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Thursday, October 1, 2026

Antes de caso com Aparecida, Flavio procurou católicos e não obteve apoio

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Em resposta, a CNBB disse que não produziu nem autorizou a divulgação de informações falsas sobre o processo eleitoral. "A mentira não se combate com outra mentira", asseverou a entidade.

Os autores do estudo acompanharam variadas tentativas de aproximação de Flávio a líderes católicos ao longo da campanha.

Constataram que, em alguns casos, ele chegou a ser recebido. Mas não apoiado em sua empreitada eleitoral.

Depois do episódio com Aparecida, nenhuma liderança expressiva do segmento católico acompanhado pelo estudo saiu em defesa de Flávio.

"Flávio pode herdar redes de acesso, temas e referências do conservadorismo católico, mas não necessariamente as relações de confiança e a capacidade de mobilização construídas pessoalmente por Jair Bolsonaro", afirmam os pesquisadores Ana Carolina Marsicano, Andrea Laís, Flávio Conrado e Lorena Mochel.

O ex-presidente Bolsonaro se declara católico, mas tem boa entrada em segmentos evangélicos, facilitada pela esposa, Michelle Boslonaro (PL), fiel da Igreja Batista de Atitude. Tanto Michelle quanto Flávio frequentam a Igreja Comunidade das Nações, cujo pastor JB Carvalho tem um livro no qual dedica diversas páginas a desabonar Nossa Senhora Aparecida.

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Diferentemente do pai, contudo, Flávio não navega tão bem em outros segmentos cristãos.

Fenômeno digital, Frei Gilson foi cortejado pela campanha presidencial do senador em diversas frentes.

Aliados de Flávio tentaram articular uma aliança para que a deputada Simone Marquetto (PP-SP) ocupasse a vaga de vice na chapa, justamente por sua proximidade com o frei, mas a iniciativa não prosperou.

Houve também contatos com líderes católicos que pudessem servir de ponte. Até agora, contudo, Frei Gilson não declarou pública e explicitamente apoio a Flávio.

Outro exemplo é o do padre Reginaldo Manzotti.

Influente entre segmentos do catolicismo conservador, o sacerdote foi em 2022 um dos responsáveis pelo caldo religioso construído ao redor de Jair Bolsonaro em sua tentativa de reeleição.

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Manzotti favoreceu a circulação de repertórios fortemente críticos à esquerda e a pautas progressistas nas redes sociais, onde tem forte presença.

Flávio o encontrou em Curitiba em uma agenda voltada ao público católico, mas, ao contrário do que fez com o pai, o sacerdote não declarou apoio eleitoral ao filho.

O relatório cita o influente padre Paulo Ricardo, cujo "silêncio público funciona como um indicador qualitativo das dificuldades da sucessão no campo religioso".

Bispo de Formosa (GO), dom Adair José Guimarães, é conhecido por posições públicas conservadoras e por críticas ao tratamento dado aos presos do 8 de Janeiro.

Por esse histórico, entrou no radar da campanha de Flávio que tentou aproximação formal em 2026 e avaliou a realização de um ato religioso com sua presença, de acordo com as pesquisadoras.

"O caso é relevante por mostrar que a estratégia de Flávio não se limita a reativar vínculos construídos por Jair Bolsonaro: ela também procura incorporar novas lideranças conservadoras capazes de oferecer legitimidade simbólica e acesso a redes católicas. Dom Adair representa, assim, um exemplo de interlocução potencialmente estratégica", dizem.

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No entanto, não houve declaração pública do bispo de apoio eleitoral até agora.

A mesma cautela foi constatada na postura de influenciadores e organizações como Bernardo Küster, Católicos de Verdade e Controvérsia Católica.

"Todos compartilham pautas ou referências próximas ao campo político no qual a candidatura se insere. Até o momento, porém, essa proximidade não permite classificá-los automaticamente como apoiadores formais", observam as autoras.

Küster, por exemplo, pertence ao campo bolsonarista e fez comentários sobre a candidatura, mas não foi localizada declaração inequívoca de apoio eleitoral.

No caso da Católicos de Verdade e Controvérsia Católica, "tampouco foram identificadas manifestações institucionais suficientemente claras que permitam falar em endosso".

As autoras dizem que a sucessão de Bolsonaro pelo filho oferece até uma gramática poderosa no campo religioso.

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"Nas tradições bíblicas, a figura do primogênito está associada à transmissão da herança e à responsabilidade pela continuidade da família. No entanto, a transmissão da herança não equivale à transmissão da autoridade. No caso de Flávio Bolsonaro, essa diferença permite compreender um dos principais desafios da construção de sua identidade político-religiosa: transformar uma missão herdada em uma autoridade que possa ser reconhecida como própria."

Nuances e detalhes sugerem dificuldades de identificação religiosa

Ao longo da pesquisa, as autoras notaram detalhes que podem ter contribuído para os percalços de Flávio Bolsonaro na identificação de sua imagem com o campo religioso, inclusive entre segmentos evangélicos.

Em sua viagem a Israel, Flávio apareceu no Muro das Lamentações usando uma quipá, indumentária tradicional judaica, ao fazer uma oração.

Na cena era possível reparar que o candidato lia a reza pelo celular.

"O conjunto reúne símbolos fortemente reconhecíveis por segmentos evangélicos, especialmente aqueles que atribuem valor religioso à Terra Santa e a referências judaico-cristãs. Ao mesmo tempo, a cena permite observar uma tensão entre a presença de signos religiosos e a demonstração de uma experiência religiosa incorporada", escrevem.

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"Em tradições nas quais oração, testemunho e espontaneidade constituem importantes formas de expressão da fé, a leitura de uma oração previamente escrita pode produzir sentidos diferentes daqueles pretendidos pelo candidato."

Não se trata de questionar a legitimidade da oração, salientam, mas "compreender como o gesto é percebido por aqueles que compartilham os códigos religiosos mobilizados".

A música é outro aspecto observado. O canto coletivo é uma forma poderosa de formar o senso comunidade dentro de uma igreja e pressupõe familiaridade com repertórios compartilhados.

Na Marcha para Jesus e, dias depois, em um culto da Assembleia de Deus em Belém, Flávio apareceu cantando uma mesma música, o "Hino da Vitória", de Cassiane.

"A repetição do mesmo louvor em diferentes aparições públicas pode, portanto, ser compreendida como uma estratégia de aproximação com esse universo. Ao mesmo tempo, torna visível a seletividade do repertório mobilizado e abre uma questão sobre os limites entre familiaridade demonstrada e familiaridade incorporada", apontam.

Reportagem

Texto que relata acontecimentos, baseado em fatos e dados observados ou verificados diretamente pelo jornalista ou obtidos pelo acesso a fontes jornalísticas reconhecidas e confiáveis.

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