afirmou Santos Pereira.
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