Bessent Foi Atrás do Dinheiro Sujo

Decorreu na semana passada a reunião anual do FMI e do Banco Mundial em Banguecoque mas a cadeira mais eloquente para a narrativa foi a do Secretário do Tesouro Americano.
Scott Bessent ficou em casa por “compromissos internos”.
Mesmo sem estar presente foi o protagonista na sala em toda a linha.
O Tesouro Americano aparentemente, e pela primeira vez em décadas, está-se marimbando para o que o FMI e o BM têm para dizer. Bruxelas mais uma vez leu desdém por parte da administração Trump. A City de Londres e Wall Street leram nas entrelinhas: convém prestar muita atenção ao que os EUA têm para dizer. Ou…
No dia 13 de outubro, em plena semana da reunião, e sem que os media regimentais dessem alguma importância, o Tesouro anunciou mais de 1,2 mil milhões de dólares em multas ao Bank of America, o segundo maior banco dos Estados Unidos.
A terceira maior sanção da história do Tesouro.
O banco não reportou a tempo mais de 5 mil milhões de dólares em transações suspeitas, mais de mil milhões pelos sinais das redes chinesas de branqueamento de capitais e com ligação à fronteira com o México. O BofA admitiu ter violado a lei de forma deliberada.
Segundo o próprio comunicado, o banco privilegiou as receitas e poupou nos controlos, entregando a deteção do crime às polícias e aos outros bancos. Estava sob uma ordem de cessação desde dezembro de 2024, ainda no tempo de Biden, e que obrigava o Banco a pôr ordem no seu programa de combate ao branqueamento de capitais.
Não a cumpriu.
Para Bessent ninguém está acima da Lei, incluindo as maiores instituições financeiras do país.
Hayek passou a vida a ensinar que o Estado de Direito é a lei geral, igual para o merceeiro e para o banqueiro.
Em 2008, este mesmo banco recebeu 45 mil milhões de dólares do TARP (o programa de resgate lançado após a falência do Lehman Brothers). Lucros privados, riscos socializados e, quando a lei aperta, uma multa paga como custo de exploração.
Não é capitalismo, é compadrio com licença bancária.
Do púlpito de Banguecoque, Kristalina Georgieva foi pregando a homilia globalista: a dívida americana é alta demais, o crescimento não chega, são necessárias “medidas”.
Georgieva passou a vida inteira entre o Banco Mundial, a Comissão Europeia e o FMI, cargo para o qual foi preciso remover o limite de idade dos estatutos. É, na linguagem de Buchanan, a burocrata perfeita. E as “medidas” conhecemo-las bem: em 2011 a troika trouxe impostos brutais e deixou um Estado do mesmo tamanho. A austeridade do FMI nunca foi a de Mises, que pedia menos Estado. Foi sempre a do cobrador.
A resposta de Bessent chegou por escrito a 14 de outubro, e é um programa em três pontos.
Primeiro, o crescimento. Os Estados Unidos querem construir um consenso internacional em torno do crescimento como condição da prosperidade duradoura. Exatamente o oposto da tese de Georgieva.
Segundo, a moeda. Bessent exige ao FMI que analise o papel das práticas fora do mercado e das taxas de câmbio nos desequilíbrios externos, e avisa que, se o Fundo não usar a sua voz, arrisca ficar à margem.
Terceiro, a energia. Bessent criticou o Fundo de Resiliência e Sustentabilidade do FMI, o financiamento climático sem ligação à balança de pagamentos, e exigiu ao Banco Mundial que retire formalmente a proibição de financiar petróleo e gás.
Aproveitou para anunciar uma primeira contribuição americana para um fundo de apoio à energia nuclear.
Enquanto Banguecoque discutia como travar a América, a América cresce. A 11 de outubro, Peter Navarro apresentou mais de 500 projetos industriais e 380 mil milhões de dólares de investimentos anunciados desde janeiro de 2025.
A dívida não se paga com sermões. Paga-se em base tributável: fábricas abertas, camiões na estrada, energia barata, moeda honesta e bancos que não lavam o dinheiro dos cartéis.
Os profetas da desgraça garantem que a 3 de novembro Trump perde as duas câmaras. Pode acontecer, ou não, mas os media regimentais já deram o resultado por certo, ou pior, participam convictos de que assim contribuem para que o indesejável não aconteça.
O operário do Ohio que voltou à fundição reaberta, e que ouviu finalmente que um grande banco vai pagar pelos seus pecados de sempre, talvez tenha uma opinião diferente da de Kristalina Georgieva.
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