Liniker: "Minha rede de apoio e afeto me fez olhar para mim com carinho e me perceber uma potência"
Liniker vive o seu melhor momento profissional. Chegando ao fim da era Caju, que lhe trouxe aclamação nacional, a artista, de 31 anos, acaba de viver um marco que poderia parecer distante há poucos anos: sua primeira Semana de Moda de Paris. Ela foi uma das quatro brasileiras na passarela do Le Défilé de L'Oréal Paris, marca da qual é embaixadora e que promove o desfile-manifesto que abre a fashion week francesa.
"Estou muito feliz! Foi uma experiência maravilhosa e é sempre bom estar em Paris. Estou feliz por esse convite tão especial e também pela minha trajetória com a marca ter me permitido viver experiências tão maravilhosas", diz a cantora em entrevista exclusiva à Quem direto da capital francesa. Taís Araujo, Anitta e Bella Campos completaram o time, marcando a maior presença brasileira no evento até então.
Família e Autoestima
Ao lado da estreia, Liniker também viveu uma conquista bem pessoal: essa foi a primeira viagem internacional de sua mãe, Ângela. "Isso foi muito especial, porque minha mãe e minha tia saíram do Brasil pela primeira vez. Paris é um lugar que está no imaginário de tantas pessoas e é uma alegria imensa poder hoje proporcionar esse lugar para elas".
Ela conta que a relação que tem com as mulheres da família é um dos pilares para a construção da própria autoestima. "Acho que a análise, a terapia e as relações com as mulheres da minha família, com minhas amigas e com as pessoas da minha rede de apoio e afeto foi o que me fez olhar para mim com carinho e me perceber sendo uma potência, me permitindo ser tudo que eu pudesse ser sem me diminuir".
Para viver tudo isso, a cantora paulista diz que se preparou mentalmente para "entender que ia viver um momento muito especial da minha vida, encontrar pessoas muito importantes no mundo". "Foi uma experiência para guardar para sempre na memória", diz.
Fim da era Caju
Tudo isso acontece em meio à turnê de despedida de seu segundo álbum solo e quarto da carreira de Liniker. Apesar de já estar na estrada há mais de 10 anos, com esse trabalho ela atingiu novos patamares na indústria, o que inclui três Grammy Latino, estádios lotados, novos contratos publicitários e um nível de fama que ainda não havia experimentado.
"Esperava que tomaria uma grande proporção, porque construí esse disco com muito carinho, atenção e principalmente me colocando num lugar muito disponível a viver tudo que me atravessasse nesse processo. Então, isso é meio reflexo de que quando a gente cuida de algo; quando a gente manifesta algo que queremos muito, as coisas de fato podem acontecer e Caju é a demonstração viva disso", reflete.
"Caju mudou a forma como eu me vejo na indústria, como me vejo pessoalmente e a proporção de público em relação ao meu trabalho, então eu ando muito feliz"
Ela conta ainda que a era a transformou (e segue transformando) em diversos aspectos diferentes: "Mudou a forma como eu me vejo na indústria, a forma como eu me vejo pessoalmente e a proporção de público em relação ao meu trabalho, então eu ando muito feliz. Acho que isso me trouxe muita felicidade".
Ainda sem planos para o que vem depois do último show da turnê, Liniker diz que a atenção extra que passou a receber é o tipo de coisa que requer cuidado. "Tento me proteger e não perder minha personalidade, nem perder minha humanidade. Entender que isso é o reflexo de um trabalho e que meu ofício é o meu trabalho; é uma construção que eu pratico diariamente desde quando comecei a fazer música".
Novo visual
Diante de tantos acontecimentos, Liniker coroou o momento com um novo visual e mudou o cabelo pouco antes de embarcar para Paris. "Queria uma coisa mais selvagem, mais voraz. Parafraseando Caju: mais disruptiva. Acho que esse é um cabelo volumoso, que tem uma atitude e me dá um outro jeito", diz.
