Care Plus compra fatia da Beep Saúde e amplia aposta no atendimento domiciliar
São Paulo A Care Plus, operadora de planos de saúde do grupo britânico Bupa, assinou nesta semana a compra de fatia da participação da DNA Capital na Beep Saúde, empresa de vacinação, exames laboratoriais e infusões em domicílio.
Os valores não foram divulgados e as empresas não informaram o tamanho da fatia vendida. Antes da operação, a DNA detinha cerca de 30% da Beep.
"Para a Beep Saúde, é uma grande satisfação receber como novo acionista um grupo da relevância da Bupa", disse à Folha o CEO da Beep, Vander Corteze.
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Segundo o executivo, há forte alinhamento entre as companhias, especialmente no foco em oferecer as melhores experiências de saúde a clientes e beneficiários.
A DNA Capital foi fundada em 2013 por Pedro de Godoy Bueno, da família controladora da Dasa. Em 2017, a gestora investiu R$ 5 milhões na Beep e acompanhou as rodadas de aumento de capital seguintes.
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"Como empreendedor, também é muito gratificante proporcionar um retorno expressivo à DNA Capital, investidor early stage que acreditou na Beep desde o início da nossa trajetória", completou Corteze.
Até abril, a DNA concentrava R$ 346 milhões em ações da companhia de saúde, segundo dados da carteira do fundo de investimento por meio do qual a gestora detém sua participação na Beep.
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Uma newsletter com informações exclusivas para quem precisa tomar decisõesEm setembro de 2024, a Beep captou R$ 100 milhões numa rodada liderada pela gestora norte-americana Lightsmith, que avaliou a empresa em R$ 1,2 bilhão após o aporte —quase o dobro dos R$ 670 milhões na ocasião da rodada de 2021, liderada pelo Valor Capital Group.
A Chan Zuckerberg Initiative, do casal Mark Zuckerberg, CEO da Meta, e Priscilla Chan, o Bradesco e David Vélez, do Nubank, também estão entre os investidores.
Fundada em 2016 no Rio de Janeiro, a Beep se especializou na aplicação de vacinas em casa. Depois, passou a coletar exames e, mais recentemente, passou a fazer infusões de medicamentos.
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Em 2020, a companhia faturou R$ 53 milhões. Em 2024, ano de sua última captação, a Beep faturava perto de R$ 300 milhões —dois terços só no segmento de vacina—, e a empresa tinha atingido o break even (ponto de equilíbrio entre receita e despesa).
A Care Plus, por outro lado, é focada em planos de saúde corporativos de alto padrão e já era parceira comercial da Beep, oferecendo aos seus beneficiários acesso aos serviços domiciliares. A operadora também tem um centro de vacinação próprio, segundo balanço semestral da Bupa, mas sua operação de serviços é pequena perto da Beep.
No primeiro semestre deste ano, a receita da Care Plus fora dos planos de saúde, que inclui clínicas odontológicas e o centro de vacinação, foi de 5 milhões de libras (cerca de R$ 35 milhões).
A entrada da Bupa na Beep se encaixa na estratégia de unir plano de saúde e rede própria de atendimento. O grupo britânico, que não tem acionistas e reinveste o lucro no negócio, abriu 95 unidades de atendimento no mundo nos últimos 12 meses.
No Brasil, a Care Plus teve alta de receita e de lucro no semestre, com mais clientes e queda de sinistralidade (parcela das mensalidades gasta com despesas médicas), segundo balanço da Bupa, que não divulga separadamente os números da operação brasileira.
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Ainda não há indicação de que a compra será submetida ao Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). Em 2020, quando o Bradesco entrou na Beep, as empresas notificaram ao órgão a compra "por conservadorismo", já que o banco controla a Bradesco Saúde.
À época, pediram que o Cade declarasse que a operação nem precisava ter sido notificada, argumentando que plano de saúde e vacinação domiciliar não são negócios relacionados, porque a vacina não está na cobertura obrigatória dos planos —a tese foi acolhida pelo Conselho.
Procuradas, Care Plus e DNA Capital não se manifestaram até o momento.
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