"Acho que essa é uma cor que ficou muito bonita no meu tom de pele, parece que eu sou toda monocromática. Eu adorei essa mudança!", completa. Rosto de uma marca de cosméticos, ao ser perguntada se se vê como ícone de beleza, brinca: "Não sei, acho que seria um pouco presunçoso eu dizer isso. Me acho bonita, mas um ícone, acho que quem tem que dizer são as pessoas".
Confira a entrevista:
Foi sua primeira vez desfilando em Paris no Le Défilé. Teve alguma preparação especial, física ou mental?
Mais mental, mesmo. Entendi que ia viver um momento muito especial da minha vida, encontrar pessoas muito importantes no mundo e, principalmente, fui disponível a me divertir muito. Foi uma experiência para guardar para sempre na memória.
Essa é a primeira viagem internacional que você fará com a sua família. Como tem sido para você e pra elas esse momento?
Muito especial, porque minha mãe e minha tia nunca tinham saído do Brasil. Paris é um lugar que está no imaginário de tantas pessoas e é minha alegria imensa por poder hoje proporcionar esse lugar para elas.
Por outro lado, não é a sua primeira vez em Paris. O que que você mais gosta de fazer na cidade?
Adoro andar de bicicleta! Tem uma loja de cadernos e tintas onde sempre compro umas coisas -- gosto de desenhar, então toda vez que eu vou em Paris, tento ir lá... Tem a Galeries Lafayette e adoro comer bem em Paris! Adoro comer croissant.
Você mudou o cabelo recentemente. Por que você decidiu mudar e por que escolheu essa cor?Porque eu queria uma coisa mais selvagem, uma coisa mais voraz. Parafraseando CAJU: mais disruptiva. Acho que esse é um cabelo volumoso, que tem uma atitude e me dá uma um outro jeito e acho que essa é uma cor que ficou muito bonita no meu tom de pele, parece que eu sou toda monocromática. Eu adorei essa mudança!
Você se vê como um ícone da beleza?
Não sei, acho que seria um pouco presunçoso eu dizer isso. Me acho bonita, mas um ícone, acho que quem tem que dizer são as pessoas.
Um dos pilares do Le Défilé é a autoestima feminina e a sua autoestima é algo admirável de se ver. Grandona e sem medo mesmo. Como construiu e nutre ela?
Acho que a análise, a terapia e as relações com as mulheres da minha família, com minhas amigas e com as pessoas da minha rede de apoio e afeto foi o que me fez olhar para mim com carinho e me perceber sendo uma potência, me permitindo ser tudo que eu pudesse ser sem me diminuir.
Você está se despedindo da era CAJU em grande estilo. Quando criou o álbum, esperava que ele tomaria essa proporção?
Esperava, porque construí esse disco com muito carinho, atenção e principalmente me colocando num lugar muito disponível a viver tudo que me atravessasse nesse processo. Então, isso é meio reflexo de de quando a gente cuida de algo; quando a gente manifesta algo que queremos muito, as coisas elas de fato podem acontecer e CAJU é a a demonstração viva disso.
E como que essa era mudou a sua carreira e a sua vida?
Está mudando ainda. Esse disco mudou a forma como eu me vejo na indústria, a forma como eu me vejo pessoalmente e a proporção de público em relação ao meu trabalho, então eu ando muito feliz. Acho que isso me trouxe muita felicidade.
CAJU também te deixou ainda mais famosa. Como você tem lidado com o bônus e o ônus da atenção extra que passou a receber?
Isso é o tipo de coisa que requer muito cuidado, porque a exposição é de fato gigantesca, mas, ao mesmo tempo, tento me proteger e não perder minha personalidade, nem perder minha humanidade. Entender que isso é o reflexo de um trabalho e que meu ofício é o meu trabalho, é uma construção que eu pratico diariamente desde quando comecei a fazer música. Então, é tentar não perder o eixo e não sair da casinha e entender também algo que é importantíssimo: quanto mais se cresce, mais importante é ter os pés no chão.
E após o fim da era, já está planejando algo novo?
Ainda não, mas assim que eu souber, vocês vão ser os primeiros a saber.
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